Internet fecha o cerco em torno dos vídeos pr0n falsos de celebridades

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A onda dos vídeos pr0n falsos de celebridades explodiu nos últimos dois meses, desde que um usuário do Reddit chamado deepfakes apresentou uma ferramenta que utiliza IA e redes neurais para mapear o rosto de uma pessoa e sincroniza-lo com o de outra, inserindo de forma bastante convincente um indivíduo em um vídeo em tempo real em situações irreais. E desnecessário dizer, ela foi massivamente utilizada para a criação de material educativo falso.

A prática de trocar um rosto por outro não é novidade, desde antes do Photoshop fazemos isso mas quando o negócio é vídeo, a qualidade nunca foi lá grande coisa. O que o software de deepfakes faz é utilizar algoritmos e aprendizado de máquina de modo a aprimorar cada vez mais suas habilidade de mapeamento, recortando o rosto de uma pessoa e colando sobre outra, apresentando um resultado se não perfeito, ao menos minimamente convincente. A baixa qualidade dos vídeos, que dependem de uma máquina razoável para a renderização ajuda a maquiar as imperfeições e o resultado engana muita gente. Segundo o próprio deepfakes, ele utilizou bibliotecas públicas como o TensorFlow do Google, de aprendizado de máquina e o Keras, de redes neurais e deep learning.

O processo original era complexo e manual, mas não demorou para outro usuário disponibilizar um app que automatiza todo o procedimento, deixando a criação de pr0ns falsos ao alcance de qualquer um. A internet então deitou e rolou, focando principalmente em criar vídeos adultos de atrizes de Hollywood e cantoras como Gal Gadot, Emma Watson, Daisy Ridley, Ariana Grande e Taylor Swift, e até a Michelle Obama entrou na roda.

Várias outras criações começaram a pipocar fora do eixo pr0n, e uma das mais populares e nefastas é a promessa de inserir o ator Nicolas Cage em todos os filmes já feitos:


Usersub — Nick Cage DeepFakes Movie Compilation

Claro que por se tratar de uma ferramenta nova não há leis específicas para o compartilhamento desse tipo de material, mas há um entendimento de que criar um vídeo adulto falso se enquadra como Revenge Pr0n, compartilhamento de material pornográfico não consensual e que os responsáveis, tanto deepfakes e outros desenvolvedores como a comunidade deveriam ser punidos no rigor da Lei. Foi o que o Discord fez, ao banir um grupo que compartilhava tais vídeos em sua plataforma.

Só que de uma semana para cá outros serviços e plataformas começaram a fazer o mesmo. O primeiro foi o Reddit, que baniu a comunidade inteira e passou a deletar todos os vídeos hospedados que tenham relação com a ferramenta de deepfakes, pr0n ou não (incluindo as brincadeiras com Nicolas Cage). O motivo, acredita-se é que além de Revenge Pr0n, tais obras possuem direitos autorais e na impossibilidade de punir os criadores, os processinhos de estúdios e indivíduos afetados começarão a chegar para os serviços e isso ninguém quer.

A seguir foi a fez do Gfycat, uma plataforma que hospeda GIFs começar a deletar em massa as animações relacionadas às obras pr0n do software; o Pornhub, um dos maiores sites pr0n que existe também deixou claro que tal qual o Discord, entende que os vídeos são Revenge Pr0n e que isso infringe seus Termos de Serviço, logo não irá tolerar tais obras em suas paragens.

O mais recente a entrar na briga foi o Twitter: não só a conta My Deepfakes, umas das principais ligadas ao software foi suspensa como a rede social passou a deletar sem dó todos os vídeos pr0n falsos. A posição oficial é que tal conteúdo é proibido por se enquadrar como Revenge Pr0n e logo viola os Termos de Serviço, e que os usuários que compartilharem tais vídeos serão punidos com a suspensão de suas contas.

Como as plataformas estão fechando o cerco, deepfakes e agregados já estão se organizando para compartilhar suas obras em plataformas fechadas próprias (sem links; Google is your friend), mostrando que a perseguição a princípio só fará com que a distribuição mude, mas o material continuará sendo produzido. Claro, até os processinhos começarem a ser despachados e/ou as leis para criminalizar tal prática sejam elaboradas, o que não deve demorar.

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