Professores transmidiáticos: mensagens, veículos e canais

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Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado numa virtude e num dever público (…). Zygmunt Bauman, Modernidade líquida

Inegavelmente, em um contexto disruptivo, como o vivenciado pela educação mundial, o papel do professor está mudando. E todas as pesquisas apontam que a curadoria de conteúdos exigirá desse agente educacional a habilidade de ser transmidiático, reunindo três ferramentas: mensagens, veículos e canais. As mensagens (conteúdos) necessitam receber constantes tratamentos, pois, não passam somente pelo veiculo do livro didático como outrora. Os canais se multiplicaram.

Com o advento das formas híbridas de comunicação, o professor deve servir-se de metodologias ativas para acessar o imaginário caleidoscópico da Geração C (Coletivo Conectado), apregoada por Dan Pankraz. Os veículos utilizados para a convergência com a mentalidade da geração do ciberespaço e da cibercultura, necessitam de um planejamento flexível, constante e contextualizado, focando a inteligência coletiva, a aprendizagem colaborativa, o processo significativo de apreensão dos conteúdos, além do desenvolvimento de competências e habilidades, por meio do uso das fronteiras móveis, e os estudantes multitarefas e transmidiáticos.

A sala de aula ampliou sua geografia. O local é global. Tais mutações convidam para uma revolução e, não muito distante nos tempos e espaços, exigirão de professores e instituições transformações consistentes no processo de avaliação e aferição de aprendizagem, por meio de exames, sejam internos e externos. As avaliações precisam mudar, permitindo a aplicabilidade do aparato tecnológico que faz parte da rotina do estudante nativo digital.

Os conselhos de classes precisam ser mais inteligentes, abordando as competências relacionais, socioemocionais e cognitivas, focando as múltiplas inteligências. Uma contradição é evidente: o processo dialógico, seja presencial, seja por meio de recursos midiáticos, deve ser a chave para as comunidades educativas e para o ofício docente.

Na sociedade da informação, o conhecimento deve ser apresentado com fluidez interativa, sem a visão linear e cartesiana, somente. O professor transmidiático é aquele que gere a sala de aula de maneira polifônica, convidando as vozes dos alunos, dos vídeos, das obras cinematográficas, portais, sites, plataformas, redes sociais e infográficos para auxiliar os materiais didáticos.

Para tanto, muitos professores imigrantes digitais devem acelerar sua travessia com formação continuada e pesquisa permanente no que tange às novas tecnologias e suas plataformas. A escola é palco e cenário de novas configurações sociais, exigindo dos gestores a acessibilidade para com o digital; pais, responsáveis, alunos e funcionários são autores de conteúdos e críticos, em tempo real, dos processos via redes sociais.

O gestor, estando aberto a novos formatos para a escola e assegurando valores fundamentais, atinge sucesso. O momento é de pensamento computacional. A partir da abertura e flexibilidade da gestão, os professores se sentem empoderados para tornar suas experiências docentes criativas em sinergia com o “novo mundo” que emergiu, nessa mudança de época e época de mudança.

Os professores transmidiáticos entendem a diferença dos ritmos de aprendizagem dos estudantes, que são diversos e plurais. Uns são analógicos; outros, digitais.

Novos paradigmas emergem, gestando novos paradoxos. Estamos aprendendo isso nas formações realizadas pelo Movimento Educação é o Alvo. Afinal, muitas escolas ainda são sólidas, enquanto sua clientela tem hábitos de modernidade líquida, como ¢diria Bauman.

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