Fizemos nossos pais falarem sobre suas vidas sexuais

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Esta matéria foi originalmente publicada na VICE US .

Não tem nada mais perturbador nessa vida que a ideia dos seus pais transando um com o outro — ou, pior, com outras pessoas. O que acontece quando as crianças começam a dormir na sua cama, e suas bolas lembram mais saquinhos de chá usados? Algumas perguntas são terríveis demais para fazer, mas felizmente, colaboradores da VICE e seus pais do mundo todo toparam responder essa e outras questões.

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Brasil

O fotógrafo da VICE Brasil Guilherme Santana entrevistou seu pai (67 anos), que está com a namorada há sete anos.

VICE: Que nota você daria para sua vida sexual?
Pai do Guilherme: Eu classificaria entre normal e boa. Acho que minha vida sexual é igual à de qualquer pessoa. Na verdade, estou bem satisfeito com ela. Com a idade eu acalmei um pouco. Antes, quando era jovem, eu tinha mais variedade de parceiras, até porque eu ia mais atrás delas. Depois que você casa o número de parceiras diminui, mas não a atividade sexual.

Com o que você se sente mais feliz na sua vida sexual?
Estou feliz com o fato de ter encontrado uma parceira ideal, alguém que me satisfaz tanto física quanto mentalmente. Somos monogâmicos — sinto que isso é importante nesses tempos de HIV e outras doenças. Você pode fantasiar com outras pessoas, mas a realidade é que é sempre melhor com a pessoa que você realmente ama.

"Eu gostaria mesmo de ter a mesma energia física que eu tinha quando jovem, mas com a experiência que tenho hoje."

Seu desejo mudou com a idade?
Meu desejo sexual sempre foi alto, mas é claro que a performance muda com a idade. Você não tem mais todo aquele dinamismo de quando era mais jovem, é inevitável.

Como é quando seu corpo e o corpo da parceira começam a ficar flácidos? Você se importa? Isso te deixa constrangido?
Eu não tenho esse problema pois a minha atual parceira é muito mais jovem que eu: uma diferença de 30 anos. Ela é extremamente jovem e bonita. Eu é que estou velho. No momento, até acho que meu corpo está bem, mas poderia ser melhor. Eu gostaria mesmo de ter a mesma energia física que eu tinha quando jovem, mas com a experiência que tenho hoje.

Austrália

A colaboradora da VICE Austrália Jessica O'Reilly entrevistou sua mãe, Alison O'Reilly (61 anos), e seu padrasto, Mark Mulcahy (61).

VICE: Que nota vocês dariam para sua vida sexual e por quê?
Mark: É difícil dar uma nota quando ela é inexistente. A gente bem que gostaria, mas estamos cansados demais todo dia. Estamos gerenciando nosso próprio negócio e reformando a casa. Fazemos sexo nas férias, porque todas as preocupações desaparecem. Relaxamos, nadamos, lemos e de repente penso — "porra, estou com tesão". E sua mãe está com tesão também, aí transamos, e é fantástico. Mas não tiramos férias há dois anos.

Transar menos mudou o relacionamento de vocês?
Mark: A falta de sexo não tem nada a ver com nossa atração um pelo outro; só estamos trabalhando demais para nossa idade. Somos melhores amigos, e conversamos sobre tudo. Apesar de não termos falado sobre não fazer sexo há mais de um ano, né, querida? Acho que não é um problema. Ainda nos sentimos próximos um do outro.
Alison: Sim, nós andamos de mãos dadas!

Vocês acham que vão planejar transar mais agora que falamos sobre isso?
Alison: Provavelmente vamos ter que fazer uma oficina agora.
Mark: Não é algo que você pode planejar, tipo — jantar às 20h e sexo às 21h15.

E se um de vocês instigar o sexo hoje à noite?
Alison: Eu digo "Sai daqui, temos convidados, a Jessica está dormindo no final do corredor".

Obrigada, mãe.

Alemanha

A repórter da redação da VICE Alemanha Nina entrevistou seu pai, Jürgen (57 anos), casado há 17 com sua segunda mulher, Claudia (48).

