Para metade dos brasileiros, novo presidente terá que abordar Previdência

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São Paulo – 49% dos brasileiros acham que o próximo presidente deve tratar da questão da Previdência enquanto 33% acham que o assunto não deve estar na agenda e 19% não tem opinião

Os resultados são de uma pesquisa da Ipsos para a Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) divulgada nesta terça-feira (12) em um fórum da Fenaprevi em São Paulo.

Foram ouvidas 1.200 pessoas em 72 municípios na primeira quinzena do mês de abril, e a margem de erro é de três pontos percentuais.

43% daqueles ouvidos acham que a reforma será necessária no futuro, próxima dos 38% que não veem necessidade de alterar o sistema.

“Os brasileiros continuam divididos sobre o tema. Mas na pesquisa anterior, de 18 meses atrás, quase ninguém tinha ouvido falar da reforma e hoje todo mundo tem uma opinião”, diz Edson Franco, presidente da Fenaprevi.

A visão de que uma reforma é necessária é mais alta na região Sul (58%) e mais baixa na região Norte (31%) e entre os homens (46%) do que entre as mulheres (40%).

Mais da metade dos brasileiros (51%) acreditam que o modelo brasileiro de Previdência ainda é sustentável por muitos anos, na contramão do diagnóstico da maior parte dos economistas.

21% não tem opinião formada e apenas 28% acreditam que o modelo não sobrevive por muitos mais anos.

“Isso é muito preocupante. Há uma clara conclusão de que as pessoas não entendem o tamanho e a importância do déficit”, diz Franco.

A Previdência consumiu 63% das receitas tributárias de 2017, ou 57% de todas as despesas primárias, e teve rombo recorde de 268,799 bilhões de reais em 2017, alta de 18,5% sobre o ano anterior.

Estes dados do governo somam o déficit dos sistemas urbano (R$ 71,709 bilhões) com o rural (R$ 110,740 bilhões) e o do regime próprio de servidores públicos e militares (R$ 86,349 bilhões).

Três quartos dos ouvidos apontam a corrupção, e não o modelo de sistema ou o envelhecimento da população, como o maior problema da Previdência no Brasil.

“A corrupção virou uma desculpa para tudo, também pelo momento que a reforma foi discutida. É um mito que precisa ser desconstruído”, diz Danilo Cersosimo, diretor da Ipsos.

A despesa com Previdência já supera 13% do PIB, mas a população com 65 anos ou mais é de apenas 8%. Países com mesmo nível de gasto costumam ter população idosa acima dos 14%.

“A gente tem o hábito de olhar para o Brasil como se fosse muito diferente dos outros países. Em Previdência realmente somos”, disse Marcos Lisboa, presidente do Insper, no painel de abertura do evento.

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