Crítica | Lady Bird mostra a beleza única do lugar que chamamos de lar

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Filme foi indicado ao Oscar e obteve diversas notas positivas. Mas será que é tão bom assim?

Lady Bird é um dos filmes indicados ao Oscar de 2018 e a Univesal nos convidou para ver o longa na íntegra. O filme só estreará no dia 15 de fevereiro de 2018. Assim, podemos trazer para vocês nossas impressões e se a indicação foi merecida. Você vai entrar agora nos detalhes SEM SPOILERS sobre o filme. Então relaxe e leia nosso texto sem medo, até que finalmente você possa conferir Lady Bird no cinema. Se você já viu o filme, comente o que achou e também não deixe de ler nossa crítica.

Prazer, sou Lady Bird

O mais recente filme da Universal a estrear no Brasil trata das descobertas de uma jovem chamada Lady Bird. Mas não porque sua mãe era maluca ao lhe dar um nome desses. Ela mesma se autodenomina desta forma. Como todo jovem, ela quer ganhar o mundo, deixar o local onde vive, já que nada é o bastante. Mesmo tendo em sua origem uma família muito humilde, que vive em Sacramento, a garota é o reflexo de algo que eu costumo dizer sempre: os seres humanos nunca estão contentes com o que possuem.

Você hoje pode realmente viver uma fase ruim e querer mais da vida. Mas ao finalmente se dar bem após um período de grande trabalho, ou simplesmente ao ganhar na mega sena, o foco dos seres humanos muda e seus anseios também. Aquilo que ele queria antes já não será o bastante e automaticamente passará a desejar algo que ainda não tem. E assim o fluxo vai se repetir interminavelmente.

Isso obviamente não é uma regra e não deve ocorrer com todos. Em Lady Bird vemos que a família da garota entende as dificuldades que passa. Assim, procuram, dentro do possível, viver e conviver com os problemas, com boletos vencendo, grana curta e tudo mais. Nada que você e eu já não tenhamos passado ou não estejamos passando. Mas Lady Bird (a garota) quer mais e se contentar com pouco não é algo pra ela. Como uma jovem cheia de vida e ansiosa por oportunidades, ela quer alçar voos mais altos e não há como não se ver na pele dela.

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Desde cedo tudo que mais queremos é nos destacar, ir além e chegar cada vez mais distante. As barreiras que a vida coloca à nossa frente são diferentes para cada pessoa. Como cada um faz para ultrapassar essas barreiras é que diferencia os vencedores dos…normais. Ninguém é perdedor dependendo do ponto de vista.

Sem início meio e fim

E assim Lady Bird vai nos mostrando que com garra e ideias até mesmo corajosas, é possível seguir um caminho que talvez lhe seja agradável. Não dá para dizer que tudo que ela faz é algo bom, mas ao menos dá para nos identificarmos com algumas coisas ao ponto de lhe dar razão. Porém o mais interessante do filme é que já começamos vendo a vida dela e de sua família como são, sem muitas preparações. Não há uma história a ser seguida. É como se o filme fizesse parte de algo muito maior, que é a vida da garota. Somos jogados em meio ao turbilhão de pensamentos dela em um momento chave de sua vida e cabe a nós julgarmos se ela faz o certo ou não. Ou talvez nem julgar e ver para onde as decisões da garota as levam.

A convivência com sua mãe, uma enfermeira que dá o sangue pela família, também é um ponto alto. Ao mesmo tempo que elas brigam, se amam e se parecem muito mais do que poderiam reconhecer. Entre caras feias, gritos e desavenças, vemos essa relação se desenrolar, até que do nada, percebemos que Lady Bird tem como objetivo ensinar uma espécie de lição. Algo como quando, mesmo não gostando de onde você vive e como você vive, por pior que seja a situação, seu conforto e refúgio estarão no seu lar. E seu lar será sempre onde seus entes queridos estão. Você passa a gostar de tudo que lembra deles, estando perto ou longe. Mas é fato que só damos atenção ao que não temos e quando percebemos que o abraço está muito mais distante do que estava antes, ele passa a ser mais valioso.

Um filme indie feito em Hollywood

A indicação de Lady Bird até pegou muita gente de surpresa. Não é um filme com cara de Hollywood. É um longa que presa pelo roteiro, construído através de pessoas. O dia a dia, as evoluções e involuções, lições morais e tudo mais. A sensação que dá é que foi um filme preparado por Hollywood para se parecer com outros tipos de produções. E isso é benéfico, uma vez que em meio a tantos filmes iguais, é interessante ter a nosso alcance uma ideia original e diferente como Lady Bird. O filme tem um visual muito decente, que faz uso das localidades de Sacramento para apoiar sua história. Ao mesmo tempo, faz uso da estranheza de Lady Bird e sua forma singular de se vestir. Mas quem nunca se vestiu estranho por não ter uma grana a mais sobrando na carteira?

Então podemos até traçar um paralelo. O filme retrata a vida da garota e sua família enquanto vivem com pouca grana. Do amor que existe entre eles e do quanto o dinheiro acaba influenciando na forma que eles se tratam. Sem grana, existem mais brigas, mais problemas e menos oportunidades. E falando de um filme que possui como investimento “apenasU$10 milhões, diante de grandes blockbusters que custam quase U$100 milhões hoje em dia, podemos dizer que a produção do longa fez milagre. Com muita força de vontade e coragem, entregaram um filme capaz de concorrer ao Oscar.

Assim como Lady Bird, a garota que conhece as dificuldades da vida com seu dia a dia, também mostra que não é só o dinheiro que nos move pra frente. Mas a criatividade, vontade e principalmente a consciência que não devemos esquecer nunca de onde a gente vem. De nossas raízes, de nossos pais e nossa família.

Lady Bird é tudo isso e muito mais. É um filme que parece até simples para uma indicação ao Oscar. Porém poderá facilmente te deixar pensando sobre várias coisas da vida. Se cinema não for isso, a invocação de sentimentos, não sei o que é.

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