Fãs de 'Warhammer' nos mostraram seus melhores trabalhos

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Esta matéria foi originalmente publicada na VICE UK.

Warhammer é um mundo difícil de penetrar. Há muitos termos, figuras e frases que não fazem o menor sentido para quem não está envolvido no universo de Space Marines, Eldar e Necrons. Mas pros não iniciados: esse é essencialmente um jogo de tabuleiro onde os jogadores colecionam e pintam um monte de bonecos e objetos que formam os exércitos que eles levam pra batalha.

Primeiro veio Warhammer Fantasy Battle, aí – em 1987 – Warhammer 40k, a sequência futurista que se passa no 41º milênio. Este ano marca o aniversário de 30 anos de 40k, então fui a um torneio do jogo – o London 40k Grand Tournament – para falar com os fãs sobre seus modelos mais legais, e perguntar por que eles dedicam tanto tempo ao jogo.

Andy Burrage, 34 anos

VICE: Me fale sobre seu modelo favorito de Warhammer .
Andy: É um dos meus Chaos Helldrakes que modifiquei pro torneio.

Para quem não joga Warhammer, o que é um Helldrake?
É um dragão do Chaos. Imagine um dragão feito de metal – é basicamente um demônio voador. Ele é um cara nervoso. Nada amigável.

O que você aprendeu participando da comunidade de Warhammer ?
Bom, jogo há mais de 20 anos, desde quando era moleque. Acabei num grupo de amigos da escola que já jogavam. Comecei mais como uma coisa social, antes de entrar no lado da pintura. Acabei trabalhando para a empresa – a Games Workshop – por um tempo. Eu viajava pelo país e conhecia um monte de gente por conta do trabalho. Mas desde que saí da empresa, Warhammer é um jeito ótimo de se conectar com as pessoas. Conheço gente aqui há 20 anos; sem algo como o Warhammer, seria difícil manter contato por tanto tempo. Essa é minha versão de ser torcedor de futebol: nos reunimos, bebemos cerveja e jogamos Warhammer. O jogo me mantém em contato com as minhas pessoas favoritas.

Jamie Robson, 29 anos

Me fale sobre seu modelo favorito.
Jamie: Provavelmente é o Telion em seu speeder. É uma peça meio modificada, e adoro a ideia do Telion ser um sargento épico que recusou a subir de patente – ele poderia ter sido capitão, mas disse "Não, vou continuar aqui e treinar novos recrutas", passar seu conhecimento pra frente, sabe.

Por que você joga, coleciona e customiza Warhammer ?
Jogo desde que tinha 12 anos, e gosto muito disso porque é um bom jeito de me comunicar com outras pessoas e me envolver em vários grupos. Através de eventos grandes como este, é ótimo papear com todo tipo de pessoa. Sou parte de um time do YouTube chamado Tabletop Tactics que participa de torneios. Já estive em Praga, Gibraltar e outros lugares incríveis com o time. Você se sente parte de uma comunidade, e pintar é muito relaxante. Trabalho com teatro e geralmente tenho longas pausas entre uma peça e outra, então isso preenche o tempo – tenho até uma bancada para pintura no meu escritório. Rola também aquela sensação de conquista no final do dia quando você tem um exército inteiro pintado.

Matt Hill, 34 anos

Qual a peça favorita do seu exército?
Matt: Um Nemesis Dreadknight. Já é meio que um diorama em si. Aqui ele está empalando um Hive Tyrant. Um Nemesis Dreadknight é similar àquela armadura dos filmes do Alien, mas um pouco mais fantasioso e exagerado.

O que você aprende jogando Warhammer ?
Comecei a jogar simplesmente porque era uma coisa para fazer com meus amigos quando eu era novo. Todo mundo se mudou, como acontece, e alguns entraram pra Marinha, e raramente tínhamos a chance de nos encontrar. Mas todo mundo continuou jogando Warhammer como uma desculpa para poder se reunir em finais de semana como este e jogar até cair. Também gosto do lado da pintura e da customização, e provavelmente passo bem mais tempo fazendo isso do que realmente jogando.

Martin Sandford, 34 anos

Qual seu modelo favorito, Martin?
Martin: Provavelmente meu Stormsurge. É tipo uma criatura gigantesca do jogo. É uma plataforma de tiro bípede. Basicamente uma arma enorme com pernas. Ele está aqui para devastar as miniaturas dos oponentes. O Surge pertence ao exército Tau, uma das raças mais jovens da galáxia. Mas eles avançaram sua tecnologia mais rápido que qualquer outra raça. As armas e armaduras deles evoluem mais rápido que a dos outros.

E por que você joga Warhammer ?
Boa pergunta. É competitivo, claro – o barato competitivo de querer derrotar seu oponente. Pinto essas miniaturas há anos e anos, então é algo em que fui progredindo naturalmente. Quando era garoto, eu achava difícil jogar por causa de todas as regras, então passava mais tempo pintando as figuras. Agora que sou mais velho, é muito terapêutico sentar em casa e pintar. Aí conheci alguém que estava jogando, fizemos algumas partidas, e agora isso é só outra coisa na minha vida para competir.

