Análise | Narcosis possui boas ideias de mecânicas, e só isso mesmo…

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As mecânicas de Narcosis são muito bem pensadas, mas falha nos aspectos restantes!

Imagine você no fundo do oceano pacífico, lutando pela sobrevivência e investigando a sombria história de uma organização… este é Narcosis. A premissa do jogo certamente deve ter chamado a atenção, assim como chamou minha atenção. Para os amantes de jogos de suspense, a ideia faz olhos brilharem. Todavia, o jogo foge do clássico “mansão assombrada” em uma noite chuvosa. No entanto, infelizmente o jogo pode não corresponder com suas expectativas altas.

Com grande potencial, Narcosis falha em muitos aspectos com exceção a mecânica, especificamente sua principal e mais atrativa mecânica.

Ao estilo “Aniquilação”

Como citei no subtítulo, a forma de narrativa do game é semelhante ao que temos em filmes como o “Aniquilação“, da Netflix. Vivemos uma história relatada pelo protagonista em uma interrogação sobre o que aconteceu. Em um resumo sem spoiler da trama, você é um mergulhador industrial que fica preso no fundo do oceano pacífico, e você se vê na missão de tentar voltar a superfície, assim procurando por possibilidades dentro de uma organização de pesquisas abaixo do oceano. Logicamente as coisas não estão como deveriam estar, e com isso, entra a parte sombria do game. Ao longo do jogo nós encontramos corpos de ex-funcionários da organização, você pode coletar os chips de identificação deles para obter informações sobre aquela pessoa.

Os relatos do protagonista são narrados com o gameplay. Cada área nova ou algo descoberto, acontece o diálogo sobre o que ele pensava. O maior problema é que meio de tantos mistérios, acontece muitas frases filosóficas sobre a situação. Contrastando a atmosfera do jogo com este estilo de diálogo, as coisas acabam não ficando muito legais. Faltando tantas informações sobre o que está acontecendo, a última coisa que o jogador vai querer é refletir as frases do protagonista.

Some ambas formas de narrativa e temos uma história desinteressante e que a maioria pode acabar achando chato.

Sob pressão o tempo todo, a imersão é o maior destaque!

O maior diferencial do título é sua mecânica de oxigênio no traje especial. Ver de segundo a segundo a porcentagem de oxigênio cair é desesperador a ponto de quando estiver em apenas 60%, você já está louco por um recarregamento. Apesar de não ter sido morto em nenhum momento da minha experiência por este aspecto, o desespero é garantido. Algo muito legal que faz parte desta mecânica é o fato do protagonista respirar de forma mais frequente e profunda quando vê algo “assustador”. Corpos e coisas bizarras de sua imaginação faz com que ele entre em desespero. Consequentemente isso faz com que o oxigênio diminua mais rápido, forçando você a sair daquele local o mais rápido possível.

A imersão ganha um extra com toda ambientação e efeitos sonoros, que por sinal são interessantes. Poderiam de longe ser muito melhores, mas o que se tem, é o suficiente para imergir o jogador a situação. O som abafado dá facilmente a sensação de você estar abaixo do oceano. Sobretudo a física do jogo ajuda bastante a imersão no gameplay, te dando a ideia do quão pesado é andar com o traje.

Apesar de toda ambientação ser relativamente detalhada, os gráficos acabam não sendo um ponto forte. Onde a escuridão domina, o jogo passa a sensação de bons gráficos. No entanto, basta um ponto de luz em alguma região do cenário e você percebe que as coisas não são como parecem.

Abaixa a cabeça que lá vem o peixe!

Além de uma grande ênfase na narrativa, o jogo traz algumas mecânicas de combate. O game traz peixes como “adversários” para o jogador. Lulas e alguns peixes grandes te atacam, logicamente você não perde vida por estar atrás de um capacete. No entanto, o personagem fica desesperado e isso ocasiona um gasto maior de oxigênio. A principal ferramenta de “combate” contra estes peixes é sua pequena faca. Você pode dar um ataque antecipado ao do peixe, evitando que ele pegue você. Caso você seja atacado com sucesso, um QTE (Quick Time Event) surge para você se livrar. O tempo de ataque dos adversários fica previsível depois de um tempo jogando, sendo quase impossível do adversário conseguir te atacar com facilidade.

O protagonista também possui uma arma sinalizadora no traje. Você reabastece a munição em caixas de sinalizadores ou em unidades perdidas pelo mapa. Elas possuem múltiplas funções, servem para atrasar inimigos perigosos, atrai-los para outros locais e até mesmo clarear ambientes mais escuros.

Jumpscares que não condizem com o jogo

Nos primeiros minutos de jogo já é possível ver que o foco do título está na narrativa. O jogador passa maior tempo andando e ouvindo os relatos do protagonista no futuro. Certamente se o jogo seguisse apenas esta formula, teria sido bem melhor do que fizeram. De forma totalmente inesperada e sem condizer com a atmosfera, Narcosis coloca um jumpscare. São sustos totalmente fora de contexto e de forma amadora. Literalmente surge uma pessoa morta na sua frente, tomando a visão do player por inteiro e com um som alto. Isso provavelmente irá te fazer levar um susto, mas não há como negar que faz o jogo cair no seu conceito com sustos baratos.

Um foco maior no horror da trama faria muito mais sentido para o caminho que o jogo seguia, se comparado aos jumpscares. Devemos lembrar que Narcosis está disponível em RV (Realidade Virtual), portanto, os sustos estão ali para fazer a pessoa ter uma parada cardíaca.

Nada agrada, a não ser as mecânicas

Assim como já revelei no título, o maior trunfo do jogo é as mecânicas. A ideia do oxigênio e do personagem reagir a cenas “terríveis“, afetando o consumo é ótimo. A imersão desta mecânica com um cenário detalhado e efeitos sonoros que traz a sensação de estar submerso no oceano foi o que me deixou interessado – desde o trailer. Mas a história anda longe de ser algo muito sombrio, em soma com incansáveis caminhadas, jumpscares baratos, puzzles de soluções banais e combate fraco, eu te digo que esta experiência não vale a pena.

Levamos em torno de 4-5 horas para concluir o game. É um jogo bem curto, mas que dado a minha experiência, foi mais do que suficiente. O título está disponível para PC, Playstation 4, Xbox One e VR/RV.

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