Transe e música andina no disco de estreia do Cavalo Serpente

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O pequeno instrumento de cordas cuatro é apenas um dentre uma porção de outros pouco usuais no álbum de estreia da dupla Cavalo Serpente, que reúne Bruno Gold, tecladista do Baoba Stereo Club, e Mariano Sarine, baterista do Deaf Kids. As sete faixas são construídas em cima da sonoridade do cuatro, na verdade, quando de repente surgem sons de bongo, woodblock, chocalhos, reco-reco, flautas indígenas, pau-de-chuva, palmas, gaita vietnamita, sino, tambor, chimbau e até uma gravação de tempestade e coisas do tipo.

"O Cavalo Serpente surgiu assim que peguei o cuatro na mão pela primeira vez. Herdei o instrumento do meu pai", conta Bruno. "Quando ele era bem novo, morou na Argentina. Lá, entrou em contato com esse tipo de música, e, dali pra frente, sempre escutava uns discos e arranjava uns instrumentos de lá com os amigos. Meio que colecionava. Sempre que alguém viajava pela América do Sul, trazia uns instrumentos, essas coisas... Entre outros tantos mais, tem até um charango, que é um instrumento feito com o casco de um tatu. Casco de tatu de verdade. É meio bizarro, mas tem um som bem bonito."

Mas não se trata de nada entrópico. Espere um melodioso e alegre embalo tântrico em diálogo aberto com a música andina. Os músicos fazem, assim, uma menção direta à pajelança indígena e acabam por transmitir o clima ideal para momentos de transe e meditação.

"Nas conversas todas que tivemos, até pra dar nome às músicas, sempre apareceu muito do lance de corpo e espírito. Em parte dos sons, o corpo dança, balança, até perde o controle; em outros momentos, as músicas são introspectivas, mais delicadas, deixam o corpo mais estático e a viagem é mais meditativa, introspectiva, olhando pra dentro", divaga o artista. "Seja como for, acho que o disco propõe um transe espiritual de várias formas, no controle ou fora dele, com o cuatro e a percussão em uníssono ou se desafiando."

A obra, distribuída pela EAEO Records, sai em formato digital e em CD, com encarte em xilogravura por Acauã Novaes e set de ilustrações por André Calvente.

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