Jason Griffiths, 38 anos

Que modelo é esse que você está me mostrando?
Jason: Um Imperial Guard Valkyrie. É um transporte voador. Ele foi criado para levar 12 tropas pro campo de batalha. É um veículo rápido e parte da Imperial Navy, transportando dignatários e deixando tropas de elite ou veteranos em áreas sujas onde ninguém quer ir, assim eles podem matar a escória dos Orcs e Chaos. Qualquer coisa que o imperador ordenar, sabe. Ele evita que você seja atingido por mísseis.

Por que você joga Warhammer ?
Adoro jogar com os humanos, por isso sou esse guarda. Eu piro na ideia do homem ir até o 41º milênio para combater Orcs, Tyranids e toda essa loucura. E a ideia de ir com seu Lasgun, que essencialmente é só um bastão, e dizer, "Ei cara, vamos te matar!" Consigo imaginar um sargento grisalho dizendo, "Um cara com um Lasgun é inútil, mas dez de vocês atirando numa coisa ao mesmo tempo, vocês são mortais". Entende o que eu digo? Adoro isso. Também tem muita gente legal na comunidade. Tipo, "Ah, você me venceu", mas adoro o desafio e aprender com cada batalha. A Imperial Guard tem muitas unidades e algumas delas são bastante especializadas. Me divirto muito testando estratégias diferentes.

Jacob Olsson, 19 anos

Qual seu modelo favorito?
Jacob: Esse é um grande Stompa. Ele pertence aos Orcs. Imagine pegar um monte de metal e pregar tudo junto, colocar cola, algumas molas, alguns parafusos: é basicamente uma pilha de sucata. Ele se move para frente e atira, bem mal, mas quando acerta, ele tende a matar. Olha isso: é o pior modelo da história, quando você tenta movê-lo ele simplesmente não se mexe. Mas também, como regra, quando o dado dá mais de cinco, ele pega um outro modelo e joga longe. Ele também mata veículos instantaneamente.

Por que você joga Warhammer ?
Gosto de jogar os dados. Gosto das regras... na verdade, não gosto das regras, elas estão bem ruins agora. Mas a oitava edição está para sair. Estou sentindo algo especial. Gosto do visual dos modelos. Sempre que vai a um torneio, você vê ideias loucas para conversões. Ganhar é bem divertido, mesmo isso não acontecendo muito comigo. Vim da Suécia para este torneio – a comunidade me ajudar a viajar.

Ross Burridge, 24 anos

Me fale sobre o seu modelo favorito.
Ross: É um Imperial Knight Gallant. Os Imperial Knights são um grupo que traz os grandes robôs pro campo basicamente.

Por que você joga Warhammer ?
Eu tenho muito prazer nisso. Gosto de jogar com amigos e tudo mais – é divertido colecionar os modelos e pintá-los. Eles ficam ótimos se você gasta um tempo com eles. Comecei a jogar quando tinha 12, parei na segunda edição e comecei de novo na quinta. Um dos meus amigos começou a jogar de novo e perguntou se a gente não queria voltar também.

Justin Hill, 45 anos

Que modelo é esse que você está me mostrando?
Justin: É uma Xiphon Interceptor. É uma nave de combate interestelar, desenvolvida para derrubar outras naves. Ela não é muito boa contra unidades no solo e a sua performance não foi das melhores hoje.

Por que você curte participar da comunidade Warhammer ?
Faço parte da comunidade desde que tinha uns dez anos, meio quando o hobby nasceu. Eu era mais pintor que jogador. É uma das coisas legais desse mundo, ele tem muitas facetas. Todo mundo tem seu exército, cria histórias para ele, joga e passa muito tempo pensando em estratégias. É um hobby muito social; você tem que interagir com seu oponente. Sou escritor, o que pode ser uma vida muito solitária, então jogar Warhammer me traz para esses eventos. E também escrevo sobre Warhammer. Minha carreira literária mainstream é de novelista histórico, escrevo livros sobre 1066 – meu último, Viking Fire, foi um dos livros do ano da Times. Mas achei que seria uma ótima oportunidade para trazer esse universo à vida. E que privilégio para mim colorir esse mundo e poder dizer que isso é contribuição minha. Meu primeiro livro sobre Warhammer saiu ano passado e se chama Storm of Damocles.

Sean Sullivan, 32 anos

Que modelos são esses que você está me mostrando?
Sean: Bom, vim da Nova Zelândia, e infelizmente não tinha muito espaço na mala, então acrescentei só algumas coisas ao meu exército Necron. Algo que ajudasse o exército mas também coubesse na mala. Esses são convertidos – não é meu melhor trabalho de pintura, mas eles ficaram incríveis. Eles funcionaram muito bem, e ajudaram muito os Necrons. Os Necrons são basicamente o Exterminador do Futuro dos filmes antigos. Eles não gostam de coisas. É tipo uma antiga dinastia, como se os egípcios antigos acordassem putos com a vida e fossem atrás das pessoas. Eles são uns carinhas bem malvados.

Por que você viajou pro outro lado do mundo para esta convenção?
Viajo pelo mundo todo e essa é uma ótima maneira de conhecer pessoas. Gente boa, gente engraçada. Isso é o mais importante – se você não vai se divertir, então por que ter o hobby?

Tradução: Marina Schnoor

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