VICE: Que nota vocês dariam para sua vida sexual e por quê?
Jürgen: Minha vida sexual é completa e satisfatória. Minha esposa não precisa que eu diga nada; ela sabe do que eu gosto. Eles dizem [na Alemanha] que o sexo é "a menor coisa mais importante do mundo", mas eu digo que não é uma coisa menor. Nossos genitais se comunicam com nossos cérebros.

Meu Deus. Como sua vida sexual mudou com os anos?
Jürgen: Para sua mãe [a primeira mulher dele], sexo era tabu quando ela era adolescente — ela nunca viu a própria mãe nua. Perdi minha virgindade com a sua mãe, então, naturalmente, isso teve um impacto em mim também. Se você não experimentou ternura e intimidade entre as pessoas ao seu redor quando era criança, é difícil ter isso com um parceiro. Por 15 anos, achei que não tinha mais nada no sexo além do que eu fazia com a sua mãe. Depois que nos separamos, minha vida sexual melhorou, e está melhor que nunca no meu relacionamento atual.

Vocês fantasiam com outras pessoas?
Jürgen: Não penso em sexo com outras. O que você quer dizer exatamente?
Claudia: Bom, na verdade, se posso dizer uma coisa aqui — teve uma situação na República Dominicana...
Jürgen: Ah, verdade. Como era o nome dela mesmo?
Claudia: Petra.
Jürgen: Ah, sim. Petra. Mas a Claudia e eu temos um acordo em se tratando disso. Se algum dia algum de nós trair, vamos confessar de cara. Naquela época, contei que tinha achado alguém interessante, mas não fiz nada quanto a isso. Também faz diferença ter filhos no relacionamento ou não. Filhos são a praga de qualquer vida sexual. Eles transformam uma história de amor numa joint venture com crianças.

Valeu, pai.
Jürgen: Mas ter filhos também é a experiência mais importante da vida, então é um equilíbrio no final. Seu mundo inteiro começa a girar em torno dessa nova pessoinha, e se você também tem um emprego, isso suga muito da sua força e energia. Bom, alguma coisa acaba ficando de lado. Pelo menos era assim na minha época.

México

O repórter da redação da VICE México Diego Urdaneta entrevistou seus pais, Alfredo (55 anos) e Tibisay (54).

VICE: Como a vida sexual de vocês mudou com os anos?
Alfredo: Quando você está com a mesma pessoa há 35 anos, a vida sexual muda mesmo. Quando éramos mais jovens, sexo era a base do nosso relacionamento. Com os anos você percebe que tem coisas mais importantes, como começar uma família, criar os filhos direito, e respeitar um ao outro. Nossas prioridades mudaram.

Vocês fantasiam com outras pessoas?
Alfredo: Acho que é bem comum imaginar como seria o sexo com outra pessoa. Isso não é um problema, mas se torna um problema se você tenta transformar a fantasia em realidade e acaba traindo o parceiro. Quando você quer ser um exemplo para seus filhos tudo muda, e você percebe que é muito mais importante manter sua família unida do que satisfazer um desejo passageiro.

Do que vocês mais sentem falta na sua vida sexual?
Tibisay: Nossos corpos jovens! Quando mais novos, éramos mais dependentes da nossa vida sexual, mas esse não é mais o caso. Há períodos em que não falamos muito um com o outro — como você sabe — e dormimos em quartos separados. Nesses 30 anos de relacionamento, tantas coisas acontecem com você que mudam sua vida como casal.

O desejo diminui com a idade?
Alfredo: Acho que só o que mudou foi a maneira como vejo o sexo. Quando jovem, você pensa no sexo como uma competição ou um esporte, mas mais tarde isso se torna mais consciente e prazeroso. Você está mais confiante, há mais intimidade, e você se importa mais com o que sua parceira sente. Ela é a mãe dos meus filhos, não alguém que acabei de conhecer.

Dinamarca

O repórter da redação da VICE Dinamarca Alfred Maddox entrevistou o pai, Scott Maddox (48 anos), um músico e técnico de som. Ele está com a madrasta de Alfred há 12 anos.

VICE: Qual nota você daria para sua vida sexual?
Scott Maddox: Um grande dez. Ou 9,5 — "dez" parece que estou exagerando. Mas não há mais ninguém, não há fantasias. Tenho tudo que quero. Acho que para os jovens, a disponibilidade de pornografia mudou a ideia de como o sexo deve ser. O pornô sempre começa com boquete, depois umas quatro ou cinco posições, e daí você goza na cara dela. Bom, vou te dizer uma coisa, nunca gozei na cara de uma garota. Se você não tem muita experiência com sexo e a base do que você conhece vem do pornô, você nunca vai ter o que tenho. Minha vida sexual nota "9,5/10".

