Travis Kalanick não é mais o CEO do Uber

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Todo mundo já esperava por essa: Travis Kalanick acaba de anunciar sua renúncia ao cargo de CEO do Uber, o mais recente desdobramento de uma série de acontecimentos que levaram a uma intensa faxina interna, forçada pelos principais acionistas da companhia.

O Uber vinha enfrentando uma série de críticas e não é de hoje. Embora avaliada em US$ 70 bilhões a companhia tem uma imagem muito ruim principalmente por suas políticas obscuras. Práticas abusivas como interromper a cobrança dinâmica em ocasiões específicas como os protestos contra Trump em janeiro e os ataques terroristas à França em 2015, acusações de assédio sexual dentro e fora de suas cercanias (no caso praticados por seus motoristas, alguns ocorridos no Brasil inclusive), espionagem de concorrentes, uso de softwares para driblar as autoridades e parceiros comerciais como a Apple, coleta e manutenção de dados por tempo indeterminado, abuso de ferramentas como o God View para prejudicar desafetos e monitorar clientes potenciais e por aí vai.

Some-se a isso a queda da qualidade do serviço como um todo principalmente no Brasil, aliado ao aumento dos assaltos e sequestros a passageiros desde que o serviço passou a aceitar pagamentos em dinheiro e a insatisfação dos motoristas em geral, que estão ganhando cada vez menos comissão. Tais práticas estão favorecendo concorrentes como o Lyft, o Cabify e o 99Táxis, entre outros.

O resultado não podia ser outro: os acionistas ficaram fulos nas calças com a filosofia destrutiva do Uber e tomaram providências para salvar seu investimento. Neste primeiro semestre, não só vários funcionários envolvidos em casos de assédio foram demitidos como vários membros-chave da direção da companhia: o presidente Jeff Jones pediu para sair em março, seguido pelo VP sênior de negócios Emil Michael em junho (este teria sugerido atacar jornalistas); Amit Singhal, VP de engenharia rodou ao ser acusado de assédio, assim como o VP de Produtos Ed Baker; Raffi Krikorian, diretor sênior de Engenharia pulou fora em fevereiro e mais recentemente Eric Alexander, chefe de negócios do Uber para a Ásia foi demitido após obter acesso aos registros médicos de uma cliente vítima de estupro na Índia, que agora está processando a startup.

Travis Kalanick, o então CEO seria o próximo alvo e ele deu vários motivos para isso.

O bate-boca com o motorista do Uber insatisfeito foi apenas mais uma das presepadas em que o executivo se envolveu. Jovem e ambicioso, não foram poucas as declarações internas (posteriormente vazadas) e públicas vindas dele que ressaltam sua obsessão em atingir o sucesso profissional a todo custo e para isso, qualquer método é válido. A maioria das ações controversas do Uber teriam passado com seu aval e por conta disso ele seria o principal obstáculo a ser transposto pelos acionistas, que temiam uma iminente implosão da empresa por conta de sua filosofia destrutiva.

O afastamento recente de Kalanick do posto de CEO oficialmente se deu por razões pessoais (um acidente de barco culminou na morte de sua e seu pai internado em estado grave), mas não seriam o único motivo. O conselho estaria pressionando o executivo a largar a toalha e renunciar ao posto de modo que estes pudessem “levar o Uber adiante”, para longe das influências negativas. Este seria inclusive o mote de uma recente carta enviada a Kalanick pelos cinco principais holders da startup, incluindo a empresa de investimentos Benchmark.

Após horas de discussões, em que os acionistas insistiram que Kalanick renunciasse imediatamente, este enfim cedeu.

O futuro do Uber é incerto. Embora Kalanick permaneça (por ora) no conselho de diretores a companhia possui vagas abertas para CEO, COO, CMO e CFO e uma série de postos críticos, e na prática foi assumida integralmente pelos acionistas. A devassa a qual a empresa foi submetida é uma prova cabal de que algo estava muito errado dentro dela, mas fica difícil prever quais caminhos ela irá trilhar nesse interim até a definição de outro corpo executivo.

Enquanto isso, a concorrência pode e irá se aproveitar desse período de instabilidade do Uber e vai procurar não só mais investimentos como poderá utilizar o péssimo período da rival em suas campanhas de marketing, de modo a estimular seu passageiro fiel a procurar outros prestadores de serviço. Enfim, é aguardar para ver no que isso vai dar.

Fonte: The New York Times.

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