Aumento de transporte e eleição: uma conta difícil de fechar

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Em pleno ano eleitoral, o Governo e a Prefeitura de São Paulo foram obrigados a anunciar o aumento da tarifa básica do transporte público. A passagem nos trens, ônibus e Metrô sobem de 3,80 para 4 reais no próximo domingo. Os vinte centavos, que não comoveram a população como aqueles de 2013, devem arranhar um pouco mais a popularidade do prefeito João Doria (PSDB) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB). O fenômeno se repete em diversas cidades do país, mas o destaque a São PauÔnibuso está nas pretensões da dupla: o prefeito quer ser governador e o governador sonha ser presidente.

Ambos haviam tentado modificar tarifas em janeiro de 2017, mas a repercussão negativa fez alterarem apenas os bilhetes integrados. Desta vez, a estratégia da dupla foi ressaltar que o aumento será de 5,26%, abaixo, portanto, da inflação acumulada de 9,25% desde o último reajuste, em janeiro de 2016. A justificativa não deve convencer o eleitor que acreditou na promessas de campanha do prefeito de congelamento da tarifa pelos quatro anos de mandato. Doria cumpriu sua promessa para o primeiro ano, mas teve de recuar. Em 2017, foi obrigado a destinar 148 milhões de reais de obras de implantação de corredores e terminais para cobrir o déficit do sistema de ônibus, como apontou em julho a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

Do lado do governo, não há mais como conter gastos. É preciso gerar receita. Os servidores estaduais, por exemplo, ficaram sem aumentos por quase todo o mandato de Alckmin. O governo anunciou ontem que, finalmente, 1 milhão de servidores terão reajuste de 3,5% – também abaixo da inflação.

Para o restante da população, no mesmo intervalo de último aumento para cá, o índice de desemprego no país era de 7,6%, contra 12% de hoje. O aumento de passagens, segundo levantamento do Insper, devem causar impacto de 0,2% na inflação. A agenda é ruim, mas correr riscos fiscais é ainda pior.


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