Por que diabos ninguém resolve o problema de bateria nos smartphones?

Facebook
VKontakte
share_fav
iPhone sendo recarregado

Nesta semana surgiram rumores sobre uma possível melhora significativa na bateria do próximo iPhone. Esse é um dos aspectos mais esperados pelos usuários — e o que possivelmente mais deixa a desejar, todos os anos.

Bateria de íon de lítio

A bateria é hoje é um dos grandes gargalos da tecnologia. Nas últimas décadas nós fomos agraciados com a Lei de Moore, a qual diz que a quantidade de transistores em um chip dobra a cada dois anos. Isso resultou numa expansão gigantesca da capacidade de processamento dos computadores. A cada lançamento de um novo iPhone, iPad ou Mac, são acrescentadas novas tecnologias que fazem dos aparelhos cada vez mais poderosos.

Mas a autonomia da bateria continua engatinhando. Estimativas dizem que o crescimento da autonomia é da ordem de 5% ao ano. Como, então, é possível que não tenha surgido nenhuma tecnologia revolucionária nos últimos anos que pudesse acelerar o desenvolvimento da bateria? O que andam fazendo esses engenheiros do MIT ou equipe de pesquisa e desenvolvimento da Apple, por exemplo, que não conseguem melhorar significativamente esse aspecto?

O problema das baterias atuais

As baterias presentes nos smartphones e notebooks atuais são feitas de íons de lítio. O lítio é o elemento mais leve da tabela periódica que ainda é sólido à temperatura ambiente. Por isso, é o material perfeito para armazenar energia. Antigamente, as baterias eram feitas de chumbo ou níquel, muito mais pesados.

Se o lítio é o elemento mais leve, então chegamos a um nível máximo da relação tamanho/capacidade de armazenamento. Hoje em dia, a autonomia da bateria de smartphones está diretamente ligada ao tamanho dela ou ao gerenciamento de energia. Para aumentar a duração, só existem duas soluções: aumentar o tamanho da bateria ou atualizar o hardware/software para melhorar o uso da energia.

Gráfico com elementos químicos - Bateria

Não é possível armazenar nem extrair mais energia da reação química sem aumentar o tamanho do dispositivo. E não é possível carregar mais rápido o aparelho sem aquecê-lo demais. Quanto maior a velocidade de recarga, maior a corrente elétrica e mais energia é dissipada em forma de calor. O resultado disso poderia ser uma explosão.

Mas então por que ninguém encontra uma solução?

Em primeiro lugar, não é que não estejam procurando. Já falamos por aqui sobre várias iniciativas, desde baterias de grafeno, que permitem o carregamento em 15 minutos, até novas tecnologias que expandem a vida útil para mais de 20 anos. Só que existe uma grande diferença entre testes de laboratório e consumo em massa. Quando se escala a produção, os resultados são diferentes.

Desenvolver uma nova bateria não é como escrever um código. São necessários anos e anos de pesquisa e testes para colocar qualquer coisa no mercado. Se levarmos e consideração que baterias são praticamente bombas, qualquer cálculo errado pode resultar em uma catástrofe.

Outro aspecto importante é o custo. O mercado de smartphones é extremamente sensível a preço. Fabricantes lutam com fornecedores por descontos e melhores condições para adquirir peças como processador, tela, memória e câmera. A bateria por si só já é um componente caro. Qualquer aumento significativo no preço resultaria diretamente na margem de lucro das empresas, ou então no preço final que nós pagamos como consumidores.

Resolver esse problema seria um trabalho para startups. Mas aí está outra questão: fundos de investimento de risco não querem fazer aportes em startups de baterias. É necessário um capital inicial muito grande, não é um negócio muito escalável porque depende de mão de obra/material e o risco de fracasso é altíssimo. É muito mais fácil, vantajoso e seguro investir em uma rede social ou num SaaS (software as a service). Energia é um mercado muito difícil de entrar.

Então é isso?

Uma possível solução para amenizar o problema seria a recarga sem fio (wireless charging). Não faltam rumores de que a Apple acrescentará esta tecnologia no próximo iPhone. Fica a dúvida se será do tipo indutiva (necessitando o contato com uma base) ou realmente sem contato algum. Se for a segunda opção, a Apple seria pioneira na aplicação dessa tecnologia em smartphones.

O principal player no cenário de recarga sem fio é a startup ultrassecreta chamada uBeam. A grande promessa deles é que você de fato possa recarregar qualquer coisa estando longe de uma base. No começo do mês eles fizeram a primeira demonstração pública desta tecnologia, mas o aparelho que envia a energia para o dispositivo era muito grande. Não consigo imaginar como isso caberia em uma mesa.

#rumores
#telefonia
#pesquisa e desenvolvimento
#eletrônicos
#bateria
#wireless
#avanço
#recarga sem fio