Iceberg gigante se desprende na Antártida

Facebook
VKontakte
share_fav

Um dos dez maiores icebergs já registrados se desprendeu da Antártida, disseram cientistas nesta quarta-feira, criando um perigo adicional para os navios ao redor do continente. O iceberg de um trilhão de toneladas, que mede 5.800 quilômetros quadrados (equivalente à área do Distrito Federal), se soltou da plataforma de gelo Larsen C da Antártida em algum momento entre 10 e 12 de julho, disseram cientistas da Projeto Midas, das universidades de Swansea e de Aberystwyth, no País de Gales, e do Instituto de Pesquisa Antártico Britânico (BAS, na sigla em inglês).

“O iceberg é um dos maiores registrados e seu progresso futuro é difícil de prever”, disse Adrian Luckman, professor da Universidade de Swansea e principal investigador do Projeto Midas, que monitora a plataforma de gelo. “Ele pode continuar reunido em um único pedaço, mas é mais provável que se separe em fragmentos. Parte do gelo pode continuar na área durante décadas e partes do iceberg podem flutuar para o Norte e entrar em águas mais quentes.”

Imenso iceberg

O iceberg estava prestes a se soltar havia alguns meses e os cientistas estavam monitorando o progresso da rachadura na plataforma de gelo por meio de sistemas de imagens capazes de perceber mudanças na geografia da região mesmo durante os períodos escuros e nebulosos do inverno antártico. A separação foi detectada por satélites da Nasa e confirmada por instrumentos científicos. De acordo com os pesquisadores, o iceberg, que tem espessura entre 200 e 600 metros, reduziu o tamanho da plataforma em mais de 12%.

Mapa da Plataforma Larsen C, sobreposta à imagem da Nasa, de 12 de 2017, mostrando a separação do ioceberg. (Divulgação/Divulgação)

Agora que se desprendeu, é possível que o iceberg aumente os riscos para as embarcações. A península se localiza fora das principais rotas comerciais, mas é um dos destinos de navios de turismo saídos da América do Sul.

Em 2009, mais de 150 passageiros e tripulantes foram retirados do MTV Explorer, que atingiu um iceberg nos arredores da Península Antártida e afundou.

Consequências

O iceberg, que deve ser batizado de A68, já estava flutuando antes de se separar, por isso não há impacto imediato no nível dos mares. Contudo, futuras rupturas causadas pelo desprendimento podem levar ao descongelamento de geleiras e, como a água dessas últimas são integradas aos mares, podem levar ao aumento do nível.

As plataformas de gelo Larsen A e B, que se situavam mais ao norte da Península Antártida, desmoronaram em 1995 e 2002, respectivamente.

Imagem de 12 de Julho da Nasa, que confirma o desprendimento

Iceberg na Antártida: imagem de 12 de julho da Nasa, que confirma o desprendimento (Divulgação/Divulgação)

“Isso resultou na aceleração dramática das geleiras atrás deles, e volumes maiores de gelo entraram no oceano e contribuíram para a elevação do nível do mar”, disse David Vaughan, especialista em geleiras e diretor de ciência do Instituto Britânico Antártico. “Se, agora, a Larsen C começar a recuar significativamente e mais adiante desmoronar, veremos outra contribuição à elevação do nível do mar.”

Mudanças geográficas

Plataformas de gelo flutuam no mar, na extremidade da geleiras, com uma espessura de centenas de metros. Por não estarem sobre a terra, pedaços podem se desprender. Os cientistas temem que a perda dessas plataformas ao redor do continente permita que, futuramente, geleiras internas se mexam mais rápido em direção ao mar, à medida que as temperaturas aumentem devido às mudanças climáticas.

(Com Reuters)


Arquivado em:Ciência
ver Veja
#antártida
#iceberg