Rapidinhas do YouTube: a YouTuber virtual e o filme sobre os famintos por atenção

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Personagens virtuais não são nenhuma novidade. Max Headroom, “desenvolvido” para a TV britânica é considerado o primeiro apresentador de TV virtual (na verdade um ator). Nos anos 1990 e 2000 várias empresas tentaram criar indivíduos virtuais para desempenhar funções na mídia, como a Ananova (a verdadeira primeira 100% digital) e até a brasileira Eva Byte, que foi co-apresentadora do Fantástico.

Nenhuma dessas iniciativas revolucionou o jornalismo, ninguém consegue se conectar com um personagem “quase real” por diversos motivos e umas ideias estranhas , mais de uma vez).

Ambos os casos são personagens animados mais facilmente aceitáveis pelo público. Eles não causarão aquela repulsa que um modelo quase humano gera e como são empregados em mídias de entretenimento, acabaram tendo vidas muito mais longevas do que os “jornalistas virtuais”.

Por isso não surpreende que um artista japonês tenha percebido o óbvio: YouTubers por si só são personalidades tão descartáveis quanto artistas pop, logo criar um do zero e promover seu canal não é nada tão difícil assim.

E assim nasceu A.I. Kizuna.

Criada por um desenvolvedor que não quer se identificar e muito provavelmente utilizando o mesmo software de animação que a Yamaha utilizada para criar os modelos da Hatsune Miku (você pode inclusive baixar os arquivos), Kizuna é uma YouTuber como qualquer outro com a única diferença que ela só existe no mundo virtual. Ela aborda uma série de assuntos em seus vídeos e até “joga” alguns games populares. Acima ela testa Inside, dos mesmos criadores de LIMBO.

O canal da YouTuber virtual já é bem popular: ele foi inaugurado em setembro e hoje já conta com mais de 200 mil assinantes. Seus vídeos tem uma média de 25 a 30 mil visualizações, mas o acima é o campeão: mais de 415 mil execuções. Embora seja um caso isolado, ser popular no YouTube tem muito de originalidade e querendo ou não, a grande sacada de A.I. Kizuna não está no conteúdo e sim na forma. Tudo o que ela faz é comum, mas um apresentador virtual é algo que até então ninguém havia pensado em fazer.

E é exatamente este o problema da maioria dos canais no YouTube hoje: mais do mesmo. São poucos aqueles que se destacam pelo diferencial em seus assuntos (como o Aviões e Músicas) e acabam apelando para estratégias mais banais. O tanto de canais com conteúdos que variam do ridículo ao lixo se proliferam por um simples motivo: nós gostamos de besteirol.

Outra alternativa é chocar por chocar, e foi dessa forma que PewDiePie se estrepou de verde e amarelo. Em uma análise fria essas pessoas precisam de sua audiência para se sentirem completos, é uma espécie de solidão virtual de pessoas que atingem milhões de viewers por vídeo mas não interagem diretamente com quase ninguém, e para manter as visualizações altas acabam apelando cada vez mais.

É o que o filme Like Me, apresentado na última semana no SWSX 2017 aborda. A personagem principal é Kiya, uma adolescente com um forte desejo de ser aceita e se conectar com as pessoas. Como todo introvertido da atualidade ela acaba abrindo um canal no YouTube, onde publica vídeos que fazem as estripolias de PewDiePie e cia. parecerem brincadeiras de criança.

É aí que a coisa desanda. Ela se envolve com um espectador (nitidamente bem mais velho) e por causa da rejeição a suas tentativas de chamar-lhe a atenção, acaba produzindo e publicando vídeos cada vez mais controversos: de filmagens de assaltos e sequestros que ela executa à produção de snuff movies. E óbvio, daí para a frente é ladeira abaixo.

Embora a ideia do filmes seja a de chocar, não é tão alienígena a ideia de que um caso como esse pode realmente ocorrer. As pessoas estão em busca de sempre atingir o público e conseguir audiência, e sempre haverão aqueles dispostos a dar um passo além e cruzar a linha.

Não há previsão de lançamento de Like Me nos cinemas, é provável que ele acabe exibido em festivais; de qualquer forma, sempre há a Locadora do Paulo Coelho.

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