Resolução da ONU sobre Jerusalém: como votaram os países?

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São Paulo – A Assembleia Geral da ONU realizada na última quinta-feira deixou um recado claro para que o presidente americano Donald Trump recue na decisão de reconhecer a cidade de Jerusalém como capital de Israel e que não mude a embaixada americana de Tel Aviv, capital comercial.

O texto aprovado nesta semana determina que “todas as decisões que pretendam modificar o caráter, o status ou a composição demográfica da Cidade Santa de Jerusalém não tem efeito jurídico algum, são nulas e sem valor, e devem ser revogadas”.

Em uma votação quase unânime, 128 estados aprovaram uma resolução que considera nula qualquer decisão sobre o status da cidade. Entre eles, Brasil, Alemanha, França, China e Japão.

Apenas 9 se manifestaram contra texto, cuja aplicação não é obrigatória do ponto de vista legal, como os Estados Unidos e Israel, evidentemente, além de Palau e Togo. Ao todo, 35 estados se abstiveram de votar, como Argentina, Colômbia, México e o Haiti.

Abaixo, veja na imagem do painel como a votação terminou. Os países em verde são os favoráveis, os marcados em vermelho são os contrários e os amarelos são os que se abstiveram.

A votação em âmbito da Assembleia Geral da ONU, composta por 139 membros, acontece depois de os EUA terem vetado o texto no Conselho de Segurança, na qual a aprovação teria um caráter vinculativo. Na ocasião, o documento recebeu o apoio de 14 membros. A ação americana fez com que autoridades palestinas e aliados recorressem ao outro órgão da entidade.

Repercussão

Agora, o tom dos Estados Unidos é de ameaça. Antes de os países registrassem seus votos, a embaixadora americana, Nikki Haley, ameaçou abertamente aqueles que votassem a favor do texto. “Este dia será lembrado”, disse ela sobre possíveis pedidos de ajuda financeira ou política aos EUA ou quando a ONU solicitar novas contribuições para seu orçamento.

“Os Estados Unidos vão colocar sua embaixada em Jerusalém. Isso é o que os americanos querem que façamos. E é a decisão correta. Nenhum voto na ONU fará qualquer diferença”, continuou a embaixadora, que reforçou as palavras de Trump sobre o tema.

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou à rede de notícias CNN que, para seguir os passos dos EUA, muitos países estão considerando mudar suas embaixadas para Jerusalém, mas não citou nenhum especificamente.

Impasse

No último dia 6 de dezembro, Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel, ponto fundamental do conflito árabe-israelense e uma de suas principais promessas de campanha.

A decisão, no entanto, vai de encontro ao consenso da comunidade internacional que preza que a questão deve ser resolvida por meio de um processo de paz entre os atores desse conflito, Autoridade Palestina e Israel.

O anúncio feito pelo republicano foi criticado por líderes do mundo árabe e na União Europeia. Além disso, reacendeu o conflito nessa região. Desde então, palestinos vem se manifestando e embates com tropas de Israel passaram a se tornar ainda mais frequentes.

A questão é delicada e especialmente sensível para os presidentes americanos. Uma lei aprovada pelo Congresso americano nos anos 90 previa tanto o reconhecimento quanto a transferência de embaixada.

Embora o texto estipulasse uma data final para que as medidas fossem colocadas em prática, previa, também, a possibilidade de adiamento das mudanças por “ameaças de segurança”. E é isso que todos vinham fazendo desde a gestão de Bill Clinton, na qual a lei foi aprovada.


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