Na política nacional, 2017 foi o ano que não acabou

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Era esperado, é verdade, mas vamos combinar: mesmo com algumas surpresas especiais, 2017 estava fadado a ser prelúdio de 2018, o ano das eleições, em que finalmente se espera que o desarranjo institucional do impeachment de Dilma Rousseff seja de alguma forma resolvido ou superado — ou bagunçado de vez, como mostra a evitar gafes e, numa demonstração de incontida sabujice, bateu continência à bandeira dos EUA durante uma visita ao país. No meio da treta, tem garantido, sem aparecer muito, uma posição constante no segundo lugar das pesquisas, sempre amparado pelo seu jovem exército nas redes sociais — seu discurso de endurecimento da segurança pública tem resistido a auto-denúncias de corrupção e seguidas condenações judiciais.

No andar de baixo da disputa presidencial, a briga é de foice. Marina Silva (Rede) segue a mesma tática de declarações vazias que não rendeu muitos dividendos políticos em 2010 ou 2014, mas se mantém rondando o terceiro lugar das pesquisas. Ciro Gomes (PDT), por sua vez, é quase uma antítese, falando pelos cotovelos e atacando qualquer adversário potencial durante todo o ano — sob forte risco de se estrepar junto. Para aumentar a tensão no campo canhoto, o PCdoB também deu uma cartada e, no finzinho do ano, lançou Manuela D’Ávila como candidata presidencial.

Do lado destro a fita também segue brava. No desespero de encontrar um candidato com mais carisma que Geraldo Alckmin (PSDB), que vai se consolidando como a preferência tucana, apelou-se até para Luciano Huck. Depois de algumas semanas de balão de ensaio imprensa afora, o apresentador tirou o corpo fora. O Planalto também tenta colocar as asinhas de fora, aventando um apoio à candidatura de Rodrigo Maia ou então de Henrique Meirelles. Seria um páreo feio para o candidato governista: historicamente candidatos de governos com baixa popularidade se estrepam no país, caso de Ulysses Guimarães pelo PMDB em 1989 e José Serra pelo PSDB em 2002.

A maior vítima da pré-disputa, no entanto, foi o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB). Auto-incensado pela inédita vitória no primeiro turno paulistano, saiu tentando puxar o tapete do padrinho político Alckmin na disputa presidencial. Comemorado pelos mesmos políticos de sempre, o “gestor anti-político” viu suas pretensões darem em água. Não decolou nas pesquisas, amargou um sério declínio de popularidade na capital paulista (que abandonou para realizar viagens por todo o país ainda no primeiro ano de mandato), não soube lidar com as críticas ao seu projeto de distribuir “ração humana” e foi obrigado a desistir dos planos presidenciais. Junto, arrastou para a lama o seu principal grupo de apoio, o MBL, que, para tentar alguma relevância, se jogou de vez para a disputa da narrativa conservadora — apesar de fracassar em sua marcha nacional pelo Escola Sem Partido e abalado por diferentes denúncias, o “movimento” deve lançar Kim Kataguiri e outros indigestos nomes para o Legislativo em 2018.

O próximo ano promete emoções bem mais fortes. A recuperação da economia dificilmente vai vir na forma de uma explosão, acirrando ainda mais os ânimos. A Copa do Mundo na Rússia promete uma leve distração, mas o noticiário vai ser dominado pelo complexo xadrez eleitoral que deve ver mudanças bruscas em estados endividados (como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo), a renovação de dois terços do Senado e algum reflexo da impopularidade das reformas na Câmara — isso sem contar, é claro, com a famigerada presidência. A sorte está lançada: que comecem os jogos.

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