The Get Up Kids não liga mais pro emo

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Em 2009, o guitarrista do The Get Up Kids James Suptic olhou para a plateia após um dos shows de reunião da banda e se desculpou por, segundo ele, ter participado da gênese do emo. "Se esse foi o mundo que nós ajudamos a criar, eu sinto muito." Oito anos depois, a banda parece ter cansado de lutar contra o rótulo que a assola desde sua formação. "Nós realmente não temos nada a dizer sobre a questão", me conta a cabeça da banda Matt Pryor, em entrevista por e-mail. "Nos chame do que quiser."

Comemorando 22 anos de banda e duas décadas desde o lançamento do quase-clássico disco de estreia Four Minute Mile, o Get Up Kids faz sua primeira apresentação na América do Sul nesse sábado (2) em São Paulo. Apesar de dificilmente poderem ser creditados como criadores do emo — a banda provavelmente se encaixa na segunda ou terceira onda do gênero, dependendo de pra quem você perguntar —, não dá pra negar que muito do pop-punk melódico que fez você comprar um cinto de rebite nos anos 2000 provavelmente não teria existido se o Get Up Kids não tivesse, em 1999, dominado os ouvidos de todos os frequentadores da Warped Tour com o lançamento de Something to Write Home About. Como boa parte das bandas um dia já chamadas de "emo", o grupo entrou para o balaio dos que lutaram incansavelmente (e inutilmente) contra o rótulo ao longo dos próximos anos.

Em meio a alguns outros shows de bandas emo rolando no Brasil nos meses anteriores e próximos (Basement, Turnover, The World Is a Beautiful Place & I Am No Longer Afraid to Die), o Noisey conversou com a banda a respeito do infame gênero, bandas influenciadas pelo TGUK e a perda (ou não-perda) de relevância do rock. Curte aí, jovem triste.

Noisey: Por que o Get Up Kids decidiu voltar a tocar junto?
Matt Pryor: A banda acabou em 2005 e voltou em 2009. Nós finalmente percebemos que não precisávamos acabar, só de um tempo longe um do outro. Então fazemos isso agora.

Como você se sente tocando músicas que escreveu quando adolescente duas décadas depois, como um adulto?
As músicas ainda são divertidas de tocar, e o público canta junto. Então, naquele momento, você está estabelecendo uma conexão com as pessoas de uma maneira que vai além de estar tocando "aquela música". É um sentimento muito bom.

A banda não gostava do termo "emo" quando começou. Depois de vinte anos, você acha que esse rótulo prejudicou a banda mais do que a ajudou?
Eu não ligo. Nós realmente não temos nada a dizer sobre a questão. Nos chame do que quiser.

Como você enxerga a evolução artística do estilo de música que vocês tocam ao longo dos anos? Você gosta de bandas influenciadas pelo TGUK?
Eu vejo nossa evolução musical como cinco caras que querem fazer coisas novas e desafiar uns aos outros. Nós nunca queremos fazer a mesma coisa duas vezes. Tem muitas boas bandas por aí dizendo que nós as influenciamos. Eu não sei se influenciamos mesmo, mas as bandas são boas.

Four Minute Mile foi lançado há 20 anos. Qual era a mentalidade de vocês quando o disco foi gravado? E o que você acha dele hoje?
A mentalidade é que nós éramos umas crianças tentando lançar um disco a qualquer custo. Eu acho que as músicas são boas, mas nunca gostei da gravação. Na verdade, a gravação é boa. Eu nunca gostei da minha performance nesse disco. Quando começamos a gravar o Something to Write Home About, queríamos fazer um disco melhor.

O rock perdeu muito de seu apelo e não é mais tão relevante para uma nova geração. Por que você acha que isso acontece?
Eu não concordo com isso. Eu acho que o rock tem um significado diferente para cada geração. Eu mesmo tenho filhos, e eu vejo que o rock é uma paixão muito grande e parte relevante da vida deles. Eu acho que é normal quando ficamos velhos pensar que "nosso momento" na música foi o último que importou, mas não é o caso.

The Get Up Kids em São Paulo
02/9 às 16h, no Carioca Club Pinheiros
R$120 a 380

ver Vice Brasil
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