O Brasil deveria aprender uma coisinha ou outra com a Polônia sobre games

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A Polônia não tem muito a ver com o Brasil. A cultura, história e a língua do país da Europa Central são totalmente diferentes do nosso, mas quando o assunto é videogame, até que temos algumas coisas em comum.

Leia mais: documentário do canal NoClip no YouTube (em inglês) mostra bem como a CD Projekt mudou o cenário de games da Polônia e foi um divisor de águas. No começo, ainda como uma distribuidora de jogos, ela "venceu" a pirataria ao disponibilizar jogos oficiais traduzidos na língua local, já que poucas pessoas entendiam inglês no país.

"A ideia por trás da empresa era deixar os jogos acessíveis para mais jogadores, traduzindo os jogos para polonês", falou Pawel Burza, gerente de comunidade da CD Projekt que também estava na BGS deste ano. "Os jogadores reconheceram o esforço e começaram a deixar os jogos piratas de má qualidade."

A próxima mudança veio quando a CD Projekt passou a ser um estúdio de desenvolvimento e mostrou que, sim, dava para fazer um game polonês de qualidade, como The Witcher, no meio dos anos 2000. Boa parte do que vemos hoje em dia é consequência dessa iniciativa.

Claro que há vários outros fatores que fizeram o mercado de games na Polônia bombar, entre eles a enorme ajuda tributária do governo (a Polônia deu uma grana para a 11 bit poder participar da BGS neste ano, por exemplo), algo que ainda está começando a acontecer por aqui.

Jogos localizados em português também são uma realidade há alguns anos, incluindo os jogos poloneses, e eu estaria mentindo se falasse que isso não ajudou mais pessoas a jogarem. O problema ainda está nos preços de jogos e consoles por aqui.

Karol Zajaczkowski, da 11 bit studios. Foto: Bruno Izidro/VICE Brasil.

Porém, o mais interessante de notar na ascensão dos jogos poloneses é como eles souberam transmitir aspectos da própria cultura para criar jogos com algo interessante e que se destaca.

"Por que você acha que The Witcher 3 foi tão aclamado? ", perguntou Karol Zajaczkowski. "Porque a fantasia mostrada ali era diferente de outros RPGs, ele não é um Dragon Age, ele é legitimamente uma fantasia típica do leste europeu e foi algo que as pessoas gostaram".

Com This War of Mine, da 11 bit, foi a mesma coisa. A Polônia sofreu bastante com as duas guerras mundiais e isso fez o estúdio criar um game em que você está no papel de civis e não de soldados. É diferente, tem a ver com a história do povo polonês, e funcionou como um jogo.

Talvez essa seja a principal lição que o Brasil pode aprender com os poloneses. "Vocês brasileiros têm uma cultura rica, há tantas coisas que vocês podem pegar de inspiração e que para o resto do mundo pode ser exótico", conclui Karol, que já visitou o país duas vezes.

Isso não quer dizer que é preciso entrar no clichê de jogos brasileiros com índios ou curupiras. A gente tem o nosso jeitinho e uma diversidade cultural pronta para servirem de fonte para jogos inovadores, só esperando alguém saber explorá-la direito.

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