Análise | Doom para o Nintendo Switch é um milagre que vale a pena

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Doom para o Nintendo Switch é a demonstração de que o esforço vale a pena

No passado recente da Nintendo, diversas barreiras impediram que jogos violentos chegassem aos seus consoles. A Big N não tolerava que games rodando em seus sistemas tivessem sangue e qualquer ato que pudesse denegrir a imagem da empresa. Assim, títulos como Mortal Kombat no SNES, chegavam com uma dose mais branda de pessoas sendo dilaceradas. Eram raros os casos que passavam pelo departamento de qualidade da Nintendo.

Hoje, com o Switch no mercado e tendo aprendido muito com seus próprios erros com o Wii U, a coisa é diferente. Não que a Nintendo esteja ela mesma produzindo algo violento, nada disso. Mas as portas estão abertas para as third partys. Apesar do poder limitado do híbrido de portátil com console japonês, há sempre um fio de esperança para que os fãs vejam jogos das demais plataformas no aparelho. Felizmente, após uma época conturbada no Wii U, a Nintendo e a Bethesda fizeram as pazes e deste novo elo, grandes jogos estão chegando ao Switch. Começando por Doom , talvez o jogo mais violento, insano e sem freio que já passou pelo novo aparelho da BIG N.

DOOM – Dos PCs até chegar ao Switch

O histórico de Doom na indústria dos games é excelente. Nascido como um primo de Wolfenstein em 1993, criado pela ID Software, o jogo fez tanto sucesso que recebeu diversas versões e adaptações para consoles diferentes. Até mesmo para aparelhos da Nintendo. Em 2001 o Game Boy Advance recebeu uma versão do primeiro DOOM. Para a época e para o aparelho, foi um primor tecnológico, uma versão jamais imaginada que pudesse existir. Afinal, o portátil da Nintendo não era nada forte para aguentar um jogo em 3D, mesmo que DOOM já tivesse muitos anos nas costas.

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Após 3 jogos da saga principal e algumas versões especiais, DOOM passou por um reinício no ano passado. Chegando ao PS4, Xbox One e PC, DOOM deixava o terror de lado para focar na ação desenfreada. Todos os aspectos clássicos da franquia foram mantidos. Temos inimigos demoníacos, cenários sangrando a maldade, os portões do inferno e todo o mal que pode sair dele. Muito mais agradável que DOOM 3 por exemplo, o novo jogo se tornou um sucesso instantâneo. Quando a Bethesda ofereceu seu apoio ao Switch, poucas pessoas imaginaram que este incrível e tecnológico game pudesse bater na porta do novo console da empresa. Mas sim meu amigo, DOOM para o Nintendo Switch é real e faz muito bem seu papel, mesmo que com algumas ressalvas.

Matando demônios na TV e no banheiro

A tarefa não era fácil. O Switch tem praticamente metade da capacidade dos demais consoles do mercado. Isso sem contar com as versões aprimoradas do PS4 e do Xbox One. Mas mesmo assim a Bethesda aceitou o desafio, jogando nas mãos do estúdio Panic Button a árdua tarefa. Quase um ano e meio depois, o Switch finalmente recebe a sua versão de DOOM e apesar de o jogo não estar pau a pau com os demais consoles, consegue fazer muito bonito. Isso nos traz uma constatação de que a id Tech 6, engine utilizada no jogo, não somente é muito boa, como também é linda. Para se ter uma ideia, conforme testes do Digital Foundry, DOOM no Switch roda em 720p com alguns momentos onde desce para 600p. Tudo de forma dinâmica.

Obviamente que se colocarmos a versão do Switch lado a lado com as demais, há grandes diferenças. As texturas estão mais simples, faltam alguns detalhes no cenário. Há um blur estranho e irritante no começo em todos os locais. Talvez para esconder alguns defeitos, ou para criar um efeito que pudesse ajudar na renderização. Mas após alguns minutos jogando no Switch, percebemos o valor que esta versão de DOOM possui. Mesmo mais simples graficamente, a jogabilidade fluida, mesmo em 30FPS, traz todo o clima do game original. Só por isso DOOM já vale a pena para quem tem apenas o Switch.

