Os refugiados que ajudaram Snowden a escapar de Hong Kong estão sendo punidos injustamente

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Esse artigo foi publicado originalmente em alemão no Motherboard Alemanha

Pen drives e HDs criptografados cheios de documentos roubados da NSA cobriam a cama de uma suíte no luxuoso Hotel Mira, em Hong Kong. Junto de Edward Snowden estavam dois jornalistas do The Guardian, a documentarista Laura Poitras e sua câmera. Ele havia planejado tudo nos mínimos detalhes.

Quando Snowden deu um rosto e nome ao vazamento de informações da NSA, em junho de 2013, todos os detalhes — exceto um — haviam sido levados em conta: para onde ele fugiria e como ele chegaria lá.

O rosto de Snowden brilhava em todas as telas do mundo quando o telefone de Robert Tibbo, advogado especializado em direitos humanos que atua em Hong Kong, tocou na calada da noite. Snowden, o homem em todos os noticiários, estava preso em um quarto de hotel, caçado por todos. Tibbo não pensou duas vezes: havia apenas um lugar onde ele poderia escondê-lo.

Ali começava uma corrida contra o tempo, uma perseguição saída de um romance de espionagem. Apesar da relevância do caso de Snowden, o local onde ele buscou refúgio imediatamente após sua icônica entrevista permaneceria em segredo por mais de três anos, até a publicação de uma reportagem investigativa do National Post em novembro de 2016. Para Tibbo, havia apenas um lugar onde seu cliente ficaria seguro. Algumas horas depois, ele ajudou Snowden a escapar, ileso para uma das favelas da cidade, onde muitos de seus clientes vivem. Snowden permaneceria lá por cerca de duas semanas. Deixaria seu esconderijo apenas para embarcar em um avião rumo a Moscou, numa operação extremamente sigilosa.

Durante essas duas semanas em Hong Kong, apenas oito pessoas sabiam onde Snowden estava: Tibbo e os refugiados Ajith, Vanessa, Supun, Nadeeka e três crianças. Sem a ajuda deles, Snowden poderia não ter sobrevivido àquelas duas semanas.

Enquanto o mundo admirava a coragem de Snowden, sete pessoas arriscavam suas vidas para salvá-lo. Aqueles que o abrigaram compreendiam sua situação; afinal, eles também eram refugiados.

Apesar de milhares de pessoas terem entrado em contato com o martírio dessas sete pessoas, a situação dos refugiados de Hong Kong só piorou. Nos últimos anos, as autoridades têm infernizado a vida dos quatro adultos e das três crianças que ajudaram a salvar Snowden. "Sempre me preocupei em arrastar outras pessoas para o buraco comigo", confessou Snowden em uma entrevista para o National Post publicada no ano passado.

Leia o resto da reportagem em Motherboard.

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