Microcefalia: o paciente zero de uma epidemia

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“Tá diferente este lugar hoje, não é, filho?”, perguntou a manicure Miria Pereira Florêncio, enquanto beijava carinhosamente a cabecinha do seu menino de 1 ano e 8 meses, José Isaías. Era início da tarde, no começo de novembro. Os dois estavam no Centro de Pediatria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal, aguardando a vez da consulta. Desde que o filho nasceu, a rotina de Miria tem sido visitar uma enorme quantidade de instituições médicas, sempre com pessoas novas ao redor e o filhinho no colo. O que jamais muda são as perguntas sobre o garoto nas salas de espera. “Por que a cabeça dele é menor?” “Ele anda?” No consultório, as indagações dos médicos ganham outro tom. “O menino reage quando você fala com ele?” “Qual é o perímetro cefálico dele?” Miria tem todas as respostas na ponta da língua. Repete-as incontáveis vezes a mães, pais, crianças, faxineiros, recepcionistas, neurologistas, pediatras, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, ortopedistas e plantonistas de pronto-socorro.

José Isaías é o primeiro bebê no Brasil em quem se diagnosticou a microcefalia, malformação cerebral, associada ao vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. É o paciente zero de uma epidemia que hoje acomete 2 189 crianças no país. Em decorrência da microcefalia, José Isaías apresenta múltiplas calcificações no cérebro, rigidez muscular e convulsões. Nasceu com os pés tortos e displasia nos quadris e, por isso, tem de usar gesso nas perninhas constantemente. Como seus cílios são invertidos, seus olhos inflamam-se com facilidade. Tem atraso motor. Toma remédio para dormir e para evitar crises convulsivas. Usa antibióticos por causa das frequentes infecções urinárias. Alimenta-se apenas de comida pastosa para não engasgar. José Isaías é um heroizinho involuntário de um drama nacional.

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Arquivado em:Brasil, Saúde
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