Thiago Decano, o brasileiro que ganhou R$ 1,7 milhão no mundial de poker

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Conheça a história deste paulistano de 36 anos, que conquistou no domingo uma etapa da WSOP, em Las Vegas, após superar 988 adversários.

Hugo Dourado/Pokerdoc

Decano na final do torneio (foto de Hugo Dourado/Pokerdoc)

Os melhores jogadores de poker do mundo se reúnem todo ano, em Las Vegas, para a World Series of Poker (WSOP), o mundial das cartas. O campeão de cada evento (serão 68 em 2015) ganha um bracelete que, no mundo do poker, é o equivalente a uma medalha de ouro para os atletas olímpicos.

Pela terceira vez na história do torneio, criado em 1970, um bracelete foi entregue ao som do hino brasileiro.

Quem esperava no pódio para recebê-lo era Thiago “Decano” Nishijima.

Ele conquistou no domingo o evento #38 da WSOP, que contou com 989 jogadores e cuja inscrição era de US$ 3 000. Seu prêmio? Cerca de R$ 1,7 milhão.

“Foram 8 anos jogando a WSOP até chegar aqui”, ele disse depois numa entrevista ao Pokerdoc. “É um sonho. Ganhar o bracelete é como ganhar um Oscar.”

O título é uma coroação para a vitoriosa carreira de Decano.

Um dos melhores jogadores do país, ele já teve 16 premiações na WSOP antes do domingo, inclusive chegando a duas mesas finais.

Decano acumula na carreira, agora, R$ 5 milhões de premiação em torneios ao vivo, a segunda melhor marca do país.

Ele se junta a Alexandre Gomes (2008) e André Akkari (2011) como os únicos brasileiros a conquistar um bracelete da WSOP.

O INÍCIO DA CARREIRA

Hugo Dourado/Pokerdoc

Com seu bracelete (foto de Hugo Dourado/Pokerdoc)

A jornada de Decano no poker se iniciou em 2006.

Foi uma paixão à primeira vista. Em pouco tempo ele já estava decido a largar a faculdade de Direito no último semestre (além do trabalho no banco) para se dedicar ao jogo.

“Larguei porque preferi perder quatro anos e meio de faculdade do que aqueles seis meses de poker”, conta numa entrevista à CardPlayer Brasil.

Ele tinha 28 anos na época e garante que fez tudo de uma maneira pensada.

“Eu não largaria uma carreira sólida se não tivesse certeza de que iria dar certo”, diz.

“Trabalhei de modo a minimizar os riscos, especialmente com relação à administração de bankroll. Sempre quis fazer as coisas com os pés no chão. Eu não era um moleque e sabia que não poderia dar margem a muitos erros. E até hoje sou assim.”

Depois de deixar o banco, trocou São Paulo por Balneário Camboriú.

“Posso trabalhar onde quiser, o poker permite isso”, diz.

Afinal, os jogadores profissionais passam a maior parte do tempo no poker online, com viagens esporádicas para os torneios ao vivo.

Nas mesas virtuais, os resultados de Decano impressionam: são quase R$ 15 milhões de premiação na carreira, segundo o site de estatísticas PocketFives,

(Um parêntese, não confunda “premiação” com “lucro”, pois os jogadores também gastam uma cifra alta para se inscrever nos torneios, seja ao vivo ou online.)

O TÍTULO NA WSOP

Hugo Dourado/Pokerdoc

A farra da torcida após o título (foto de Hugo Dourado/Pokerdoc)

A torcida brasileira é famosa na WSOP por sua animação.

Sempre que algum atleta daqui chega à final de um torneio, o salão vira quase um estádio de futebol.

“Mais importante do que o bracelete, foi a demonstração de carinho que o pessoal teve comigo”, disse Decano. “Essa torcida, essa energia que vem do Brasil, isso não tem preço. É algo que vou guardar para o resto da minha vida.”

A CardPlayer contou em seu site os highlights da trajetória:

Um fato curioso marcou a jornada de Decano no Evento 38. Por conta de um erro, a organização da série divulgou que o brasuca encerrou o Dia 1 com apenas 2 bbs, quando na realidade ele tinha 84.000 fichas, cerca de 84 bbs. Com o stack correto, o paulista conseguiu avançar para o Dia 3 na décima posição entre os 48 sobreviventes.

Decano viveu fortes emoções durante todo o Dia 3. Após um bom começo, o brasileiro encontrou dificuldades nos blinds finais. A uma eliminação da mesa final, ele conseguiu dobrar o seu stack duas vezes. Segurando par de damas, Decano fugiu da queda contra o A♦Q♥, de Steve Brecher. Em seguida, agora com par de ases, o jogador arrancou 900.000 fichas de Jesse Sylvia, que tinha J♠J♣.

Já dono de um stack bem confortável, Decano passou a infernizar os seus oponentes, que “assistiram de camarote” o paulista dominar a mesa até o encerramento do Dia 3, às 7h (horário de Brasília) deste domingo. Com o maior stack do field, o brasuca teria 45 bbs para eliminar os seus últimos quatro oponentes.

No 5-Handed, Decano derrubou Sam Razavi e Jesse Sylvia para chegar ao heads-up com 65% das fichas em jogo. Apesar da insistência do grego Sotirios Koutoupas, o bracelete mais uma vez veio para o Brasil. Veja como o confronto foi encerrado:

Nos blinds 100.000/200.000, do big blind, Koutoupas anuncia all-in. Decano aplica o call e revela A♥9♦. O grego segura A♠5♦. O bordo 4♦4♠2♠6♦4♥ decreta o fim da participação de Koutoupas.

Se o futebol não anda trazendo muita alegria aos brasileiros, pelo menos no poker estamos bem representados. Obrigado, Decano.

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