As câmeras favoritas do Spike Jonze

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Esta matéria foi originalmente publicada na MD-12 que tirava seis quadros por segundo. Fui me envolvendo mais com fotografia e fotografando mais para a revista, então o dono da Wizard Publications, Rubbish Heap . Essa foi minha porta de entrada para o vídeo.

Aí, quando fizemos o vídeo para a Blind [ Video Days ], compramos uma segunda câmera – uma "Cannonball" do Breeders e "Sabotage" dos Beastie Boys – com essas duas câmeras.

No clipe dos Beastie Boys, acabamos quebrando duas câmeras porque estávamos fazendo tudo nós mesmos. No primeiro dia, eu queria fazer uma tomada embaixo d'água, então coloquei a Canon Scoopic num saco Ziploc, entrei na piscina da casa do Mike D, e o Adam Horovitz jogou o [Adam] Yauch na água. A tomada ficou péssima e fora de foco por causa do Ziploc, mas não liguei. Eu disse "Consegui a tomada!" Mas tinha entrado água no saco e fritado a parte eletrônica. Nosso câmera pegou um secador de cabelo, secou a água toda, levou a câmera de volta para a loja de aluguel e disse "Ei, a câmera simplesmente parou de funcionar, vocês podem me dar outra?" E no final do dia, a gente tinha uma câmera nova.

No dia seguinte a gente pegou uma câmera maior – a Arri SR2 – colocamos na frente do capô e começamos a pular por cima do carro. O negócio que mantinha o filme fechado saiu voando. Então a gente estragou essa câmera também.

Sempre vi as câmeras como meios para um fim, não algo precioso. Acho que, pensando agora, é o mesmo jeito como você trata um skate: adoro ganhar um skate novo, mas nunca vou ser cuidadoso com ele. Você o usa para o que ele foi feito – o mesmo vale para uma câmera. Eu pulava na água com ela, colocava no capô de um carro, fazia o que fosse preciso para conseguir a tomada que eu queria.

Steadicam

Enquanto eu me envolvia mais com clipes, comecei a usar câmeras de 35mm. E dependendo da ideia pro vídeo, às vezes eu queria mover a câmera, e o melhor jeito de filmar assim era com uma "Drop" do Pharcyde e no clipe do "Undone – The Sweater Song" do Weezer. Então entrei nessa e quando comecei, também usei guindastes. Na última tomada de "It's Oh So Quiet" da Björk, usamos um caminhão que tinha um guindaste, então ela e o operador da Steadicam entravam embaixo disso enquanto o caminhão puxava o guindaste para cima. Você conseguia umas tomadas fluídas incríveis – indo do close e abrindo para mostrar escadas e corredores, o que você não conseguia fazer com equipamento normal.

Às vezes você vê um novo negócio técnico, um equipamento ou especificação visual, e isso te dá ideias, mas outras vezes você tem uma tomada em mente, e tem que achar um jeito de fazê-la.

Sony DCR-PC5

Nos anos 90 – e no mundo dos videoclipes – havia um certo esnobismo com o vídeo: filme era profissional, vídeo era para amadores. Mas como comecei com vídeos de skate e câmeras de vídeo, sempre adorei esse tipo de equipamento.

Eu tinha uma "What's Up Fatlip?" do Fatlip. A ideia para esse clipe era ir até a casa dele todo dia com a minha câmera, sem equipe, pensar no que filmaríamos, dirigir pela cidade e gravar. E como era em vídeo, enquanto a gente fazia o clipe, fiz várias perguntas para ele e acabei com um documentário espontâneo, também chamado "What's Up Fatlip?"

Também usei essa câmera para gravar toda a primeira temporada de Jackass. Ficou tão modesto, discreto e natural porque essa era a câmera que a gente tinha na mão.

No mesmo verão em que estávamos fazendo a primeira temporada de Jackass, eu também estava filmando um documentário sobre o Al Gore para a campanha dele de 2000, e usei a mesma câmera. Com aquela câmera, eu podia ser uma equipe de filmagem de um homem só. Sempre pulei entre produções maiores com câmeras maiores e equipes maiores para apenas eu e a câmera, dependendo da ideia.

Alexa/DCR-VX1000/Ikonoskop

Outra câmera que venho usando muito ultimamente é a Alexa. É a primeira câmera de cinema digital e gosto muito do visual dela. Filmamos Ela com essa câmera.

Este ano, ajudei na produção e design da turnê do Frank Ocean. A ideia da turnê era fazer grandes show de festival parecerem íntimos e caseiros. Construímos um palco pequeno no meio do público, e o telão que enche o palco principal. Outro cinegrafista e eu tínhamos um punhado de câmeras diferentes no palco, e fazíamos o filme ao vivo do show que você via no telão. Uma das regras que estabelecemos era não ter imagens pré-gravadas no telão, se queríamos ter alguma coisa gráfica, tínhamos que desenhar isso no palco e filmar. Ou se queríamos a silhueta dele na frente de uma tela toda laranja, a gente dava zoom num pedaço de fita laranja no palco e fazíamos dela o foco, para você não conseguir enxergar a textura.

Queríamos ter uma evolução dos visuais durante o curso do show, então cada um de nós tinha quatro câmeras. Uma câmera de vigilância em preto e branco com luz infravermelha. Tínhamos uma Sony VX-1000 – a câmera clássica de vídeos de skate dos anos 90 – e uma câmera digital bem estranha chamada Ikonoskop, que tem uma cor muito específica e densa. E também uma Alexa Mini com lentes anamórficas, que dava um visual bem cinematográfico.

É tudo uma questão de feeling, e a câmera é um meio de conseguir isso. E para aquela turnê, queríamos que a música e os visuais tivessem uma qualidade de coisa caseira, feita pelas pessoas bem na sua frente.

iPhone

Nem sei por onde começar sobre tudo que fiz no iPhone, porque é a câmera que cabe no seu bolso. Fiz um clipe para o Kanye West no meu iPhone alguns anos atrás que ficou ótimo. A música se chama "Only You", e foi escrita do ponto de vista da mãe cantando para ele. Ele tocou a música para mim no estúdio enquanto estava trabalhando nela, e eu adorei. Mas ele fez um clipe para ela que acabou muito pomposo para uma música tão íntima. Ele me mostrou o clipe que tinha feito na quinta, e decidimos fazer outro naquele sábado. Fui para a casa dele com meu iPhone, e filmamos tudo no parque atrás da casa. Era um dia cinza, chuvoso, e filmamos o clipe em uns 45 minutos. O visual é incrível e fiz tudo no iPhone. A equipe era só eu e um amigo segurando um aparelho de som portátil tocando a música. Tudo muito simples. Parecia certo, e o Kanye topa qualquer coisa que pareça certa. Não importa se é grande ou pequena; desde que pareça certa e você sinta essa empolgação, esse barato, você está na direção certa.

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