30 anos de dados mostram que imigrantes não são um fardo econômico

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Nos últimos dois anos, a administração Trump sempre cita o fardo que imigrantes sem documentos colocam sobre a economia americana como justificativa para a política de “tolerância zero” nas fronteiras. Trump pessoalmente já chamou imigrantes latino-americanos de “animais” que querem “infestar” os EUA. Ele já se referiu repetidamente ao fluxo de refugiados fugindo da violência no Oriente Médio como um grande problema na Europa, o que é fake news, e como justificativa para a linha dura de sua administração com os imigrantes nos EUA.

Na segunda-feira, Trump tuitou sobre um “grande erro cometido por toda a Europa em permitir a entrada de milhões de pessoas que mudaram tão violentamente sua cultura!” Mas segundo uma nova pesquisa publicada hoje pela Science Advances, refugiados na Europa na verdade beneficiaram as economias dos países que os receberam.

A pesquisa foi conduzida numa parceria entre o Centro de Pesquisa Científica Nacional Francês, a Universidade Clermont-Auvergne e a Universidade Paris-Nanterre, e usa dados econômicos de 15 países do Oeste Europeu com o maior número de pessoas buscando asilo entre 1985 e 2015.

Durante os anos 90, o Oeste Europeu viu um grande aumento nos pedidos de asilo depois das guerras nos Bálcãs. Nos últimos sete anos houve outro aumento na Europa, com as pessoas fugindo da instabilidade em países afetados pela Primavera Árabe ou a guerra civil síria. Ao mesmo tempo, apontaram os pesquisadores, os fluxos de migrantes aumentaram enquanto a União Europeia se expandia para o leste em 2004.

Para ver o impacto de refugiados e migrantes em indicadores econômicos como Produto Interno Bruto per capita, desemprego e finanças públicas, os pesquisadores usaram um modelo estatístico desenvolvido pelo economista vencedor do Nobel Christopher Sims. Esse modelo deu aos pesquisadores uma imagem melhor de como refugiados afetam as economias nacionais comparando com outros modelos, que consideram o impacto econômico dos migrantes numa equação de input-output (ou seja, quanto é pago para eles pelo governo versus quanto eles pagam em impostos), mas não levam em conta outras interações econômicas capturadas pelo modelo de Sims.

Os pesquisadores descobriram que migrantes permanentes na verdade tiveram um impacto de rede positivo na economia dos países que os receberam. O PIB per capita tinha aumentado “significativamente” e as taxas de desemprego caíram. Além disso, os pesquisadores descobriram que “gastos públicos adicionais, o que geralmente é chamado de o 'fardo dos refugiados', é mais que compensado pelo aumento da renda de impostos”.

Refugiados também tiveram efeitos de rede positivos nas economias dos países que os receberam, mas isso demora mais para aparecer. Segundo a pesquisa, efeitos econômicos positivos similares aos dos migrantes para os refugiados são vistos de três a sete anos depois de sua chegada, o ponto onde alguns deles se tornam residentes permanentes dos países.

“Nossos resultados sugerem que a suposta crise de migração atual na Europa não vai provocar uma crise econômica, na verdade pode ser uma oportunidade econômica”, concluíram os pesquisadores. “Não negamos que grandes fluxos de refugiados na Europa apresentam muitos desafios políticos para os países que os recebem, e com respeito à coordenação europeia de políticas nacionais. No entanto, esses desafios políticos podem ser mais facilmente abordados se o clichê de que migração internacional está associado a fardo econômico for derrubado.”

Matéria originalmente publicada na VICE US.

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