Tudo que sabemos sobre os conflitos na Rocinha

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Desde o dia 17 de setembro, a comunidade da Rocinha tem passado por dias de extrema violência após o que se supõe ser a eclosão duma disputa sangrenta pela liderança da facção ADA (Amigos Dos Amigos). Até o momento já se contabilizam nove dias de operações envolvendo o Exército Brasileiro e a Polícia Militar.

Para entender a guerra da Rocinha é preciso primeiro voltar para o ano de 2011 e a prisão de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, na época líder da ADA na comunidade. Nem foi preso e trancado em um presídio federal e quem assumiu a alta cúpula da facção foi Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157 — ex-segurança de Nem. A ascensão de Rogério ao poder não foi aceita pelo antigo líder, que desde então trama pela retirada de 157.

Há algumas suspeitas de que a briga recente entre os traficantes seria por conta da união entre a ADA e o PCC de São Paulo. O antigo líder da facção carioca, Edmilson Ferreira dos Santos, o Sassá, está preso há 11 anos em um presídio federal se opôs à aliança com os paulistas. Nem, por sua vez, era favorável, juntamente com outros líderes. A Polícia Civil monitora uma eventual aproximação entre Rogério e Sassá, mas até então não há nada concreto que prove esse ranço.

De qualquer forma, o conflito estourou de vez após Nem exigir que Rogério saísse da comunidade. O traficante bateu o pé com e não afrouxou com a ordem. No dia 13 de agosto, três homens da confiança de Nem foram encontrados mortos dentro de um carro da Estrada na Gávea. A maior suspeita é que as mortes foram encomenda de 157. Antigos líderes e membros da ADA, todos aliados à Nem, também foram expulsos da comunidade por causa de Rogério. Com isso, a facção se uniu mais ainda para dar um basta à dominância de 157 nas bocas da Rocinha. Estima-se que 60 bandidos armados entraram na comunidade à mando de Nem para eliminar 157. A entrada do bando foi apelidada de "Bonde dos Mestres".

A guerra que estourou a partir do dia 17 de setembro já deixou um rastro de sete corpos, 11 presos e um total de 950 membros das Forças Armadas cercando a comunidade e bloqueando acessos. Jovens não puderam nem sair de casa para prestar o vestibular por conta dos constantes tiroteios e os toques de recolher. Além deles, mais de quatro mil jovens ficaram seu aula nesses dias por conta dos tiroteios. Vídeos de origem não comprovada abundam pelas redes sociais mostrando troca de tiros, uso de granadas e muita destruição.

No meio do fogo cruzado estão os quase 80 mil moradores da Rocinha, que há dias não podem sair de casa. Pela impossibilidade de falarem da situação, muitos moradores reclamaram da presença massiva das Forças Armadas e denunciaram em reuniões que os mesmos invadem as casas e também dificultam o direito de ir e vir de quem está lá. Por meio de bilhetes anônimos, moradores também denunciaram os abusos cometidos pela "gestão" de Rogério 157 como o preço altíssimo do gás de cozinha. O governador Luiz Fernando Pezão negou qualquer invasão feita pelos militares.

De acordo com o Crimes News, blog veterano dedicado à noticiar os bastidores das comunidades do Rio de Janeiro, Danúbia Rangel é uma das pivôs da guerra. Rangel é esposa de Nem e já foi acusada de atuar como pombo-correio ao passar informações ao marido na prisão. Ela foi expulsa da comunidade em agosto desse ano por Rogério 157 que também ordenou a morte de mais três traficantes que eram responsáveis pela segurança de Danúbia. A esposa de Nem também está foragida.

Além da questão de Danúbia, Nem também chegou a apontar Ítalo de Jesus Campos, o Perninha, para ocupar o posto de Rogério. Perninha foi um dos executados no dia 13 de setembro. A suspeita é que as mortes foram encomendadas por 157. Rogério 157 está foragido e com a cabeça à prêmio tanto pela Polícia quanto pelos próprios membros da ADA.

A localização geográfica da Rocinha é também um dos elementos essenciais para entender a guerra. Além de ter acesso às zonas sul, norte e oeste da cidade do Rio de Janeiro, também é rodeada por matas fechadas que ajudam na fuga de traficantes e procurados. Umas das rotas é pela Floresta da Tijuca que permite a entrada em outras comunidades cúmplices que fornecem esconderijo.

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