Educação e competências para a cidadania global: como preparar professores e alunos para os desafios do século XXI?

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Que tipo de educação precisamos e desejamos para o século XXI? Embora aumentar o acesso à educação básica continue a ser um importante desafio em muitos países, a melhoria da qualidade e da relevância da educação atualmente vêm recebendo mais atenção do que nunca, com a devida ênfase na importância de valores, atitudes e habilidades que promovam o respeito mútuo e a coexistência pacífica, além da criação de soluções para a complexidade do mundo atual.

A comunidade internacional tem se alinhado na necessidade de uma educação que contribua para a resolução dos desafios globais já existentes e emergentes que ameaçam o planeta e, ao mesmo tempo, ajude a aproveitar com sabedoria as oportunidades que ela possa oferecer.

Contando com forte apoio e foco da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), há um interesse crescente na Educação para a Cidadania Global (ECG), que sinaliza uma mudança no papel e no propósito da educação para construir sociedades mais justas, pacíficas, solucionadoras de problemas e inclusivas.

Ela representa uma mudança conceitual, pois reconhece a relevância da educação para a compreensão e a resolução de questões globais em suas dimensões sociais, políticas, culturais, econômicas e ambientais. Também reconhece seu papel em ir além do desenvolvimento do conhecimento e de habilidades cognitivas e passar a construir valores, habilidades socioemocionais (soft skills) e atitudes entre os alunos que possam facilitar a cooperação internacional além de promover a transformação social.

Ela foi preparada para formuladores de políticas de educação, profissionais, organizações da sociedade civil e jovens de todas as regiões do mundo, com interesse em equipar alunos com conhecimentos, habilidades e valores de que necessitam para crescer como cidadãos globais no século XXI.

Em contextos formais, a ECG pode ser oferecida como parte integral de uma matéria existente (como educação cívica ou para a cidadania, estudos sociais, estudos ambientais, geografia ou cultura) ou como uma matéria independente.

Modelos integrados, no entanto, parecem ser mais comuns: desenvolvimento da língua inglesa como meio de comunicação global, tecnologia de informação e comunicação (TIC) e redes sociais para facilitar essas conexões globais, aprendizagem integrada de conhecimentos facilitadores da criação de soluções diversas (STEM: Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemáticas, base da cultura maker), competições esportivas e o uso de artes e música, bem como iniciativas, sob a liderança de jovens, de projetos de voluntariado que empregam uma ampla gama de abordagens.

Em um mundo cada vez mais interconectado e interdependente, é preciso uma pedagogia transformadora, que capacite os alunos desde cedo a solucionar desafios persistentes que envolvem toda a humanidade, relacionados ao desenvolvimento sustentável e à paz. Estes incluem solução de conflitos; erradicação da pobreza; segurança energética; desigualdade na distribuição populacional e de renda, entre outras formas de desigualdade e injustiça que ressaltam a necessidade de cooperação e colaboração entre os países; além de seus limites terrestres, aéreos e aquáticos.

Dessa forma, a ECG visa:

  • estimular alunos a analisar criticamente questões da vida real e a identificar possíveis soluções de forma criativa e inovadora;
  • apoiar alunos a reexaminar pressupostos, visões de mundo e relações de poder em discursos “oficiais” e considerar pessoas e grupos sistematicamente sub-representados ou marginalizados;
  • enfocar o engajamento em ações individuais e coletivas, a fim de promover as mudanças desejadas; e
  • envolver múltiplas partes interessadas, incluindo aquelas que estão fora do ambiente de aprendizagem, na comunidade e na sociedade mais ampla.

A pedagogia transformadora leva a inovações educativas e sociais que causam mudanças positivas e transformadoras de contextos locais e globais:

  • são holísticas, e fomentam consciência de desafios locais e de preocupações e responsabilidades coletivas;
  • são centradas no aluno, priorizando suas escolhas e opiniões;
  • estimulam o diálogo e a aprendizagem com respeito;
  • reconhecem normas culturais, políticas nacionais e marcos internacionais que causam impacto na formação de valores;
  • promovem o pensamento crítico e a criatividade, usando a aprendizagem inquisitiva como principal método pedagógico;
  • desenvolvem resiliência e “competência para a ação”, sendo empoderadoras e orientadas para soluções;
  • apoiam as iniciativas lideradas e planejadas por jovens pois se parte da visão de que os jovens não são “futuros cidadãos”, mas cidadãos ativos no momento atual.

Conhecimentos e habilidades necessários para uma Educação para a Cidadania Global:

  • Conhecimento sobre problemas e desafios globais (por exemplo, “Em que grau os desafios ambientais globais requerem que você altere o próprio comportamento?”);
  • Conhecimento de línguas, especialmente o inglês como o principal idioma de comunicação internacional;
  • Uso da internet e dos meios modernos de comunicação (por exemplo, “Com que frequência você usa um computador ou celular?”);
  • Desenvolvimento do pensamento, conhecimento e práticas STEM para que os alunos possam criar de forma autônoma as soluções necessárias para os contextos em que estão inseridos .

Quais as atitudes e valores a serem desenvolvidos e potencializados:

  • Identidade e abertura global (por exemplo, nível de concordância com a frase “Um benefício da internet é que ela disponibiliza informações a cada vez mais pessoas em todo o mundo”);
  • Vontade de ajudar os outros;
  • Aceitação de direitos humanos universais, igualdade;
  • Desenvolvimento sustentável;
  • Atitudes antifatalísticas (por exemplo, nível de concordância com a frase “As pessoas podem fazer pouco para mudar a vida”).

O caminho à nossa frente é desafiador e depende de incorporarmos a ECG a programas relevantes já existentes, da qualidade do desenvolvimento profissional continuado dos educadores e do estímulo aos jovens de se comprometerem com os seus avanços.

Por último, precisamos desenvolver os indicadores com os que poderemos acompanhar e medir nossa evolução.

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