A política caça-cliques convence mesmo o eleitorado brasileiro?

Photo of A política caça-cliques convence mesmo o eleitorado brasileiro?
Facebook
VKontakte
share_fav

Desde o começo da campanha para disputar o cargo de prefeito de São Paulo, a estratégia de João Doria em apostar sua imagem de empreendedor nas curtidas e compartilhamentos nas redes sociais, somada à capacidade de se promover adquirida em anos de televisão, foi certeira. As próprias urnas paulistanas não deixaram mentir o sucesso da campanha com a esmagadora vitória no primeiro turno contra Fernando Haddad, e as investidas publicitárias de Doria, apostando sempre na internet, com uma equipe hábil para responder os anseios de seus eleitores na sua fanpage e uma "superexposição" controlada da vida do prefeito por meio de vídeos quase diários exibindo-o ou em reuniões, em casa, vestido como gari ou trabalhador do Mcdonalds deixam claro que o prefeito paulistano segue em campanha permanente. No entanto, embora a presença marcante nas redes sociais de Doria querer mostrar uma gestão transparente e de rápida resposta aos cidadãos, até que ponto ela é realmente o que diz ser?

Em uma recente polêmica envolvendo o prefeito e a empresa Amazon — que fez uma propaganda sugestiva contra o apagamento dos graffittis na cidade —, a manobra de usar a publicidade negativa em cliques foi novamente efetiva para João Doria. Prontamente, o prefeito gravou um vídeo na sua página do Facebook acusando a Amazon de usar São Paulo como plataforma para vender seus produtos e cobrando uma "ação transformadora" da empresa, sugerindo a doação de livros para as bibliotecas, computadores e tablets para as escolas municipais. A tática de respostas rápidas de Doria foi eficiente, reunindo empresas como vídeo de pouco mais que quatro minutos foram ofertados ativos que vão do Parque do Ibirapuera ao Autódromo de Interlagos, passando pela concessão do serviço funerário e até a polêmica venda de dados dos usuários do Bilhete Único. Quase na mesma semana, o transporte público, que é uma das iniciativas que mais parece atrair os olhares de investidores por conta do número de usuários, sofreu um corte de R$ 30 milhões para pagar "serviços de consultoria" para o projeto de desestatização planejado pela gestão tucana. A ânsia de acelerar a privatização da cidade acabou gerando críticas de especialistas pela falta de transparência e prestação de contas à população.

A tática de surfar na onda antipetista, reforçada pela operação Lava-Jato, serviu como uma luva para Dória se fortalecer sobre o ex-prefeito Haddad (criticado justamente por ter governado mais para o centro expandido do que para o restante de São Paulo) e ir chutando ou deformando gradativamente algumas características emblemáticas da gestão anterior, como as ciclofaixas, os eventos de rua e congelando drasticamente 43,5% das verbas de cultura no município, mesmo com o orçamento da pasta representando cerca de 0,9% do total dos gastos da Prefeitura.

Leia também: "O que há por trás do programa de privatização em SP?"

Os esforços intensos de Doria em manter a imagem de gestor conquistada entre os eleitores paulistanos já causaram algumas entortadas de nariz quando o novo prefeito, ao lado de alguns secretários, gravou um vídeo divulgando produtos da , empresa que doou medicamentos que estavam em falta na saúde municipal a pedido do prefeito e pagou pela divulgação do logo do programa Cidade Linda nas placas eletrônicas de publicidade do Estádio Centenário, no Uruguai, durante o jogo Uruguai x Brasil no dia 23 de março.

Ainda assim, considerando o ecossistema complexo da rede mundial de computadores, é de se perguntar até que ponto a política caça clique de João Doria está de fato impactando e efetuando mudanças em São Paulo conforme prometido. Há de se desconfiar muitas vezes do engajamento nas redes sociais, já que contas-robôs podem efetivamente ajudar a fortalecer o coro a favor de alguém. Como em 2016, durante a disputa da prefeitura de SP, quando foram descobertas inúmeras contas robôs que replicavam mensagem favoráveis ao candidato do PSDB. Doria negou prontamente o uso dessa manobra.

Se no começo de 2016 a candidatura de Doria representava um racha no PSDB entre José Serra e Geraldo Alckmin, eternizada na foto do homem de calça arriada em meio de uma briga nas prévias do PDSB no Tatuapé, hoje impressiona a efetividade da campanha de Doria ao jogar para os internautas o julgamento se ele está, ou não, realizando um bom trabalho. Não à toa, especula-se uma virtual disputa de Doria ao cargo presidencial em 2018. Porém, até que ponto usar o Facebook como palanque conseguirá se sustentar e convencer o eleitorado brasileiro?

Siga a VICE Brasil no , Twitter e Instagram.

ver Vice Brasil
#redes sociais
#prefeitura de sp
#comunicador
#palanque