Coisas inúteis que millennials compraram

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Comprar por impulso não é nenhuma novidade, mesmo no momento de crise econômica em que estamos. Apesar de especialistas orientarem para que todos os gastos sejam planejados e, antecipadamente, colocados na ponta do lápis, as facilidades de pagamento, aliadas à emoção do momento, proporcionam a compra de objetos que, geralmente, jamais estariam em nossas casas ou em nós.

A VICE ouviu sete jovens de São Paulo que compraram objetos que nunca, ou quase nunca, foram usados – mas que ocupam, inutilmente, espaço em suas casas e vidas.

Foto: Larissa Zaidan/ VICE

Leonardo, 22

VICE: Rapaz... explique o que é esta embalagem que está segurando.
Leonardo: São adesivos para ralo de banheiro.

E para que servem?
Você coloca no ralo do box para ele não entupir com cabelos e pelos que caem durante o banho.

Você comprou eles por este motivo então...
Sabe aquela história da vida de adulto? Você vai até uma loja de utilidades que não são úteis... Sou muito observador e, durante minha caminhada, me deparei com os adesivos. Como o ralo já tinha entupido uma vez, resolvi comprar.

Quanto custou?
Foi R$ 7,99.

E resolveu o problema?
Depois que entupiu a primeira vez, a galera começou a tomar mais cuidado. Não posso afirmar se o adesivo ajudou.

Foto: Larissa Zaidan/ VICE

Fernanda, 24

VICE: Quando você viu o anúncio de venda de manequins, quantos haviam?
Fernanda: Eram quatro. Mas só o Pacheco tinha o corpo todo. Os outros eram incompletos, compostos somente de busto, ou sem cabeça.

E quem “batizou” o manequim?
Minha irmã. Mas não sei de onde ele tirou este nome.

O Pacheco foi comprado para você fazer um curta. Qual o nome do filme?
A ideia que eu tinha não virou. Mas o Pacheco acabou sendo usado em três produções: um curta, um filme que compõe uma trilogia e um documentário.

Nossa, ele então deve ser um bom ator...
Ele é quietão e essa característica é explorada nos trabalhos em que ele atua.

Quanto que cobraram por ele?
R$ 40.

Foto: Larissa Zaidan/ VICE

Karina, 24

VICE: O que você comprou sem precisar?
Karina: Eu estava passeando e resolvi passar perto de uns quiosques, mas só para ver os produtos, ainda mais que no dia eu estava sem dinheiro para fazer compras. Aí, eu vi uns óculos e os achei bonitos. Mesmo não precisando deles, coloquei só para ver como ficavam. Aí a vendedora, uma chinesa, disse: “Você está tão bonita”.

E aí você comprou depois do elogio...
Não só comprei ele, como acabei levando dois óculos – porque a vendedora me fez uma promoção e paguei R$ 70 em cada um deles.

Mas usou, pelo menos?
Usei somente um deles, quando fui sair com meu namorado, e não usei mais.

Foto: Larissa Zaidan/ VICE

Gustavo, 22

VICE: Conte como foi sua compra inútil.
Gustavo: Eu já pensava em me organizar melhor e ficava imaginando que ter uma agenda iria me ajudar. Eu estava numa loja um dia e vi uma, achei bonita, levei.

Quanto pagou?
R$ 45, mais ou menos.

Depois da compra, como foi?
Usei a agenda três dias. Preenchi quatro páginas.

Sem a agenda, como faz para se organizar?
Não me organizo (risos), brincadeira. Quando preciso, às vezes, pego um papel e anoto as tarefas que preciso fazer. Isso funciona.

Foto: Larissa Zaidan/ VICE

Pedro, 23

VICE: Qual foi a compra mais recente que você fez por impulso?
Pedro: Foi o cinto que estou usando agora.

E você gosta dele?
Para falar a verdade, é a primeira vez que uso. Estou com ele por causa da matéria de vocês.

Nossa, e costuma fazer sempre esse tipo de compra?
Eu adoro pesquisar, olhar o site do AliExpress, as opções, avaliações dos produtos. Depois disso, faço uma lista de favoritos e compro as coisas, que geralmente não preciso, porque é tudo muito barato.

E quanto saiu o cinto de hoje?
Foi R$ 6.

Você vai usar ele mais vezes?
Eu curto a emoção da compra, porque as coisas no AliExpress são muito baratas. Quando a coisa chega na minha casa, deixo de lado e já penso qual será a minha próxima compra. Se eu vou usar de novo o cinto? Provavelmente não mais.

Foto: Larissa Zaidan/ VICE

Talita, 24

VICE : Você curte jogos?
Talita: Na real, quase não jogo, mas o pessoal lá de casa curte.

Então por que resolveu comprar um jogo?
Eu vi que estava em promoção, R$ 30, e como todo mundo em casa joga, comprei. Mas ninguém jogou até hoje.

Você se arrepende da compra?
Olha, com o dinheiro que gastei nele, eu poderia ter ido ao McDonald’s e comprado um lanche.

Foto: Larissa Zaidan/ VICE

Giovanna, 23

VICE: Você comprou o massageador pensando em quê?
Giovanna: Eu estava passeando pelo centro e fui até a Daiso Japan. Lá é um lugar que tem objetos fofos e inúteis, é o típico lugar que você compra o que não vai usar.

Sério, e como funciona isso?
Lá, na época, qualquer produto saía por R$ 5,99, aí você vai pegando vários e, quando menos percebe, sua compra já deu R$ 200.

Quando vi o massageador pensei: “adoro”. Mas depois, vi que ele era durinho, parecia com um rolinho de pintura, nunca usei. Fazer massagem em si mesmo não é legal. Mas um amigo usou ele em mim hoje e gostei, faltava alguém fazer (massagem) em mim. Pode ser que eu use ele um dia.

O Alfredo Henrique disse que não compra coisas inúteis. Siga ele no Twitter.

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