Mas afinal, qual a estratégia da Apple com o HomePod?

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HomePods (branco e cinza espacial)

Nesta semana, a Apple apresentou ao mundo o HomePod, seu primeiro alto-falante inteligente. Ainda assim, diferentemente dos concorrentes, a abordagem feita na Worldwide Developers Conference (WWDC) 2017 não teve foco na inteligência do dispositivo e a Siri foi pouquíssimo abordada. A essência da keynote — e do posicionamento do produto — foi a qualidade e potência do áudio — algo o Rafael, o Breno e o Eduardo abordaram no último MacMagazine no Ar. Isso é raro: geralmente a Apple foca na facilidade de uso do produto e não nas especificações técnicas.

HomePod por dentro

Enquanto a indústria (leia-se Amazon e Google) posiciona os seus aparelhos (leia-se Echo e Home) como assistentes pessoais para a sua casa — com função secundária de tocar música — a Apple fez o contrário e introduziu o HomePod como uma caixa de som poderosa que, por acaso, lhe ajuda nas atividades diárias.

Mas não se engane: o objetivo da Apple com o HomePod não é reinventar o mercado de caixas de som. O objetivo da Apple é tornar a tecnologia onipresente e invisível, começando com um dispositivo que controla toda a sua residência. Como em todo plano, segue a máxima: jamais revele a sua verdadeira intenção.

O produto anunciado na segunda-feira é só a primeira parte desse plano. Para entendê-lo, temos que responder duas perguntas: 1. por que a Apple não posicionou o produto como um assistente pessoal, como os concorrentes? 2. qual é a estratégia de Cupertino para permitir que controlemos toda a nossa casa através da voz?

O grande plano

É sabido que a Siri não é inteligente o suficiente para ter um dispositivo inteiro dedicado a ela. A Alexa e o Assistente, embora tenham um QI um pouco mais elevado, ainda não justificam adesão em massa do consumidor. Mas isso não é um problema para a Amazon e o Google porque essas duas empresas costumam lançar produtos relativamente inacabados, de forma discreta e a um preço baixo. A Apple não tem isso no seu DNA.

Não faria nenhum sentido, para a Apple, lançar um SiriPod já que a Siri não serve para quase nada. O aparelho ficaria coletando poeira na mesa. Criar um gadget com um som muito superior ao da concorrência garante a adesão do produto, afinal de contas, todo mundo escuta música mas nem todo mundo usa assistentes virtuais. O raciocínio é simples: a Apple está usando a música como isca para colocar o HomePod na casa dos usuários enquanto trabalha para tornar a Siri mais inteligente.

Steve Jobs em evento da Apple, falando sobre o iPod

Steve Jobs em evento da Apple, falando sobre o iPod

Essa estratégia é uma velha conhecida. A Maçã costuma usar a música para fazer consumidores aderirem aos seus produtos: o público comprou o primeiro iPod e o primeiro Mac exatamente por causa do armazenamento de músicas e da iTunes Store, respectivamente. Isso acontece com outros gadgets também: a App Store foi a chave para tornar o iPhone um fenômeno mundial.

Como já falei em outro post, o iPod foi concebido por Jobs para ser o primeiro dispositivo portátil da era pós-PC. Em outras palavras, o iPod foi o primeiro passo para colocar o computador pessoal no bolso das pessoas. O HomePod é a primeira iniciativa para que possamos controlar toda nossa casa através da voz.

Para o lançamento do HomePod, a Apple executou uma velha jogada do mundo das startups: criar um produto nichado, que uma parte relativamente pequena da população goste bastante e em seguida incrementar o produto com novos recursos até executar a sua visão inicial.

Como sempre, resta saber se o plano vai funcionar. A empresa vem investindo bastante em inteligência artificial e machine learning, criando chips dedicados a isso e comprando empresas com esse foco. Vamos ficar ligados nas próximas jogadas. Em 15 anos, boa parte da tecnologia será invisível como o oxigênio — e o HomePod é um dos primeiros passos da Apple para isso.

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