Como se faz um pênis em uma pessoa com vagina

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Quando era criança, Gabriela* entrava no banho e fechava os olhos. “A fada madrinha com a varinha mágica vai me mudar”, pensava. Ao abrir os olhos, via que nada mudava. Foi aos cinco anos que ela percebeu que era diferente. Quando estava no prezinho, sua mãe comprou um vestido de estrelinhas para que vestisse na formatura. “Falei que não ia colocar e chorava, mas ela venceu pelo cansaço", conta. "Vesti e fiquei a formatura toda de cara fechada, não tem uma foto minha sorrindo. Depois disso, jurei pra ela que nunca mais colocaria um vestido na vida. E nunca mais coloquei.”

Gabriela foi criada como uma menina porque nasceu com uma vagina. Aos 18 anos, cansou de tentar fingir ser o que não era. Bateu de frente com família, cortou o cabelo e passou a usar roupas mais masculinas. Gabriela se percebeu David*, um homem transexual.

Pra quem pegou o bonde andando no debate sobre questões de gênero, uma breve explicação: pessoas transexuais são aquelas que não se identificam com o gênero ao qual foram designadas ao nascer. David foi designado mulher porque veio ao mundo com uma vagina, mas nunca se identificou com esse gênero. O conceito de identidade de gênero, vale ressaltar, é diferente de orientação sexual e do sexo. Gênero é uma construção social, enquanto orientação sexual remete àquilo pelo que nos atraímos e o sexo é o biológico, aquilo com o que nascemos entre as pernas — isso mesmo que vocês pensaram.

Hoje com 28 anos, David está na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer duas cirurgias: mastectomia (a retirada dos seios) e a transgenitalização (mudança de genitália). O Hospital das Clínicas (HC), da Universidade de São Paulo é um dos cinco centros no Brasil que fazem o processo transexualizador, além do Hospital das Clinicas da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife. De acordo com informações do Ministério da Saúde, já foram feitas 6.724 procedimentos ambulatoriais e 243 procedimentos cirúrgicos nos serviços habilitados para o processo transexualizador do SUS. A idade mínima para o processo é de 18 anos; para a cirurgia, 21.

David se assumiu há 10 anos, mas está em terapia há dois no HC. Ele conta que descobriu o que era a transexualidade depois de ver na TV o João Nery, considerado o primeiro homem trans do Brasil. David espera fazer sua operação em 2017. A fila de cirurgia para os homens trans anda bem mais rápido do que a fila para as mulheres — a média de espera delas é de uns 10 anos. O grupo de terapia de David tem 15 pessoas; apenas quatro são homens transexuais. A busca pela cirurgia de redesignação sexual entre os homens transexuais é menor. De acordo com dados do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), a incidência de homens trans é bem menor do que a de mulheres trans: existe uma mulher trans a cada 30 mil pessoas e um homem trans a cada 100 mil.

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