Guia Noisey para curtir um Steely Dan

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Meus parabéns se você nunca ouviu falar de Steely Dan. Talvez quando meus primeiros cigarros ainda rendessem dores de cabeça e o Dan me era apresentado por meio dos discos gastos emprestados pelo meu professor de música do ensino médio você ainda nem tivesse nascido ou sequer considerava existir. Te invejo, afinal, um mundo de descobertas musicais te aguarda ali na esquina.

Agora, se você se diz fã de música e manja a obra de Walter Becker e Donald Fagen, uma estonteante mistura de jazz-rock-funk bem tocada pra caralho e que serviu de trilha para todo um período no tempo e acha que aquilo ali não é pra você, rapaz, eu sinto é pena e com este artigo irei te explicar o porquê.

O Dan define uma época em particular da música, e seu legado sônico deu um jeito de se embrenhar em meio a grandes momentos da música pop moderna, dos anos 80 até os dias hoje: suas canções fazem parte, de corpo e alma, da cena dos anos 70 e ainda assim com certa distância, com uma sofisticação inigualável em termos sonoros e líricos. Eles sabiam como ninguém como lidar com batidas, arranjos e ganchos, o que fez com que os caras fossem sampleados por gente grande, de Ice Cube a De La Soul, de Kanye a DJ Rashad.

Sua atenção aos detalhes é lendária no circuito musical, mas mesmo assim não há um pingo de sisudez no ar: escute qualquer uma de suas músicas sobre traficantes de cocaína falidos ou uns caras brancos velhos tentando pegar novinhas em bares e me diga se eles não são, além de tudo, mestres da zuera.
Abaixo, listo algumas razões pelas quais você deveria curtir um Steely Dan, bichão.

O NOME DA BANDA VEIO DE UM CONSOLO MOVIDO A VAPOR

É isso aí: um consolo à vapor gigante voador vindo de Almoço Nu, de William Burroughs, empresta seu nome à dupla. Donald Fagen falou bonito: "Só queríamos um pouco mais de potência em relação às demais bandas."

TEM STEELY DAN PRA TUDO QUANTO É LADO HOJE EM DIA

Acha que nunca ouviu nada deles? Se liga: Kanye West usou "Kid Charlemagne", do Steely Dan, lançada em 1976, como base de "Champion", faixa sua de 2007.

Aquele groove todo de "Eye Know" do De La Soul veio de "Peg", do Steely.

E "We On 1" do não teria bombado se não fosse o sample de "Aja " (pule para 0:41).

Se você já parou para assistir The Sopranos, já ouviu Tony cantarolando "Dirty Work" em meio às atividades de sua empresa de "gestão de resíduos".

Fato é, se você parou pra ouvir qualquer coisa feita na Costa Oeste desde 1972, lá está a influência dos caras, em toda parte.

ELES SÃO HILÁRIOS

Não é só a galera do hip hop que bebe nessa fonte. Se você busca uma introdução curta ao humor da dupla, saca só essa carta aberta escrita para Luke Wilson, após seu irmão Owen ter "emprestado" a narrativa de "Cousin Dupree ", lançada pelo Steely Dan em 2000 para servir de enredo para seu filme de 2006, Dois É Bom, Três É Demais. Abaixo temos um trecho da carta, The Man Don't Give a Fuck ". Uma favorita entre as tocadas ao vivo, a versão do Super Furry Animals lançada em 2004 tem o recorde do maior número de "fucks" já usados em uma única faixa, mais uma informação inútil pra vocês, fãs de cultura pop.

OS CARAS INVENTARAM A BATERIA ELETRÔNICA

"Babylon Sisters" , até o momento em que os técnicos da Neve lhe deram um disquete platinado (pintado com esmalte de unha mesmo). Não foi o suficiente para Fagen, que só se viu satisfeito com a versão número 274. Ao menos até descartar a porra toda na semana seguinte.

Surtadão o bastante? Adicione um uso abusivo de cocaína de proporções épicas e fica fácil entender porque a vaca foi pro brejo após o lançamento de Gaucho em 1980 (especialmente para Becker, cuja namorada faleceu por conta de uma overdose no mesmo ano). Foram anos e anos até que a dupla se juntasse para tocar novamente.

Gabriel Stebbing faz música sob a alcunha de Night Works.

ver Vice Brasil
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