Chevrolet Corvette Z06, um mergulho nas raízes

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Editora Globo (Foto: Editora Globo)

Junior Johnson tem seguidores que precisam mantê-lo correndo pela madrugada como um demônio. Ele é um dos últimos daqueles astros do esporte que não são só um ás no jogo, mas um herói com quem um povo inteiro consegue se identificar.”


Em seu célebre artigo de revista de 1965, a prosa veloz, eterna e acrobática de Tom Wolfe revelou o encanto da nascente cena das corridas de Stock Car nos Estados Unidos. Homens como Johnson, quase sempre pilotando seus Fords e Chevrolets modificados, haviam sido entregadores ilegais de bebidas durante a Lei Seca. Suas habilidades, mais tarde, os levaram até a Nascar.


Os muscle cars americanos têm raízes nessa enigmática herança cultural. Enquanto intrusos europeus como Ferrari, Jaguar e Porsche cortejavam os príncipes de Hollywood, o homem comum americano – que logo seria celebrado por Bruce Springsteen – sujava as mãos com o Buick Riviera, Chevy Camaro SS, Dodge Charger, Ford Mustang e Pontiac GTO. Supercarros tecnicamente crus, mas velozes, divertidos, fáceis de consertar e, acima de tudo, acessíveis.
Mas o Chevrolet Corvette era diferente. Teve início em 1953 como carro esportivo que misturava floreios de estilo fálico com as influências da era do jato, comuns à época. Quando finalmente se transformou no Corvette Stingray uma década depois, a festa então pôde começar. Cada “Vette” espelhava de forma precisa o estilo de vida americano, tornando o modelo um clássico.

relates to Cars story on the Chevrolet Corvette Z06 (Foto: Editora Globo)

Agora este ídolo americano, hoje desafiado por vários novos concorrentes, mergulha em suas raízes para se manter um clássico. O Z06, sua mais recente versão, está tão idiomaticamente incrível que ameaça a todos indistintamente. Olhe além do capô longo/rabo curto e irá perceber muitos detalhes aerodinâmicos matizados. Na verdade, uma coisa que o Corvette fez de modo brilhante durante anos é provar seu ímpeto em eventos de resistência brutal como as 24 horas de Le Mans. E o Z06 não foge à regra.

Editora Globo (Foto: Editora Globo)

Para esse fim, ele vem com opções bem especiais: um pacote “nível 2” adiciona um difusor frontal com placas finais e uma asa traseira. Mas, se você for para o “nível 3”, terá uma configuração aerodinâmica ainda mais parruda, com pneus semi-slick Michelin New Pilot Super Sport Cup, freios de carbono e cerâmica da Brembo e um spoiler traseiro bastante hábil. Essa versão foi batizada de Z07, sugerindo uma confiança que beira a arrogância.


Testamos essa fera em um dos circuitos mais notórios dos Estados Uniodos, o Road Atlanta, na Georgia – um alarmante misto de cumes cegos, curvas em “S” em declive e uma reta plana.
Mas o Z07 é um carro fenomenal. Seu chassi é uma estrutura suspensa de alumínio hidroformado, o que o torna rígido e ao mesmo tempo leve. No centro, fica o motor V8 de 6.2 litros supercharged. Um conjunto que produz 650 bhp e torque de 90 kgfm, números que fariam Junior Johnson engasgar com sua bebida. Disponível com câmbio manual e automático.

Editora Globo (Foto: Editora Globo)

O Z07 é indiscutivelmente um dos carros mais loucos, vistosos e incríveis que já guiei. Qualquer coisa que consiga atingir 96 km/h em menos de 3 segundos e chegar a uma velocidade final superior a 320 km/h é automaticamente membro de um clube de elite. Além da força, a eletrônica é outro destaque dos modelos. Um seletor de modo de direção oferece cinco configurações que monitoram 12 variáveis, incluindo abertura de acelerador, suspensão e o diferencial eletrônico.

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Ou seja, é programado para restringir seu entusiasmo, ou preencher o vácuo do talento. Na pista, isso significa que é possível tomar liberdades quase diabólicas com todos aqueles 650 cv. Coloque no modo “track”, e haverá cinco níveis de redução de torque e estabilidade de freio. O carro foi tão habilmente configurado que mesmo pilotos de corrida não reclamam disso.

E na estrada propriamente dita? Muito obediente. Aquele poderoso V8 foi feito para manejar a estrada em quatro de seus oito cilindros, o virabrequim girando preguiçosamente enquanto você surfa o Sirius XM à procura de uma boa trilha sonora. É tão bom que qualquer música funciona aqui.

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