Demi Lovato luta contra o estigma das doenças mentais e fala sobre encontrar a paz

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Crédito: Alexander Tamargo via Getty Images




Se tem uma coisa que a cantora e compositora Demi Lovato sabe fazer é expressar as emoções no palco, detalhando nas letras das músicas suas provações e vitórias sobre os distúrbios psicológicos.

Mas, em seu tempo livre, ela também usa a voz para promover a conscientização e aceitação dos transtornos mentais, falando publicamente sobre sua experiência como bipolar e dependência do álcool.

"Quero usar minha voz de outras maneiras além de cantar."

Agora, Demi está dando mais um passo nessa batalha. A cantora lançou recentemente a campanha Be Vocal, para incentivar pessoas que sofrem de doenças mentais a falar sobre suas experiências. O projeto é uma parceria com organizações de saúde mental conceituadas como The Jed Foundation e National Alliance on Mental Illness, que há muitos anos desenvolvem iniciativas contra o estigma.

O The Huffington Post conversou com Demi sobre seu novo projeto e o que ela quer transmitir sobre a questão da saúde mental.

The Huffington Post: O que a levou ao projeto Be Vocal?

Demi Lovato: Para mim foi incrível que as cinco maiores organizações de saúde mental tenham se unido para que isso acontecesse. O que me atraiu para esta campanha foi a oportunidade de poder fazer um PSA [sigla em inglês para anúncio de serviço público]. Podia ter certeza que [a mensagem sobre saúde mental] seria divulgada. Com os recursos da Be Vocal, realmente vai fazer diferença.

De fato, vejo que a questão das doenças mentais não é discutida como deveria ser.

Não é. Mas as pessoas querem; as pessoas precisam. As pessoas querem falar e aprender mais sobre o assunto porque as coisas estão aparecendo no noticiário. O que a Be Vocal faz é dar mais informações às pessoas. É importante que as pessoas falem sobre doenças mentais, em nome da comunidade, e também por si mesmas.

Você poderia falar um pouco sobre sua própria experiência com distúrbios psicológicos? Por que decidiu falar publicamente sobre isso?

Falar sobre minha doença mental era realmente difícil no começo, porque na verdade eu não tinha escolha. Infelizmente, quando você está exposto ao público, todo mundo sabe de seus segredos, quer você goste ou não. Eu poderia ter dito: “Sim, estive em tratamento, mas não vou falar sobre isso”. Mas senti que poderia fazer diferença. Pensei ser minha responsabilidade e minha proposta falar sobre as coisas que acredito e pelas quais estava passando, porque quero usar minha voz de outras maneiras além de cantar.


Muito agradecida por esses dois homens que também ajudaram para que isso acontecesse... Obrigada por continuamente cuidarem de mim como artista, mas, acima de tudo, como pessoa. Que apoiam não apenas minha música, mas a sobriedade, e que estavam na minha festa para comemorar meu primeiro ano sóbria. Isso significou muito para mim... Obrigada Bunt e Mio Vukovic. Amo vocês.

O que gostaria que as pessoas entendessem mais sobre saúde mental?

Há várias coisas. Em relação ao vício, há vezes em que as pessoas pensam: “por que essa pessoa simplesmente não para de beber?” ou “por que essa pessoa não come alguma coisa?”, no caso das que têm distúrbios alimentares. Não é simples. Se fosse, não haveria tantas pessoas lutando contra isso. Vidas não seriam perdidas. Gostaria que as pessoas entendessem que o cérebro é o órgão mais importante do corpo. Só porque você não vê [a doença mental] como poderia ver um osso quebrado, não significa que não seja prejudicial e devastadora para uma família ou um indivíduo.

É algo que muitas pessoas não se dão conta. Na verdade, falamos muito sobre o que aconteceria se as pessoas começassem a tratar doenças físicas como tratam as doenças mentais.

Sabe, é engraçado. Continuo ouvindo os termos “doença mental” e “doença física”. Mas, na realidade, seu cérebro é um órgão. Então é uma doença física.

Vamos falar um pouco sobre o estigma dos transtornos mentais. Como pessoas que sofrem esses distúrbios podem lutar contra os estereótipos?

É muito triste. Acredito que quanto mais as pessoas expressarem o que estão passando — sua experiência ou simplesmente se educando para que aprendam mais sobre o que estão falando —, será a chave para criar um debate sobre doenças mentais e torná-las mais compreensíveis. Existe uma falta de compaixão por pessoas que sofrem doenças mentais e elas são muito julgadas. Uma vez que você consiga que as pessoas percebam que qualquer um pode sofrer uma doença mental — e não é culpa de ninguém —, então acho que entenderão mais sobre o que realmente é uma doença mental.

Que conselho você teria para adolescentes ou jovens adultos que possam estar sofrendo de ansiedade ou qualquer outro transtorno psicológico no período escolar?

Não me canso de enfatizar que exponham suas necessidades para um amplo sistema de apoio — seja a família ou mesmo uma comunidade online de pessoas que estejam passando pelo mesmo problema. É muito importante expressar o que você está passando, em vez de internalizar e deixar que isso se manifeste por meio de um comportamento doentio. Isso no final causa problemas para a vida inteira. É a coisa mais importante que você pode fazer. Fazer exercícios é outra maneira pela qual lido com minha ansiedade. Pintar, compor músicas e me expressar através da arte são outras formas pelas quais posso liberar emoções. Meditação é outra. Seja o que for, é importante encontrar o que funciona para você.


Crédito: Timothy Hiatt via Getty Images

Publicamos vários posts para a Stronger Together [iniciativa do HuffPost para a conscientização sobre doenças mentais] sobre o que é realmente sentir esses transtornos. Como você descreveria a sensação física que a ansiedade provoca?

Na verdade minha ansiedade chegava ao ponto de me sentir como se estivesse drogada. Eu acabei tendo problemas na tireoide, porque me sentia muito estressada e muito ansiosa. Lembro de uma vez ir ao hospital porque fisicamente sentia que estava drogada. Estava tendo um ataque de ansiedade.
No dia a dia, se me sinto ansiosa, apenas respiro fundo algumas vezes porque às vezes sinto que fico sem ar. Às vezes fico muito trêmula e dispersa. Conhece a síndrome das perna inquietas? É como a síndrome do corpo inquieto.

É assustador. Quando se sente assim, quem é a primeira pessoa para a qual você liga quando precisa de apoio?

A primeira ligação que faço é para meu namorado [Wilmer Valderrama].

Ele te acalma?

Com certeza. Me acalma e me faz sentir muito melhor. Mas ter pessoas que são profissionais e não depender somente de uma pessoa é outra chave para manter uma recuperação saudável. Converso com meu terapeuta. Faço parte do AA [Alcoólicos Anônimos], então procuro meu mentor. Converso com pessoas ao meu redor, com colegas da minha equipe. Vocalizo muito o que preciso e são muito compreensivos. Sou muito agradecida por isso.

Esta entrevista foi editada e resumida.



Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.





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