Estresse: não deixe explodir

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A bateria do celular acabou durante a noite e o despertador não tocou, você já levanta atrasado e, obviamente, é dia de reunião importante no trabalho. Pega as chaves do carro e depara com o trânsito praticamente parado. Quando finalmente consegue chegar ao escritório, é bombardea­do por prazos apertados, cortes de custos, muitas atribuições e cobranças. Em casa não é diferente. Se esse cenário lhe é familiar, provavelmente você já sentiu ao menos um sintoma de estresse. Você e mais 70% da população brasileira economicamente ativa, de acordo com uma pesquisa realizada pela Isma-BR (International Stress Management Association).

Nós estamos acostumados a considerar o estresse algo ruim – e realmente pode ser. Sua forma crônica é fator de risco para inúmeras doenças – alguns especialistas dizem que para todas elas. Mas esse mal-estar moderno também pode ser bom. É ele que nos ajuda a sobreviver em um mundo tão instável, que nos alerta sobre situações perigosas ou ruins e dá o sinal de emergência quando esses cenários se repetem no futuro. Portanto, a solução não está em eliminá-lo, e sim em viver de forma equilibrada com ele. A tarefa não é simples, sabemos, mas algumas mudanças de rotina podem ajudar.

É estress?
Existem duas dificuldades em identificá-lo: a primeira é a percepção atual de que ser estressado é “cool”. “As pessoas pensam que estar estressado significa ser muito solicitado, indispensável”, aponta Ana Maria Rossi, doutora em psicologia clínica e presidente da Isma-BR. A segunda é seu caráter subjetivo. “O que me deixa muito irritada pode não afetar outra pessoa”, explica a dra. Marine Meyer Trinca, psicóloga de medicina preventiva do Hospital Albert Einstein. Os gatilhos variam, mas os sintomas se repetem. A pesquisa da Isma-BR, feita com 1,9 mil homens brasileiros entre 23 e 58 anos, detectou alguns incômodos comuns aos acometidos por esse mal.

Estresse (Foto: Ilustração)

O que aciona o gatilho do seu estresse?
Por que, afinal, é tão difícil não ser estressado atualmente? “O estresse é o resumo de um estado de mal-estar atual. Nós vivemos com pressa e mesmo assim não conseguimos resolver tudo, então temos a constante sensação de estar devendo alguma coisa. E os fatores estressores são muitos”, explica a dra. Marine. De acordo com a psicóloga, os estressores externos são velhos conhecidos nossos: trânsito, falta de dinheiro, problemas no trabalho, dificuldades no casamento.

No estudo realizado pela Isma-BR, 72% dos entrevistados afirmaram estar insatisfeitos com o trabalho, 69% consideram o estresse profissional o mais grave de todos, seguidos pelos 31% que culpam outros fatores externos – problemas familiares, sociais, financeiros – como os mais graves. Já os estressores internos têm a ver com a personalidade de cada um. “Existem pessoas que conseguem lidar melhor com os contratempos, outras são extremamente agressivas, perfeccionistas, apressadas, nervosas”, diz a psicóloga.

Psiquiatras da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, listaram alguns dos eventos cotidianos com maior potencial estressor, contabilizados de 0 a 100 (sendo 0 o de menor potencial estressor e 100 o de maior carga geradora de estresse):

100 Morte do cônjuge
73 Divórcio
63 Prisão
63 Morte de um parente querido
50 Casamento
47 Demissão
45 Aposentadoria
45 Reconciliação conjugal
40 Gravidez
28 Grandes conquistas pessoais
23 Problemas com o chefe
13 Férias


O que acontece com seu corpo sob pressão

Estresse (Foto: GQ Brasil)

Estresse (Foto: GQ Brasil)

Como resolver


Meditação
“Quando está em estado de estresse, a mente fica agitada e não funciona claramente, torna-se incapaz de discernir a relevância de cada evento”, diz Rubens de Aguiar Maciel, psicólogo, doutor pela Faculdade de Saúde Pública da USP e pesquisador do uso de técnicas meditativas na saúde mental. “Quando entra no estado meditativo, a mente se aquieta, os pensamentos compulsivos diminuem e é possível avaliar as situações.” A meditação também atua no nível físico do estresse, já que reduz os batimentos cardíacos, controla o fluxo respiratório, fortalece o sistema imunológico e regula o sistema nervoso.


Mudanças no estilo de vida
Dieta equilibrada, atividade física e abandono da vida de abusos, é essa lista de afazeres que você deve seguir caso queira ser menos afetado pelo estresse. “Pessoas que prezam a qualidade de vida têm melhor capacidade física para suportar as adversidades e não cair doentes”, diz a dra. Marine. Do ponto de vista emocional, elas também levam vantagem. “Quem tem autoestima elevada, que se sente sob controle da sua própria vida e das decisões, que interpreta obstáculos como desafios e não se deixa amedrontar, gerencia melhor o estresse”, diz a dra. Ana Maria.


Psicologia do dia a dia
Separe alguns momentos do dia para fazer uma avaliação detalhada da sua vida. “Tente reconhecer os sintomas que andam afetando você, identifique quais são os gatilhos do estresse na sua vida, e pense em como eles poderiam interferir menos no seu dia a dia. Lembre-se de que o importante é focar-se na solução e não no problema. Por fim, aceite que algumas situações não podem ser mudadas, portanto trabalhe sua flexibilidade e avalie quanto desse problema é real e quanto você está supervalorizando. Sofra apenas o necessário e não leve tudo para o lado pessoal”, ensina a dra. Marine.


Resultado
Se você pensa que o ônus de uma vida estressada está apenas no nervosismo que você sente, saiba que junto com ele uma avalanche de reações físicas afeta negativamente seu corpo.

Estresse (Foto: GQ Brasil)

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