2017, o ano que pode remodelar a Europa

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Com eleições em três de seus principais países – Alemanha, França e Itália — e o prosseguimento do processo de Brexit, 2017 é definitivamente um ano importante para a Europa. Um ano em que o continente vai decidir se embarca numa guinada rumo ao populismo de direita ou barra essa tentação e encara de frente seus muitos problemas. Com uma recuperação econômica claudicante, afetada pelo desemprego e fomentando frustação, muitos europeus estão se mostrando enfastiados com os políticos tradicionais e com as regras ditadas pela burocracia centrada em Bruxelas – sede da União Europeia. Soma-se a esse caldo já borbulhante a pressão exercida pela maior massa de imigrantes que o continente já recebeu em sua história.

Além das eleições no Europa, aqui na América do Sul, Chile e Equador também escolherão novos presidentes. Com Michelle Bachelet, no Chile, e Rafael Corrêa, no Equador, ambos os países têm governos de esquerda e podem rumar à direita, seguindo o movimento iniciado pela eleição de Maurício Macri na Argentina.

Eleições presidenciais na França(Kenzo Tribouillard / AFP/VEJA)" description="François Hollande encerra 2016 com sua popularidade corroída (aprovação de apenas 10%,) e capital político minguante. Diante disso, o presidente francês http://veja.abril.com.br/mundo/presidente-frances-hollande-anuncia-que-nao-tentara-reeleicao/" target="_blank">não será candidato à reeleição. Com a desistência, torna-se o primeiro presidente na história da França moderna a não tentar o segundo mandato. A desistência abriu uma disputa dentro da sua legenda para ver quem será o candidato do Partido Socialista.

Arnaud Montebourg, ex-ministro da Indústria, e http://veja.abril.com.br/mundo/franca-premie-manuel-valls-anuncia-candidatura-a-presidencia/" target="_blank">Manuel Valls, ex-primeiro-ministro, disputam a vaga, com leve vantagem para o primeiro. Nas primárias do Partido Republicano (ex-UMP), http://veja.abril.com.br/mundo/francois-fillon-sera-candidato-a-presidencia-da-franca/" target="_blank">François Fillon derrotou seu ex-chefe Nicolas Sarkozy e será o candidato. Ex-primeiro-ministro de Sarkozy, se acordo com as pesquisas, ele é o único que pode barrar líder da Frente Nacional (FN), http://veja.abril.com.br/mundo/marine-le-pen-quer-fim-da-escola-gratuita-para-ilegais-na-franca/" target="_blank">Marine Le Pen. Com a promessa de “devolver a França aos franceses”, Le Pen quer acabar com o euro, sair da UE e fechar as fronteiras do país. O primeiro turno da eleição presidencial francesa será em 23 de maio e, caso necessário, o segundo turno será dia 07 de maio.

">Eleições legislativas na Alemanha(Fabrizio Bensch/Reuters)" description="No comando da maior economia da Europa desde 2005, a chanceler Angela Merkel confirmou que vai disputar seu quarto mandato. Após 11 anos à frente do país, Merkel já ostenta o recorde de longevidade entre os atuais governantes ocidentais. Ainda que Merkel venha http://veja.abril.com.br/mundo/popularidade-de-merkel-despenca-apos-ataques-na-alemanha/" target="_blank">recebendo críticas por sua política de http://veja.abril.com.br/mundo/merkel-defende-politica-de-refugiados-apos-atentados-na-alemanha/" target="_blank">portas abertas para a imigração, a julgar pelas pesquisas, ela tem grandes chances de conquistar o quarto mandato como chanceler. Assim, ela entraria para a história do país ao superar o tempo de poder do icônico chanceler do pós-guerra Konrad Adenauer (14 anos) e também o de seu próprio mentor político, Helmut Kohl (16 anos).

Na Alemanha, o populismo de direita e anti-UE responde pelo nome de Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão. Jovem, fotogênica e carismática, http://veja.abril.com.br/mundo/eleicoes-estaduais-da-alemanha-fortalecem-opositores-de-merkel/" target="_blank">Frauke Petry é a cara do novo populismo alemão. Esperta o suficiente para se afastar de qualquer resquício de antissemitismo, ele não se furta de defender, por exemplo, o direito de atirar em imigrantes que tentar entrar ilegalmente pelas fronteiras alemãs. “Deve-se impedir que os imigrantes cruzem ilegalmente da Áustria para a Alemanha”, disse em entrevista a um jornal regional. “Se necessário, deveriam usar armas de fogo. Não quero isso, mas o uso da força armada existe como último recurso.” Pesquisas apontam o AfD como a terceira força política da Alemanha e é uma legenda que tende a tirar votos de Merkel e não de seu adversário mais próximo — que virá do Partido Social Democrata (SPD), a segunda força política no país. Sigmar Gabriel e Martin Schulz largam na frente pela liderança do partido e potencial substituo de Merkel.

