Alessandra lamenta fracasso da Seleção e concorrência do vôlei

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A Copa América de 2017 foi traumática para o basquete feminino brasileiro. Pela primeira vez desde 1959 o time verde e amarelo não participará de um Mundial, que em 2018 será realizado na Espanha. Perdendo a decisão de terceiro lugar do torneio continental para Porto Rico, por 75 a 68, a Seleção agora tem de lidar com uma série de questionamentos. Alessandra Oliveira, campeã do mundo com o Brasil em 1994 e detentora de duas medalhas olímpicas, em Atlanta 1996 e Sydney 2000, respectivamente, não escondeu a tristeza por conta do resultado frustrante e lamentou o fato de as jovens com biotipo adequado estarem migrando para o vôlei.

“É uma tristeza, porque defendi por mais de 17 anos a Seleção Brasileira com unhas e dentes. Muitas vezes deixei minha família, meus interesses pessoais, para defender o país. Foi o reflexo de má gestões, alguns problemas internos. Não vi totalmente essa última Copa América, não estou aqui para falar quem é o culpado, isso aí é uma página virada. Agora temos que juntar a família basquete, esquecer vaidade, tentar massificar, principalmente no feminino, porque estamos perdendo meninas altas para o vôlei. Nada contra o vôlei, porque pelo menos elas estão praticando algum esporte e não estão na rua. Precisamos formar uma nova Seleção. Não vai ser em 2024 que vamos ter resultados. Começaremos a ter resultados, se começarmos a trabalhar agora, em 2028, porque quando eu fui campeã mundial, em 1994, eram quatro gerações juntas”, afirmou Alessandra à Gazeta Esportiva.

Alessandra soma uma prata e um bronze olímpico, além de um título mundial (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Embora o resultado tenha surpreendido grande parte dos fãs de basquete, para o técnico Antônio Carlos Barbosa, multicampeão à frente da Seleção Brasileira, a tragédia era anunciada há tempo. No entanto, ele crê que o país só não se classificou ao Mundial do ano que vem porque não teve à disposição suas principais atletas, atualmente jogando no exterior.

“Com toda a honestidade, não foi surpreendente. Não foi surpreendente porque em toda a minha vida houve situações como essa. A Copa América bate com a WNBA. Chegamos a ter oito jogadoras na WNBA. Era uma outra época, em que tínhamos quantidade de jogadoras maior. Infelizmente, a falta de jogadores que são referência fez a diferença, porque se vai a Damiris, a Clarissa, a Érika, a Nádia, pelo menos duas dessas quatro jogadoras que são referência, certamente o Brasil teria se classificado para o Mundial”, disse Barbosa, lamentando os importantes desfalques do técnico interino Carlos Lima.

O experiente treinador também relembrou a falta de planejamento desde a época em que foi chamado para assumir pela terceira vez na carreira o comando da Seleção Brasileira feminina de Basquete. Depois do bronze em Sydney 2000 e o quarto lugar em Atenas 2004, ele teve a missão de guiar a equipe nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no ano passado, mesmo sem uma preparação adequada – o Brasil acabou eliminado na primeira fase após perder todas as suas partidas.

“Já teve essa Olimpíada em que eu fui chamado de última hora. Eu não decepcionei, eu me frustrei, porque fizemos grandes jogos, perdendo sempre na hora de ganhar o jogo. Fruto do que? De uma falta total de planejamento, de uma falta total de um ciclo olímpico para o basquete brasileiro. Você compete com equipes que fazem o ciclo olímpico. Mesmo assim poderíamos ter ganhado da Bielorrússia, da Turquia tranquilamente. A França é uma equipe superior à nossa, mas também fizemos um jogo igual. Contra o Japão jogamos muito mal, merecemos perder. Contra a Austrália também fizemos um jogo igual. Então, se houvesse uma preparação, com excursão para a Europa, com certeza, teríamos chegado às quartas de final [das Olimpíadas”, concluiu Barbosa.

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