Ceia nas ruas: conversamos com um dos idealizadores do Natal Invisível

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Mas organizar essa estrutura e esses números, além de não ser fácil, sai bem caro. A solução encontrada foi envolver o maior número de pessoas possível no projeto, e também foi criada uma campanha no catarse.

Pra saber um pouco mais dessa proposta eu entrevistei o Vinícius Lima. Vem ver o resultado da conversa! :)

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1. Como foi a dinâmica de pensar o Natal Invisível no que diz respeito a questões burocráticas, como organização da abordagem do evento, planejamento das ações a serem desenvolvidas no dia e parcerias?

A ideia do Natal é muito mais simbólica do que física, né. Aí a gente pensou: poxa, vamos comemorar o natal com quem a gente passou o ano inteiro, com as pessoas em situação de rua. Eles são nossa família e, realmente, a gente ama esse caras.

A ideia foi do nosso amigo Gabriel Cupaiolo. Vai acontecer na Missão Cena, que é uma ONG que serve pessoas em situação de rua também. Quem vai ajudar na cozinha é o restaurante NOU, e o Apollo é amigo do Gabriel Cupaiolo.

E é isso, o Natal Invisível é o SP Invisível e toda essa galera comemorando o natal com as pessoas em situação de rua. No dia a gente vai servir 400 refeições na mesa, dentro da Missão Cena, e distribuir mais 600 na rua, que é a casa deles. Natal se comemora em casa, com quem você ama, com a família.

2. "Vocês contam a história mas não ajudam, vocês contam a história mas a pessoa ainda está lá, naquela situação". No vídeo de apresentação do projeto você cita essa fala como um ponto levantado por algumas pessoas. O Natal Invisível vem também como uma resposta à quem levanta essas questões? Como você enxerga isso?

É e não é. O Natal foi uma ideia do Gabriel, como eu falei, e é algo entre amigos, uma comemoração. Pra gente é um simbolo, é algo que tem um significado.

Querem botar a gente numa caixinha: "é ONG? É coletivo? É comunicação?". Bom, a gente faz o trabalho social, faz a comunicação...nós não precisamos ter um rumo como "ah, o que eles fazem?". A gente fala sobre moradores de rua e a gente tá com eles.

No Natal a gente decidiu que dá pra fazer algo. Como dá pra denunciar e como dá pra, ao mesmo tempo, servir essas pessoas? É com o Natal Invisível.

3. Percebo que vocês estão, cada vez mais, investindo em maneiras de solidificar a ideia do SP Invisível. O livro, por exemplo, é uma delas. Há alguns meses você disse que "O SP invisível entra com a conscientização, às vezes essa conscientização exige ação, outras não", e nos contou que não tinha ideia do lugar em que essas ações realizadas por vocês iriam chegar. Algo mudou em relação a isso? Há algum plano para o futuro do projeto?

No SP Invisível a gente gosta de realizar sonhos.

Existem sonhos do SP Invisível, existem sonhos do André Soler que podem ser realizados no SP Invisível, existem sonhos do Vinícius Lima que podem ser realizados no SP Invisível, e muito mais.

O meu sonho era o livro, hoje eu tenho outros.

O sonho do André é um aplicativo.

O Natal Invisível era um sonho do Gabriel, que não faz parte do SP Invisível mas que veio com essa proposta agora.

Um dia você pode ter um sonho que pode ser realizado dentro do nosso projeto, e por aí vai. Lógico, é sempre bom poder contar com uma grana, até mesmo pra poder realizar esses sonhos. Mas eu acho legal essa ideia de "Vamos realizar esse projeto? Vamos!", sem ir muito longe, sabe?!

Passo por passo, projeto por projeto, sonho por sonho.

4. O grafiteiro Apolo Torres vai dar sua colaboração para o Natal Invisível em forma de arte, fazendo uma releitura da Santa Ceia com a situação de rua da cidade. Qual é a ideia por trás dessa escolha? E se outras pessoas também quiserem contribuir de formas não monetárias para que o projeto aconteça, tem como?

A decisão da releitura da Santa Ceia foi livre do artista, mas a escolha pelo Apollo foi por conta da amizade do Gabriel com ele. O mural onde será feita a arte foi ele quem escolheu, porque ele já tinha um grafite lá. Fica perto do Carandiru, no parque.

Mas eu acho que a Santa Ceia é algo simbólico, sabe. Esse ato de sentar à mesa, na correria se São Paulo, a gente faz pouco; mas no Natal nós fazemos.

Você quase nunca faz, mas quando faz você pode escolher entre sentar com os caras mais poderosos ou sentar com a classe mais excluída, com as pessoas em situação de rua. A Santa Ceia eu acho que é algo que representa isso: o cara escolheu se sentar à mesa, que é um símbolo especial, com as pessoas excluídas.

Hoje, pra realizar o evento, a gente precisa do catarse, do dinheiro. Depois que for realizado, acredito que as pessoas vão poder ajudar nessa distribuição das refeições. Mas eu gosto de enfatizar que a gente precisa bater a meta do catarse, senão nem o evento acontecerá.

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Você pode ajudar a tornar a ceia de Natal de 1.000 pessoas em situação de rua mais gostosa!

Se quiser contribuir com o Natal Invisível é só dar uma olhada aqui no catarse e doar o valor que for mais adequado para você. Com o dinheiro eles vão custear produção, estrutura da ceia, distribuição das marmitas, comida, bebida, equipe de cozinha, recompensas para quem fizer doações, correiros, documentário, taxas e confecção do mural do Apollo Torres. A meta precisa ser batida até o dia 15/12, próxima quinta-feira.

E se quiser conhecer melhor o trabalho do SP Invisível, grupo criado pelo Vinícius e responsável por essa ação, você pode acompanhar o e o Instagram deles.

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