Uma breve história sobre como Donald Trump Jr. não sabe ficar calado

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Esta matéria foi originalmente publicada na VICE US .

No último domingo (9), saiu no New York Times que, em junho de 2016, Donald Trump Jr. se encontrou com uma "advogada ligada ao Kremlin" que prometeu a ele "informações prejudiciais sobre Hillary Clinton", no que talvez seja a maior evidência pública do conluio entre o governo russo e a campanha de Trump.

Em resposta à matéria do NYT, Trump Jr. cuspiu algumas desculpas esfarrapadas. Primeiro, ele disse que "discutimos principalmente um programa para adoção de crianças russas", depois que não estava representando a campanha, aí deu a desculpa mais nonsense de todas, dizendo que "a mulher [com quem ele se encontrou] disse que tinha informações de que indivíduos ligados à Rússia estavam financiando o Comitê Nacional Democrata e apoiando a Sra. Clinton".

Entendeu? Ele estava de conluio com os russos para descobrir se Hillary Clinton, uma conhecida inimiga do presidente Vladimir Putin, estava de conluio com os russos! Não tem nada pra ver aqui, gente.

Desembaraçar todos os fios de controvérsia sobre os encontros de oficiais da campanha de Trump com os russos levaria o dia inteiro. Mas o que torna esse escândalo diferente dos outros é que ele envolve Donald Trump Jr., que herdou toda a fúria e confiança do pai, mas não o topete. São merdas assim que fazem pessoas envolvidas com a família Trump o chamarem de o "Fredo" da ninhada.

"Obviamente não sou a primeira pessoa de uma campanha a me encontrar com alguém para ouvir informação sobre oponentes... não deu em nada, mas eu tinha que ouvir", tuitou ele na manhã de segunda-feira (10), num dos muitos, muitos casos nos quais Donald Jr. não soube permanecer calado.

Por exemplo, numa entrevista de 2012 para a Sirius XM, Donald Jr. disse que era "totalmente a favor" do casamento gay porque "isso significa mais mulheres para mim". Na mesma entrevista, ele demonstrou ter crenças bem liberais sobre o aborto — "Eu queria que os republicanos tirassem isso de sua plataforma" — e disse que se identificava como um "caipira no armário".

Não sei exatamente o que ele queria dizer com isso, mas deve ter a ver com seu bem documentado amor por caça. No Dia da Terra, ele foi caçar cães-da-pradaria, o que nem o nominalmente pró-Trump New York Post tentou defender.

Seus tuítes, sem surpresa, variam entre bizarros, incorretos e bastante sinistros, como a vez em que ele comparou refugiados sírios com uma tigela de Skittles, onde alguns doces estragados "podem te matar". Ele também é notório por espalhar teorias da conspiração, dizendo que o repórter da CNN Andrew Kaczynski tentou chantagear um simpatizante de 15 anos de Trump (o que não é verdade, e o simpatizante de quem Don Jr. está falando é um cara de meia idade). Ele também promoveu matérias do InfoWars, um site comandado por Alex Jones, um truther do 11 de Setembro que uma vez sugeriu que "o governo acrescenta em caixas de suco e garrafas de água químicos que tornam as crianças gays".

Em uma das séries de tuítes mais bizarra de Trump Jr., "por isso que sou gordo", ele postou fotos de várias comidas como explicação para seu peso.

Na plataforma social cada vez mais tóxica, ele sugeriu: "deveríamos mandar Jerry Sandusky para uma prisão feminina, onde ele provavelmente se divertiria bem menos" e fez insinuações sexuais sobre War Horse. Ele admitiu ser um "cara de peitos" num tuíte sobre a esposa estar amamentando, disse que tinha tido "algumas transas" de que não se lembrava, e também que definitivamente não é o filho favorito do pai.

Em outras palavras, ele é exatamente o tipo de pessoa que você mandaria se encontrar com oficiais estrangeiros quando está concorrendo à presidência.

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Tradução: Marina Schnoor

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