Sua vida sexual mudou com o decorrer dos seus relacionamentos — ou você já entrou de cara no 9,5?
Claro. [Sua madrasta] e eu estamos casados há 12 anos. No começo tinha muito beijo de língua, posições estranhas e sexo em lugares públicos — coisas que não fazemos mais. Vocês fazem coisas mais pornográficas no começo para conferir sua base, e as coisas eventualmente vão se afunilando para o ato principal que você faz pro resto da vida.

Então com o que você está mais feliz no seu relacionamento?
Acho minha esposa linda. Ela me excita completamente. Se ela está no chuveiro, sempre dou uma espiada. Logo depois que nos conhecemos, estávamos nos beijando no meu apartamento, quando de repente ela se levantou e tirou a blusa. Lembro como se fosse ontem. Lembro de ter pensado: "O quê? Uau!" Nunca fui muito um cara de peitos ou bunda. Provavelmente gosto mais do rosto que qualquer outra coisa.

"Vocês precisam lembrar que vão parar de bater punheta mas isso nunca vai acontecer"

Você já fantasiou com outra pessoa?
Não com outras pessoas. Se estou me masturbando em casa — isso é algo que todos vocês, garotos, precisam lembrar: vocês acham que vão parar de bater punheta mas isso nunca vai acontecer — quando estou me masturbando, penso na sua madrasta em situações estranhas onde nunca estaríamos. Ela está amarrada em algum lugar, e eu estou indo salvá-la, qualquer coisa assim.

Seu desejo mudou com os anos?
Aumentou. Com o pornô, esses caras estão sendo chupados por dez minutos, e transam por 20 — como eles fazem isso? Não faço a menor ideia. Tenho uma boceta em casa por um longo tempo, e não tenho ideia como é possível que esses caras não gozem por horas. Se tem uma boceta na mesa, eu cancelo tudo.

Espanha

A colaboradora da VICE Espanha Roser Amills entrevistou seus pais divorciados, Catalina (63 anos) e Esteban (67) — separadamente para eles não começarem a brigar.

VICE: Como você descreveria sua vida sexual no geral?
Esteban: Minha vida sexual tem sido bem ativa, não posso reclamar.
Catalina: Quando me casei com o seu pai, tudo o que eu sabia sobre sexo é que o homem ia por cima e a mulher tinha que ficar deitada embaixo dele. Provavelmente por isso eu me sentia um tapete velho na maior parte do meu casamento. Ele não mostrava nenhum respeito por mim, e eu tinha que ficar em casa sempre que ele queria sair com os amigos.

Como sua vida sexual mudou com o tempo?
Esteban: Quando eu era mais jovem, tudo era bem simples; não mais. A idade não tem misericórdia. Tive várias parceiras depois do divórcio — não sei se por que as mulheres são impossíveis de entender ou porque não tive sorte, mas nunca consegui fazer as coisas funcionarem com elas. Mas hoje em dia prefiro calma e afeição.
Catalina: Depois do divórcio fiquei mais confiante. Comprei um vibrador, então não dependia mais de homem nenhum, e hoje em dia, eu sorrio quando alguém me elogia na rua. Esse tipo de elogio me faz ganhar o dia. Mas basicamente é isso, porque não me sinto muito confortável com meu corpo.

Você sente que pode estar perdendo alguma coisa?
Esteban: Quando me casei, eu era jovem e impetuoso, sua mãe era ignorante e recatada. Então nunca pude satisfazer completamente minhas fantasias sexuais, porque sempre que tentava, eu me sentia culpado, e isso trazia muitos problemas. Eu não queria brigar mais do que já brigávamos.
Catalina: Eu fui idiota por deixar seu pai me ver como apenas a mulher que tomava conta dos filhos dele. E me negligenciei, apesar de ter sido linda naquela época. Nunca descuide do seu corpo. Eu queria saber isso naquela época — eu teria arranjado alguns amantes. Mas desperdicei minha juventude e nunca vou tê-la de volta.

