Kevin Durant está prestes a superar LeBron e se tornar o melhor da NBA

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"Digamos que você tem 40 maçãs na sua árvore. Eu poderia comer umas 30, mas comecei só com 15 ou 16. Vamos pegar as três em aberto e aquela mais acima. São boas maçãs aquelas. Deixemos de lado as outras três em transição e a do fundo. Estas são maçãs podres. As três no topo do círculo são as intermediárias. Queremos só as melhores ali". Kevin Durant, há quatro anos, em entrevista à Sports Illustrated

No último domingo, momentos após Kevin Durant, do Golden State Warriors, destruir os campeões do Cavaliers pela segunda vez em quatro noites, o ex-jogador Paul Pierce, intoxicado em meio a uma dinastia em ascensão, declarou em rede nacional que o basquete tinha novo melhor jogador do mundo.

Ele está errado. Apesar da média de Durant de 35,5 pontos, 11 rebotes, 7 assistências e 2,5 bloqueios e 56,3% de acertos, 50% de suas cestas de três e 90,9% de seus lances livres, LeBron James ainda é o melhor nas finais da NBA e em todo o universo. Ele conseguiu um triplo-duplo no segundo jogo e está jogando como se fosse um tanque pilotado por Lewis Hamilton.

A distância entre estes dois pesos pesados – talvez os melhores que já tenhamos visto em suas posições – está mais curta do que nunca, mas é impossível deixar de lado diversos fatores externos – tais como equipe, época etc. – dessa comparação.

Eleito como o mais provável ao cargo de sucessor de James desde que levou o Oklahoma City Thunder às finais em 2012, Durant passou a ser amplamente aceito – dentro e fora da temporada, graças à diversas cirurgias e pulos sobrenaturais de Stephen Curry – como o segundo melhor jogador do mundo.

Agora aos 28 anos e no papel de força dominante naquele que talvez seja o melhor time já montado, é possível que Kevin esteja no auge de sua capacidade, com números que rivalizam com os de Lebron na mesma época. Se as finais continuarem assim e Durant manter o nível enquanto seus Golden State Warriors vão pra cima dos Cleveland Cavaliers por mais dois jogos, não seria absurdo ficar de olho nos (altamente subjetivos, porém sempre empolgantes) números antes da próxima temporada.

James e Duran, sozinhos, são jogadores perfeitos agora. Um reflete o outro nesta temporada e servem de ponto de apoio para qualquer escalação que seus times possam vir a ter. (Os dois se confrontaram quando Golden State resolveu colocar Durant após a quarta falta de Draymond Green aos quatro minutos do terceiro tempo.)

Em comparação, Durant é um melhor na defesa e no rebote, como mostrado no jogo 2, quando mostrou toda sua envergadura ao aparar lances em situações de suporte, negando ainda uma virada de Kevin Love – quase tudo resultando em pontos a favor de seu time segundos depois.

Quando uma bola rebate do aro, Durant quase sempre a pega ou consegue passar para um colega de equipe. Com exceção de Giannis Antetokounmpo ou Anthony Davis, Durant consegue ir mais alto que quase todos na liga. Enquanto isso, James consegue fazer qualquer novato da G-League parecer útil no maior palco do esporte; aquele papo de "passador mais esperto de todos os tempos" que já soou como exagero, pode ter seus dias contados.

Foto por Kyle Terada - USA TODAY Sports

Mas em uma liga em que o que manda é o ataque, Durant é o marcador multifacetado de maior nível e mostra muito mais confiança além do arco e no centro, mandando ver nos dribles ou arremessando de cara. Ele marcou 63% de seus arremessos longos e de três pontos só nos playoffs. Estes números chegam a ser injustos até no videogame e não há como reduzi-los, restando à defesa torcer para que ele erre.

