O In-Edit, festival de documentários de música, faz sua 10ª edição no Brasil

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Foi a crise econômica de 2008 que fez Marcelo Aliche trazer o festival espanhol de documentários sobre música In-Edit para o Brasil no ano seguinte, e é a crise generalizada atravessada pelo país que ocupa a cabeça do diretor artístico agora, quando ocorre a 10ª edição do evento por aqui.

Com financiamento limitado em relação à edições anteriores, o In-Edit começa nesta quarta, dia 6, e segue até o dia 17 em São Paulo, com 48 filmes que exploram desde a maneira como vive a família do GG Allin até o renascimento da indústria do vinil no Brasil.

“Se colocamos em perspectiva, desde a primeira edição até hoje, a nossa única preocupação foi sobrevivência. Neste ano o ProAC [edital de incentivo à cultura do estado de São Paulo] não abriu em março, então ficamos sem patrocinador fora o Sesc. Para completar, o Tribunal de Contas fez uma intervenção no Fundo Setorial da Ancine, então não sabemos quando vamos receber”, diz Marcelo.

Playlist curada pela organização e inspirada no filme Headbanger Voice - A história da Rock Brigade.

Mesmo com esse gostinho amargo, Marcelo se anima a falar da programação do festival. O principal impacto da grana curta é a diminuição do número de produções internacionais em exibição — serão 18 (quatro deles dirigidos pelo diretor franco-suíço Georges Gachot, homenageado deste ano), contra uma média de 30 em edições anteriores.

“A quantidade de filmes excelentes que ficam de fora é enorme”, conta Marcelo, que diz ter assistido mais de 150 títulos internacionais no passado. Passar a peneira para decidir o que vem significa equalizar, nas palavras do próprio diretor do In-Edit, entre produções que jogam luz sobre artistas mais populares com iniciativas que propõe um viés inovador sobre como contar uma história. “O In-Edit mistura um caráter de fã service com festival de cinema mesmo, que se propõe a explorar a linguagem do meio.”

Para exemplificar a dicotomia, ele cita dois exemplos. If I Leave Here Tomorrow: A Film About Lynyrd Skynyrd é um documentário mais quadrado, recheado de imagens de arquivo e depoimentos tradicionais. No entanto, resgata a história da banda do sul dos Estados Unidos depois que um acidente de avião matou metade dos músicos e equipe de apoio — inclusive com entrevistas de sobreviventes da queda.

“Já o The Man Behind the Microphone é mais inventivo. A diretora Claire Belhassine um dia pegou um táxi em Paris, ouviu uma música muito bonita e perguntou para o motorista quem cantava. Ele respondeu Hedi Jouini, o nome do avô dela. Então ela vai investigar como não sabia que seu avô era um dos maiores cantores da Tunísia. É um filme belíssimo”, explica Marcelo.

Mas se o contexto deu uma encurtada no programa internacional, o mesmo não pode ser dito das produções brasileiras — ainda bem. “Temos um número acima da média de longas, são 21, e a qualidade continua a melhorar ao longo dos anos”, diz Marcelo.

Dois imperdíveis? Meu Tio e o Joelho de Porco, em que o diretor Rafael Terpins conta sua relação com o tio, Tico Terpins do Joelho de Porco, além da história do banda cult paulista; e Som, Sol & Surf - Saquarema, imagens perdidas há 40 anos de um festival que juntou Angela Ro Ro, Raul Seixas e Rita Lee na praia carioca.

O In-Edit vai até o dia 17 de junho. A programação completa pode ser vista aqui.

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