Como a idade mudou seu corpo?
Esteban: Nunca fui fumante ou bebi demais, e sempre malhei. Acho que é importante cuidar de si.
Catalina: Engravidar quatro vezes me fez ganhar peso, e nunca consegui me livrar dos quilos extras. Entrei na menopausa com 34 anos, como resultado da minha histerectomia. Isso estragou minha vida sexual, porque parei de me lubrificar, e seu pai não lidava com o problema muito sutilmente. Ele me rejeitou, e o médico me disse que não valia a pena começar um tratamento. Comecei a evitar o seu pai — eu achava que o amava — para que ele não fosse um lembrete constante de que eu estava fincando velha.

Que erro você não cometeria de novo?
Esteban: Me casei muito cedo. Eu não estava preparado para o fardo de cuidar de uma família inteira na minha idade — eu deveria ter vivido mais intensamente enquanto podia.
Catalina: Eu deveria ter me separado muito antes. E mais importante: você nunca deve casar com alguém sem transar com a pessoa antes.

Holanda

A colaboradora da VICE Holanda Maxime de Vris entrevistou sua mãe, Nancy (47 anos), que foi casada com o pai dela por 20 anos. Ela está num novo relacionamento há três anos e meio agora.

VICE: Você e eu sempre fomos muito abertas quando o assunto era sexo. Já compartilhei algumas das minhas histórias mais constrangedoras com você no passado, e agora é sua vez. Vamos começar com a nota que você dá para sua vida sexual.
Nancy: Acho que uns 8,5, ou nove. Sempre foi boa. Meu namorado trabalha à noite, então às vezes sentimos falta de dormir juntos. Acho que não dormimos na mesma cama por umas 15 noites por mês. Mas as noites que passamos juntos são muito legais — trabalhamos no quarto pelo menos uma vez por semana.

Você já se sentiu insegura com seu corpo quando se trata de intimidade?
Não. Sempre tive muita consciência do meu corpo porque fiz dança desde que era menina. Conheço todo pelo e ruga dele. Se estou feliz com meu corpo é outra história, mas isso não me deixa insegura em momentos de intimidade. Meu parceiro também alimenta minha confiança — você consegue sentir quando alguém está realmente apaixonado por você e te acha atraente da cabeça aos pés.

"Não quero estar com alguém que, depois da gravidez ou da menopausa, diz: "OK, foi isso". Meu namorado e eu falamos sobre isso às vezes, e decidimos que simplesmente vamos continuar — de bengala e tudo mais!"

Suspeito que seu desejo não mudou muito com os anos, certo?
Quando você envelhece, as coisas começam a cair, mas isso não me parou. Te digo isso. Sou uma mulher que precisa da parte física num relacionamento. Não quero estar com alguém que, depois da gravidez ou da menopausa, diz: "OK, foi isso". Meu namorado e eu falamos sobre isso às vezes, e decidimos que simplesmente vamos continuar — de bengala e tudo mais!

Você ficou casada com meu pai por 20 anos e tem um namorado há três anos e meio. Como é descobrir uma nova pessoa sexualmente na sua idade?
É muito divertido. Estou mais velha, mais confiante sobre a minha posição na vida, e experimento o sexo de maneira mais intensa agora — e isso me deixa muito feliz. Quando se é jovem, como você, tudo é muito novo e excitante, e o sexo é principalmente luxúria. E isso nem sempre te deixa feliz. Isso não quer dizer que não é bom, mas conforme você envelhece, é menos uma questão de novidade e mais uma questão de "estar ali", o que torna todo toque mais intenso que nunca.

Qual foi o pior sexo da sua vida?
Meu Deus, foi um encontro em Cannes com um cara italiano. Eu tinha certas expectativas, né — os italianos são famosos por serem amantes, afinal de contas. Já estávamos embaixo das cobertas quando ele tirou a roupa, então eu não tinha visto ele nu. Depois de muita pegação, ele começou a fazer uns barulhos altos. Acontece que ele já tinha começado, mas eu não sentia nada. O pênis dele era do tamanho de um dedo de mulher, acho. Eu não queria que ele se sentisse mal, então comecei a gemer um pouco para animá-lo. Fui embora no meio da madrugada.

Tradução do inglês por Marina Schnoor.

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