O resumo é o seguinte: não há como destacar James ou Durant de seus meios, posições e equipe de apoio. Estes fatores contextuais adicionam profundidade a uma discussão que já é bastante complexa e difícil. Kyrie Irving, Love e o grupo de ameaças externas pelo elenco do Cavaliers facilita a vida de James, mas nada se compara ao efeito de ter um MVP como Curry no time, ainda mais para Durant.

Como pudemos ver nestas finais, sempre que Durant e Curry trabalham juntos, a defesa se vê em maus lençóis. É preciso só um segundo e um nada de espaço para que um deles te derrube. O outro é como um lança-granadas de dois metros de altura.

Mude as posições e há uma chance de que Durant ou Curry terão uma brecha para explorar. Armadilhas são inúteis a não ser que outra defesa aja no tempo exato e, mesmo assim, haverá um arremessador no canto após o primeiro passe catalisar seu ataque.

Eis aqui alguns números que ajudam a ilustrar a disparidade geral na forma de LeBron e Durant atuarem: a porcentagem de lances sem assistência e a taxa de assistência de cada um. Cada um destes dados resume o estilo de jogo de cada time. O Golden State brilha com passes inteligentes e nada egoístas que ajudaram a realizar a visão de Steve Kerr de um sistema ofensivo em que todos se sentem conectados e úteis. É perfeito. Há quase movimentos demais entre homem e bola, com mais espaço que o necessário para cada jogador da NBA (mais ainda para os cinco melhores do mundo).

Nestes playoffs, 44% dos arremessos de Durant foram sem assistência, exatos 20% a menos que LeBron, cuja porcentagem de assistências é quase o dobro da de Durant. Se isso faz parecer que a dificuldade de James é maior que a de KD é porque é isso mesmo. Criar seu próprio lance é bem mais complicado do que ter alguém preparando o meio de campo pra você.

Foto por Kelley L Cox - USA TODAY Sports

Ao passo em que James precisa botar sua equipe para trabalhar, Durant pode se dedicar a atirar quantas bolas quiser. Quando essa estratégia der no saco ou a defesa mudar sua forma de agir, ele forçará uma jogada que fará seus oponentes a deslizarem. Oportunidades simples nunca foram tão abundantes ou gloriosas quanto agora – grande parte de seus ataques é contra um adversário em pânico, dificilmente ele se vê diante de um defensor linha-dura.

Voltando à citação que abre esta matéria: a gordura do jogo já enxuto de Durant foi aparada. Todas as maçãs são ótimas e não há problema nenhum em renegar as batidas que estão seu prato. Os deveres que foram seus no passado foram delegados a uma excelente equipe capaz de realizá-los em um nível inédito no esporte. A soma da classificação líquida em seus seis últimos pós-temporadas é de +17.8. Sua classificação para os playoffs 2016-2017 é +20.6.

Ele é um excelente jogador no geral, mas é complicado creditar tudo aos seus números. Quanto disso é fruto dele ser foda e o quanto é por que ele não precisa se preocupar com as mesmas coisas que seus colegas de time?

Isso não significa que Durant seja incapaz de lidar com tais responsabilidades – de acordo com a Synergy Sports, Durant está entre os 100 melhores no bloqueio de bola quando arremessa, faz passes, comete faltas ou entrega – mas o volume importa. E é aí que James sai na frente de todo mundo.

Parece que foi há milhões de anos, mas Durant não fez lá muita coisa nos dois jogos do Golden State contra o Portland Trail Blazers e o time ainda ganhou com 35 pontos de diferença. Quando ele está na quadra sem Curry, o Warriors fica com -6.7. Por mais inspirador que seja, o quão importante é o fato de que o Warriors não "precisa" de KD tanto quanto os Cavaliers precisam de LeBron?

É simples responder quem é o melhor. Mas o que estamos aprendendo agora é que Durant nunca esteve tão perto de ultrapassar LeBron. E mesmo com todos os benefícios de um supertime ao seu lado, Durant conseguiu se destacar de todos os demais jogadores. É só uma questão de tempo até que ele supere LeBron James.

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