Facebook foi crucial para limpeza étnica do século XXI em Myanmar

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Khaleda Begum tem flashbacks. Às vezes a cabeça lhe trai e ela revive o assassinato dos seus pais. Conta que os soldados birmaneses convocaram todo o povoado, os homens e as mulheres. Os moradores achavam que iam a uma reunião comunitária, mas começaram a matá-los. A tiros. A golpes de facão. Os soldados subiam nas árvores para disparar. Era por volta de meio-dia. Os militares acusavam os aldeões de esconderem insurgentes. “Não sei nada sobre eles”, insistia e insiste ela. Khaleda sobreviveu. E fugiu. Esta rohingya atualmente recebe tratamento psicológico em um campo de refugiados de Bangladesh. A violência extrema desatada a partir de agosto pelos militares, com a colaboração de turbas budistas inflamadas por monges xenófobos através do Facebook, representa o apogeu de um sistemático processo de perseguição dessa minoria muçulmana que começou nos anos setenta.

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