Na China, Tim Cook dá entrevista tocando em assuntos como Didi Chuxing e Donald Trump

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Tim Cook com bolsistas da WWDC

Surpresa: Tim Cook está, mais uma vez, em terras chinesas, fazendo um tour pelas operações da Apple do outro lado do mundo após o anúncio da abertura de mais dois centros de Pesquisa & Desenvolvimento no país. E, inevitavelmente, nosso CEO favorito (ou não) sentou-se com um veículo de imprensa local para mais uma de suas entrevistas tocando em pontos como a relação da Maçã com a China, a Didi Chuxing e, é claro, Donald Trump.

Tim Cook com bolsistas da WWDC

Falando com o jornal local Caixin, Cook fez questão de reiterar — como não poderia deixar de ser, considerando que estamos falando do CEO de uma empresa global se referindo ao maior mercado consumidor do mundo — que a Apple está na China “para ficar” e que tem ideias mais grandiosas do que simplesmente conquistar uma fatia do mercado: a ideia é melhorar a vida dos chineses.

Nós não somos simplesmente alguém que chegou aqui para entrar no mercado. Nós criamos 5 milhões de empregos na China. Não tenho certeza se há muitas outras empresas, locais ou estrangeiras, que podem dizer isso. Nossas raízes aqui são profundas. Eu estimo muito este país e as pessoas que aqui vivem. Nós estamos aqui para ficar.

Sobre a Didi Chuxing, startup chinesa concorrente do Uber na qual a Apple investiu um valor inédito (e astronômico) de US$1 bilhão, Cook também adicionou mais algumas palavras às suas declarações anteriores sobre o tema.

Nós nunca investimos em um desenvolvedor antes, e ainda assim conhecemos a Didi, e ela é tão impressionante. Nós sentimos que a forma com que a empresa é gerenciada é tão fantástica, e a ideia deles também. […] E nós gostamos da visão holística, de operar de tudo desde táxis até carros privados. Há um alinhamento nas nossas estratégias. Eles precisavam de algum investimento para continuar operando, e nós realmente queremos que eles tenham sucesso e tornem-se globais.

Cook ainda discorreu um pouco sobre o importante — e polêmico — tema da globalização, sobre o qual podemos dizer que, em bom português, o executivo preferiu ficar em cima do muro:

Sobre a globalização, a meu ver, você pode pensar em três grupos de pessoas. Existem aqueles que acham que a globalização ajudou tremendamente; aqueles que acham que ela não ajudou em nada e, por fim, aqueles que pensam que ela machucou o planeta. A globalização tirou milhões de pessoas da pobreza no mundo inteiro, mas eu reconheço que não ajudou a todos.

Como consequência do assunto acima, obviamente Cook tocou nas recentes polêmicas do presidente americano Donald Trump e outros líderes mundiais cujas políticas apontam para um caminho mais anti-globalizado e protecionista. Sobre estas questões, o executivo foi mais assertivo:

É necessário continuar com isto [a globalização], porque é ótimo. Mas é necessário consertar aquilo [os problemas trazidos por ela]. Eu penso que existem maneiras de abordar esta problemática. Não acho que seja uma tarefa impossível. Espero que os políticos coloquem suas atenções em solucionar este problema, e estou otimista. Precisamos estar. Existem tantas coisas boas no mundo; nós só precisamos focar naquelas que nós precisamos consertar.

Aí estão: as palavras de um CEO que, pelo motivo que você preferir, parece ter algum tipo de consciência em relação aos problemas do mundo. É claro que Cook ainda é, acima de tudo, o chefe de uma das maiores empresas do planeta e, por consequência, precisa representar o seu papel de líder apaziguador e simpático aos mercados estrangeiros; ainda assim, não dá para negar que suas asserções acerca de muitos temas relativamente polêmicos são sempre bem-vindas — ainda mais considerando que elas vêm de uma boca tão poderosa.

[via AppleInsider]

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