As capas mais absurdas e luxuosas do hip hop do sul dos EUA

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Na semana passada, quando o Volume 8: Gates of Hell do Juicy J (1993): as fontes de sangue escorrendo, fogo se alastrando e raios descendo capturavam o estado de violência, pobreza e morte em que aquela região dos Estados Unidos se encontrava durante aquelas décadas.

Capa de Deadly Verses, do Gangsta Pat (1995)

O segundo era o de justamente tentar se imaginar pra além desse lado gangsta e violento com o assunto que os rappers mais curtem desde essa época: grana. Mansões, carros, jóias, mulheres; não eram raras montagens de taças e garrafas de champanhes. A única regra da Pen & Pixel, segundo essa matéria publicada no Noisey gringo em 2013, é que ninguém poderia ser crucificado numa capa; fora isso, suas preocupações eram mais políticas e menos de gosto. Os rappers podiam se colocar na situação que quisessem, seja ela com ursos milionários ou dentro de relógios de ouro.

Por essas luxuosidades, a Pen & Pixel é creditada como uma das criadoras e disseminadoras do termo "bling" — que mais tarde batizou a bling era, a era da ostentação do hip hop, com 50 Cent, Lil Wayne e companhia. Um artigo de 2004 da Houston Press fala: "Mesmo antes que a palavra fosse de uso comum, as capas de Pen & Pixel definiam bling: letras quadradas que se assemelhavam a ouro cheio de diamantes; Rolls-Royces, Bentleys e Lexuses; mansões; dólares; e os rappers vestidos de jóias e sorrindo enquanto falavam no telefone. As capas Pen & Pixel criaram a necessidade de uma palavra para descrevê-las, e bling era ela."

Capa de Doin Thangs, do Big Bear (1998)

Com o passar dos anos, as gravadoras do sul foram surgindo e ficando cada vez maiores. A No Limit Records, de New Orleans, lançava discos de rappers como Master P e Mystikal já no meio da década; enquanto enquanto a Prophet Entertainment, de Atlanta, pode se orgulhar de carregar em seu catálogo os primeiros lançamentos de Three 6 Mafia e Gangsta Blac.

Capa do Tru 2 Da Game do TRU.

A estética da Pen & Pixel deixou de ser uma afronta ao mainstream pra se tornar o próprio mainstream, fato que se consolidou simbolicamente em 1998, quanto um rapper grande de L.A. — ele mesmo, o primeiro e único Snoop Dogg — lançou Da Game Is to Be Sold, Not to Be Told pela No Limit. Daí pra frente, o resto sobre como o sul se tornou o principal ponto de referência para o rap mainstream é história.

Capa de Da Game Is to Be Sold, Not to Be Told, do Snoop Dogg (1998)

Me baseando puramente no que eu conheço de Djonga como artista e no que ouvi em O Menino que Queria Ser Deus, é possível que a capa do disco tenha se inspirado nos mesmos sentimentos da galera do rap do sul durante os anos 90 e 2000. Como ele mesmo explicou no post de Instagram que mostrou a capa ao mundo, "A verdade é que desde pequeno eu sabia onde eu queria chegar, na verdade, desde pequeno mesmo sem até hoje saber o que é isso, tudo que eu quis e tudo que eu quero é ser Deus."

Se colocando flutuando no céu, ao lado de uma modelo vestida de branco, sendo coberto por uma fonte angelical e pisando num homem branco, Djonga nos passa o mesmo recado que os rappers de Atlanta, Memphis, New Orleans e Houston nos passaram durante décadas: eu ainda não cheguei onde quero, mas ai de vocês quando eu chegar.

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