Valor compartilhado ainda é um desafio para as empresas

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São Paulo – Incorporar o conceito de valor compartilhado na estratégia de negócio das empresas brasileiras ainda é um desafio, segundo Regina Magalhães, doutora em ciências ambientais pela USP e executiva sênior de sustentabilidade para a América do Sul da Schneider Eletric.

“Todas as empresas precisam rever o seu atual modelo de negócio”, disse durante o EXAME Fórum Sustentabilidade realizado em São Paulo nesta quarta-feira (29).

Mas, afinal, o que é valor compartilhado?

O conceito visa aplicar políticas de impacto social nas estratégias de negócio com o objetivo de maximizar os lucros de uma empresa. Em termos práticos, o “shared value” (termo em inglês) implica o envolvimento direto das empresas no dia a dia das comunidades, identificando seus problemas mais urgentes e investigando soluções.

Para conquistar essa mudança de comportamento no ambiente corporativo, segundo Regina, as empresas precisam analisar o mercado como um todo, identificar possíveis oportunidades e verificar os recursos que a organização possui para conseguir transformar o seu plano de negócio.

“Os gestores precisam engajar todas as cadeias da empresa com conhecimento”, disse ao argumentar que as organizações devem compreender que o negócio vai além de apenas um setor. “O profissional de marketing, de finanças e do comercial precisa trabalhar de forma mais integrada em outras áreas. Só assim é possível promover mudanças”.

De acordo com Heiko Hosomi Spitzeck, gerente executivo do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral, que também participou do evento conduzido por EXAME, as empresas brasileiras têm desenvolvido um bom papel em termos de valor compartilhado e práticas empresariais sustentáveis.

No entanto, segundo ele, a crise econômica no Brasil desencadeou um novo desafio. “O orçamento filantrópico é o primeiro que a empresa corta. O ideal é que a organização faça uma revisão sobre o próprio negócio e transforme isso em valor compartilhado antes que o recurso acabe”, afirma.

A produtora de celulose Fibria está entre as empresas brasileiras que conseguiram driblar os desafios aplicar o conceito. A companhia trabalhou para estruturar as comunidades nas quais seus negócios estavam presentes, conseguindo reduzir em 90% o roubo de madeira, um problema que havia causado prejuízos de 20 milhões de dólares ao seu caixa em 2009. Veja aqui outros cases de sucesso

Para Marcelo Castelli, presidente e CEO da Fibria, o valor compartilhado é muito mais do que assistencialismo e responsabilidade social corporativa, “é eixo de negócios”. “Uma estratégia de sustentabilidade faz a empresa pensar no futuro”, diz.


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