Ariana Grande, Mac Miller e por que culpamos mulheres pelo abuso de drogas dos homens

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Antes de morrer de uma aparente overdose em 7 de setembro, disse a Ellen DeGeneres. “Se você sorri, eles dizem 'Ela está tão feliz!' E se você parece triste, eles dizem 'Ela está péssima'. É muito difícil – há muitas emoções diferentes – as pessoas ficam assistindo cada passo do caminho.”

Como Grande, Asia Argento foi culpada pelo suicídio de Anthony Bourdain, porque foi fotografada de mãos dadas com outro homem em Roma. Van Pelt disse a VICE que a tendência de culpar mulheres pela autodestruição de um homem é problemática. “O que isso diz sobre a nossa cultura?”, ela questiona. “Isso diz que as pessoas acreditam que as mulheres são mais fortes, mais autossuficientes, mais responsáveis como indivíduos que os homens? Os homens são o sexo frágil? Eles não são responsáveis por si mesmos? Eles não sabem cuidar de si mesmos?”

As vidas dos ricos e famosos fornece uma lente pela qual observar tendências maiores da sociedade, e a onda de mortes de celebridades por overdose nas notícias ultimamente espelha uma epidemia maior de opiáceos que atinge todo os EUA. Segundo o National Center on Health Statistics, overdose se tornou a principal causa de morte para americanos abaixo de 50 anos, e as celebridades não são imunes a isso. “O vício vai te matar não importa o que você faz para viver”, diz Howard Samuels, terapeuta especializado em vício que trabalha com celebridades.

Ele acrescenta que superar o vício raramente é um processo linear. “Tenho muitas pessoas no meu consultório, sejam muito famosas ou não, que estão em recuperação mas aí têm uma recaída”, diz Samuels. “O problema com recaídas é que há uma boa chance de você morrer, e foi isso que aconteceu no caso de Miller. Nos últimos anos, nunca vi tantas pessoas morrerem por vício, em meus 25 anos de carreira. Nunca.”

Samuel culpa heroína cortada com fentanil, um opiáceo extremamente poderoso, pela epidemia mortal. Ele tem certeza que fama não causa vício, dizendo que a maioria dos seus pacientes são predispostos geneticamente a abusar de drogas e álcool. “Todo mundo trata celebridades como se eles fossem uma raça alienígena, que eles caem numa categoria especial com drogas e álcool, o que não é verdade”, ele explica. Mas ele admite que ser uma celebridade pode exacerbar a luta para ficar sóbrio.

Ele cita questões de confidencialidade, especialmente se um paciente famoso compartilha detalhes pessoais numa sessão de terapia em grupo. Mas mais insidioso é o risco de viciados em recuperação se sentirem tentados a usar drogas de novo por pessoas de seu círculo interno. “Se você sabe que uma pessoa famosa está usando, um jeito de entrar nesse círculo é com uma carreira de cocaína, ou seja lá que droga uma celebridade escolhe usar”, ele diz.

Os problemas destacados pela saga Ariana Grande-Mac Miller são numerosos e complexos. Mas Wanis argumenta que uma mudança na cultura começa com os fãs, que não podem adivinhar como Miller estava se sentindo antes de morrer. “A linha aqui é que temos que parar de culpar outras pessoas pelas escolhas de um indivíduo. Se Mac Miller se voltou para drogas e álcool, não é porque Ariana Grande partiu o coração dele. As pessoas não criam seus problemas. Elas desencadeiam seus problemas. E essa é uma grande diferença”, diz Wanis. Ele aponta que depois da separação deles, Miller desejou felicidade a Grande e assumiu responsabilidade pelas consequências de seu uso de drogas.

“Esse é um momento para os fãs de Mac Miller deixarem algo claro em suas vidas: Pelo que sou responsável?”, diz Wanis. “Sempre culpo coisas fora de mim, ou aceito a responsabilidade por tudo que acontece na minha vida? Você não determina o que vai necessariamente acontecer com você, mas determina, 100%, sua reação e sua resposta. Tudo que Ariana Grande pode dizer é 'OK, não sou responsável. Fiz o melhor que pude' e seguir em frente. É uma questão de compaixão consigo mesmo.”

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