Cary Fukunaga, nome por trás do sucesso da série 'True Detective'

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Cary Fukunaga, diretor de 'True Detective' (Foto: JAMES RYANG )

Cary Fukunaga é provavelmente um dos cineastas mais ocupados atualmente. Não apenas pela agenda social em que constam aparições em eventos como o mais recente baile do MET - vestindo um terno Dolce & Gabbana –, o desfile Paris-Salzburg da Chanel, em Nova York, e painéis nos festivais de Sundance e Tribeca deste ano, mas por uma série de projetos ambiciosos que incluem uma ópera em parceria com Owen Pallett, a nova série da TNT The Alienist, um drama escrito pelos roteiristas de O Segredo de Brokeback Mountain, uma nova adaptação do clássico de Stephen King, It – A Coisa, prestes a ser filmada, e Beasts of No Nation, filme que fez a Netflix desembolsar US$ 12 milhões pelos direitos de distribuição, um verdadeiro marco em Hollywood.


Em sua breve carreira em macia ascensão, Fukunaga, 37, foi celebrado pela diversidade e candura de seus trabalhos, desde a estreia no thriller mexicano Sin Nombre, seguido por uma exuberante adaptação do romance Jane Eyre para o cinema, alguns trabalhos em publicidade e um poético fashion film para a Maiyet. “Tentar coisas novas funciona como propulsão de adrenalina para mim. Devo seguir trabalhando assim até que precise de mais estabilidade em minha vida”, explica em entrevista à GQ Brasil durante breve passagem pelo Rio de Janeiro no começo deste ano. “Não estou interessado em me repetir vez após vez apenas para dominar algo. O medo de falhar é essencial”.

Embora altamente elogiados, até o ano passado nenhum de seus filmes havia atraído tanta atenção quanto seu primeiro trabalho na televisão: a brilhante primeira temporada da série True Detective, da HBO, com Woody Harrelson e Matthew McConaughey, que chega neste mês à sua segunda temporada em novo ciclo de diretores e atores, contando agora com Colin Farrell, Taylor Kitsch e Rachel McAdams e Fukunaga apenas como produtor executivo. Sua direção elegante e elétrica na série – quem pode esquecer a perseguição de seis minutos rodada sem cortes? -, o garantiu um merecido Emmy de melhor direção em 2014. Prêmio que foi ofuscado pelo penteado que usou na premiação, uma trança que causou frenesi entre entusiastas da moda, trendcasters de plantão e garotas encantadas pela aparência viril e misteriosa do rapaz de ascendência japonesa e sueca. Bem-humorado, ele ri do ocorrido – bem alto-, e diz que tranças não são nada mais do que um penteado funcional. “Mas acabei parando de usar [risos]. Eu não gosto muito de ser centro de atenções”.

Cary Fukunaga no 66º Grammy Awards: penteado que chamou mais atenção que o prêmio (Foto: Getty Images)

Faz mesmo o tipo low-profile. De coque no topo da cabeça, jeans, camiseta e alpargatas – e um belo par de óculos Warby Parker, Cary, a quem muitos se referem como futuro vencedor do Oscar, é muito eloquente e bem-humorado. Durante a entrevista, anota dicas de marcas de meias, suas peças de vestimenta favoritas, filosofa sobre aspectos da moral e conta sobre as agruras da filmagem de seu novo longa, com previsão de lançamento para o próximo semestre. “Eu achei que os 100 dias rodando True Detective me ajudariam a ser mais resistente, mas este projeto foi infinitamente mais complicado, mesmo sendo filmado em 35 dias”, diz sobre Beasts of No Nation, rodado na África e atualmente em fase de finalização.

Dissidente, o californiano faz os chefões cederem à sua visão e não o contrário, mas, como é com qualquer feito criativo, ainda assim tem jogo de cintura e aposta no instinto para lidar com as circunstâncias. Um dos motivos de sua visita ao Rio, inclusive, foi para refazer uma cena de explosão que não deu certo anteriormente em Gana, aproveitando que seu diretor de fotografia, Adriano Goldman, mora logo ali, no Leblon. “Quando seus recursos e tempo não estão no mesmo lugar em que a ambição de um projeto, isso acaba caindo nas costas de quem realmente se importa em fazer dar certo. É definitivamente um jeito muito cansativo e difícil de fazer filmes, mas também mais apaixonado e motivado”.

Cary Fukunaga: low-profile no Tribeca Talks (Foto: Getty Images)

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