">Eleições na Itália(Angelo Carconi/EFE)" description="Bagunça. É difícil usar outra palavra para definir a http://veja.abril.com.br/mundo/italia-sofre-com-incertezas-e-pressao-antissistema-apos-referendo/" target="_blank">atual situação política italiana. No início de dezembro, os italianos rejeitaram em referendo a reforma constitucional que o então premiê Matteo Renzi considerava essencial para seu governo. No entanto, a Itália vive atualmente em um limbo jurídico que dificulta a possibilidade de ir às urnas antecipadamente. A atual lei eleitoral do país foi declarada inconstitucional pela Justiça, mas o governo recorreu e ainda não há uma decisão final, impossibilitando o país de convocar eleições.http://veja.abril.com.br/mundo/renzi-oficializa-renuncia-apos-derrota-em-referendo/" target="_blank">Renzi caiu, Paolo Gentiloni foi indicado como http://veja.abril.com.br/mundo/italia-nomeia-paolo-gentiloni-como-novo-primeiro-ministro/" target="_blank">novo primeiro-ministro para um mandato-tampão e tem a missão de conseguir http://veja.abril.com.br/mundo/como-a-italia-formara-um-novo-governo-apos-a-renuncia-de-renzi/" target="_blank">convocar eleições para o início de 2017. Se não bastasse a crise no governo, há a ascensão do Movimento 5 Estrelas (M5S, na sigla em italiano), partido que se consagrou como defensor do ‘não’ no referendo. Liderado pelo ex-comediante Beppe Grillo, o M5S se diz “apolítico”, cansado de quem está no poder há gerações e governa com base em interesses, e defende a saída da zona do euro. A linha é a mesma de outros considerados parte da direita populista europeia, como o britânico Ukip, o Partido da Liberdade da Áustria e a Frente Nacional, na França.">Brexit(Justin Tallis/AFP/AFP)" description="O Reino Unido optou por http://veja.abril.com.br/mundo/o-reino-unido-esta-fora-da-uniao-europeia-e-agora/" target="_blank">deixar a União Europeia (UE), mas até agora nada mudou. Ainda que a “alma” britânica já tenha deixado o bloco, o corpo ainda presente e atuante. A premiê http://veja.abril.com.br/mundo/em-discurso-vazado-theresa-may-alertou-sobre-prejuizos-do-brexit/" target="_blank">Theresa May afirmou que irá iniciar formalmente a saída da UE “antes de abril”. Aina que a data seja vaga, já é um indício que o Reino Unido finalmente vai assinar o famoso artigo 50 do Tratado de Lisboa — que prevê o prazo de dois anos de transição para a saída de algum dos países da União, algo inédito até agora.

A saída do Reino Unido da UE pode dar início a um http://veja.abril.com.br/mundo/brexit-quem-ganha-e-quem-perde-com-a-saida-do-reino-unido-da-ue/" target="_blank">efeito dominó entre os países do bloco e enfraquecer o atual modelo europeu. Os pedidos de referendo para sair do bloco podem se multiplicar e ecoar nos países nórdicos, muito afetados pela onda nacionalista que também atinge a nação britânica. Os países escandinavos, importantes contribuintes para o orçamento da UE, temem que as sucessivas crises europeias acabem afetando sua prosperidade.

No entanto, apesar do temor do mercado e das nações, muitos especialistas acreditam que, com a adesão do Reino Unido aos acordos de livre comércio, o compromisso de livre circulação entre os países europeus também será legitimado, assim como acontece atualmente com a Noruega ou a Suíça, que não fazem parte da União Europeia. Além de consequências nacionais, a decisão pode afetar o mundo todo política, econômica e socialmente. Idealizada após a II Guerra Mundial (1939-1945) como forma de pacificar a Europa, um dos continentes mais marcados por conflitos, a União Europeia é o exemplo mais próximo e bem-acabado na direção de um mundo sem fronteiras — uma utopia para muitos e uma meta no horizonte de outros.

">Eleições presidenciais no Chile(Luis Hidalgo/AP/VEJA)" description="As eleições presidenciais no Chile estão marcadas para o dia 19 de novembro de 2017. A atual presidente Michelle Bachelet não poderá concorrer, já que a Constituição não permite reeleição imediata. Entre os principais pré-candidatos na disputa estão o ex-presidente de centro-direita Sebastián Piñera e o jornalista Alejandro Guillier, ambos concorrendo de forma independente. A última pesquisa divulgada pela Cadem nessa semana atribui a liderança a Piñera, com 22% das intenções de voto, seguido por Guillier, com 18%.">Eleições no Equador(Sergio Moraes/Reuters/VEJA)" description="O Equador elegerá seu próximo presidente no dia 19 de fevereiro de 2017. Rafael Correa, que está no poder a 10 anos, não poderá se reeleger. Segundo as últimas pesquisas eleitorais feitas pelo instituto Cedatos, os candidatos Lenín Moreno, da Alianza PAIS, e Guillermo Lasso, do Movimiento CREO, provavelmente disputarão o segundo turno das eleições. Moreno foi vice-presidente do Equador entre 2007 e 2013 e tem o apoio de Correa.">
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