ONU decide sobre investigadores de armas químicas na Síria

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O futuro do grupo de investigadores liderado pela ONU sobre as armas químicas na Síria, cujo mandato acabou, é alvo nesta quinta-feira (16) de uma dupla votação no Conselho de Segurança tendo como pano de fundo as divisões entre Rússia e Estados Unidos.

Os dois países apresentaram projetos de resolução para estender o mandato do Mecanismo Conjunto de Investigação (JIM, em inglês), encarregado de identificar os responsáveis pelos ataques com armas químicas na Síria. Somente concordam em renová-lo por um ano.

O texto russo pede a revisão da missão do JIM – composto por especialistas das Nações Unidas e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) – e o congelamento de seu último relatório, que envolve o governo de Bashar al-Assad em um ataque a civis com gás sarin.

Washington se opõe a essa proposta e pede sanções aos responsáveis por usar armas químicas na Síria, proibidas no país desde 2013. Tem o apoio dos cinco membros europeus do Conselho, que conta com 15 integrantes.

Os Estados Unidos querem fazer do JIM “um instrumento submisso de manipulação da opinião pública”, denunciou nesta quinta-feira o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov.

“A resolução americana não tem nenhuma possibilidade de ser adotada”, afirmou em coletiva em Moscou, em uma clara indicação de que a Rússia planeja vetá-la.

Há semana, a renovação do mandato do JIM é o centro de uma polêmica entre Washington e Moscou, depois que o painel concluiu em outubro que um bombardeio do governo sírio esteve envolvido no ataque com gás sarin em 4 de abril em Khan Sheikhun que deixou mais de 80 mortos.

A Rússia considera, assim como seu aliado Damasco, que o gás sarin encontrado procedia da explosão de um obus no solo.

Para além das votações, esperadas a partir das 20h00 GMT (18h00 de Brasília), diplomatas afirmam que o regime de não proliferação estabelecido pela ONU para proibir o uso de armas químicas está em jogo.

“O JIM não é uma ferramenta do Ocidente. É nosso bem comum e nosso melhor meio para combater o uso de armas químicas na Síria”, disse o embaixador francês na ONU, François Delattre.

Seu contraparte russo, Vasily Nebenzya, disse que acabar com o mecanismo “pode enviar um mau sinal, mas a maneira como a investigação foi feita” sobre o ataque “envia um sinal ainda pior”.

Em seu projeto, a Rússia insistiu em deixar de lado as conclusões do painel sobre Khan Sheikhun para permitir outra “investigação de alta qualidade e a escala completa” a cargo do JIM, dirigido pelo guatemalteco Edmond Mulet.

A missão dos Estados Unidos expressou sua esperança de que os países-membros do Conselho se unam para estender o trabalho desse “importante grupo”, advertindo que fazer o contrário “daria um consentimento a este tipo de atrocidade”.

O fim do JIM seria uma “vitória” para os que “querem usar armas químicas na Síria, que são o regime de Assad e o Daesh (Estado Islâmico)”, lançou o embaixador britânico Matthew Rycroft.

O Conselho também enfrenta a decisão de sancionar os responsáveis pelo ataque de Khan Sheikhun, cuja identidade é alvo de disputa entre os membros.

Desde sua criação em 2015 por iniciativa russo-americana, o JIM concluiu que as forças sírias, além do incidente em Khan Sheikhun, são responsáveis por ataques com cloro em três aldeias em 2014 e 2015, e que o EI usou gás mostarda em 2015.


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