Com ‘Bixa’, novo de As Bahias e a Cozinha Mineira, música brasileira olha para frente

Facebook
VKontakte
share_fav
Capa de BIXA por Gui Paganini

Gui Paganini Capa de BIXA por Gui Paganini

Leia mais

Produzido pela dupla formada pelo baixista Marcelo Cabral e pelo produtor Daniel Ganjaman, que têm atuado ao lado de nomes como Elza Soares e Criolo, BIXA, o segundo álbum de As Bahias e a Cozinha Mineira traz o grupo em um mergulho a suas origens na MPB ao mesmo tempo em que canções de rara complexidade na música atual aparecem embalados por timbres contemporâneos.

Bateria na cara, baixos sintetizados e analógicos, idem. O disco surpreende positivamente pela amplitude vocal da dupla Assucena Assucena e Raquel Virgínia, suas vozes se complementam e ampliam as possibilidades de soar múltiplo. Lembra as grandes orquestras, que tinham vocalistas diferentes para interpretar diferentes músicas.

Há boleros maravilhosos, funk, samba, jazz, reggae. Tal inquietude pode ser interpretada como necessidade de agradar ou falta de norte, mas não se restringir a rótulos é um trunfo. Não são infalíveis, mas quase sempre acertam. O mais imponte é que arriscam, algo que se tornou raro. Existe, mas geralmente quem é muito experimental paga o preço da invisibilidade, sentença de morte para a sociedade do Instagram. A música, alheia aos cliques, resiste.

Liderada pela dupla explosiva Assu e Raquel e por Rafael Acerbi, a banda é especialmente competente: Carlos Eduardo Samuel (teclado), Danilo Moura (percussão), Vitor Coimbra (bateria) e Rob Ashttonfen (baixo). Ao lado de Cabral e Ganjaman, eles apontaram caminhos para a música brasileira voltar a surpreender diante da magnitude das gerações anteriores: bossa nova, Tropicália, Clube da Esquina, Novos Baianos. Devemos mirar dali para frente e não para trás. O mesmo que podemos dizer sobre as conquistas de liberdade de expressão e de comportamento.

O Virgula Música esteve na audição do disco na terça (29), nos estúdios da YB, local mítico para a nova música brasileira. Gravaram ali também Iara Rennó e Xênia França, que estavam lá dando dando close. Alguns nomes que já trabalharam no estúdio: Metá Metá, Passo Torto, Curumin, Aláfia, Saulo Duarte, Pipo Pegoraro, Bruno Morais, Thiago França, Rodrigo Campos, Romulo Fróes, Juçara Marçal, Sambas do Absurdo.

Assim caminha uma parte da música brasileira. Não diria toda, mas a parte que cabe neste latifúndio à poesia e musicalidade de As Bahias e a Cozinha Mineira.

ver Virgula
#as bahias e a cozinha mineira
#bixa