O Melhor FPS Portátil de todos os tempos?

Temos sempre que lembrar que jogos para o Switch contarão com um diferencial: a portabilidade. DOOM foi o primeiro game que senti a necessidade de jogar no modo portátil. Na TV o game fica bonito, mas é nítido que a resolução mais esticada acaba influenciado no visual. O desempenho na dock é ótimo, mas o custo visual é grande. Porém, quem nunca jogou DOOM talvez não sinta este incômodo com a versão Switch.

No entanto, jogando diretamente na tela do videogame, em seu modo portátil, as coisa mudam. A tela do Switch, obviamente que menor que uma TV, parece esconder algumas imperfeições. Assim, mesmo com o blur irritante do jogo, o visual passa a não mais ser um inimigo. É lindo poder jogar uma versão de DOOM tão boa em modo portátil. O jogo roda muito bem, mantendo os 30FPS e ação constante. A única experiência próxima a isso em um console portátil e um jogo de FPS que consigo me lembrar foi com Killzone Mercenary do VITA. Aquele jogo era realmente bonito pro console da Sony. Mas DOOM no Switch além de ser um jogo melhor, tem absolutamente tudo da versão dos demais videogames e isso é praticamente um milagre.

Jogar DOOM no banheiro, antes de dormir ou apenas à toa em seu sofá sem precisar ligar a TV é um grande diferencial. Ainda mais se lembrarmos que todos os modos originais do jogo estão lá. Temos a campanha, o modo Arcade, onde o jogo contabiliza pontos com seus kills e o modo multiplayer. E olha, o desempenho do modo multiplayer de DOOM para o Nintendo Switch é tão bom, que fatalmente você vai se pegar horas e horas jogando.

Controles

A versão do Switch não traz nada diferente. Podemos jogar com os Joycons soltos, um em cada mão, mas sinceramente não recomendo. Falta precisão para conseguir se divertir em um jogo deste gênero usando este esquema de controles. A opção de colocar os controles no grip e jogar com eles fixos é fatalmente a melhor pensando em um cenário onde você não comprou nenhum dispositivo extra para o Switch. Mas nada melhor do que ter um Pro Controller por perto. Assim a experiência ficará idêntica a encontrada nos demais videogames.

Mas, novamente, onde DOOM para o Nintendo Switch brilha é no modo portátil, também nos controles. Os Joycons acoplados ao console e ao lado de sua tela funcionam muito bem neste estilo de jogo. DOOM pode abrir portas para outros games do gênero chegarem ao console da Nintendo. Os gatilhos são bons, e tudo funciona perfeitamente bem.

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Conclusão

Apenas um detalhe precisa ser levado como lição nesta conversão de DOOM para o Switch. O tamanho das letras e menu quando jogamos na dock são legais, assim como na versão do PS4 ou One. Apesar de as imagens parecerem menos nítidas no geral. Porém, não atrapalham. Agora, quando mudamos para o modo portátil, as legendas e os menus ficam muito pequenos, dificultando a leitura. As produtoras precisam inserir algo que identifique qual modo o jogador está usando no console e redimensione as letras de forma responsiva para que a leitura seja nítida, fácil e principalmente confortável.

Fora este detalhe, DOOM para o Nintendo Switch é praticamente um milagre. A Panic Button fez um excelente trabalho, mesmo que para isso o visual do jogo tenha sofrido um pouco. Ainda assim, a versão do aparelho da BIG N não fica atrás das outras em nada no quesito jogabilidade e diversão. Todo o feeling de DOOM está aqui. Valeu a pena esperar mais de um ano para experimentar uma nova forma de jogar DOOM. Matar demônios em qualquer parte da casa é viciante. Que este seja o começo de uma boa era de jogos third partys para o Nintendo Switch.

Vale lembrar que a própria Bethesda ainda vai trazer Skyrim, que sai dia 17 de novembro e Wolfenstein 2 (2018). Que os fãs do Nintendo Switch possam colaborar nas vendas de DOOM e de Skyrim, para incentivar a Bethesda e os demais estúdios a olharem para o Switch com mais carinho. Com dedicação e criatividade, grandes jogos podem receber uma versão tão boa quanto DOOM para o pequeno aparelho.

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