Quem é Moreira Franco, o novo ministro de Temer

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Foto: Agência Brasil.

Entre a confirmação da morte cerebral de dona Marisa Letícia, esposa de Lula, o sorteio do ministro do STF Edson Fachin como relator da Lava Jato no tribunal e a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara, o ex-interino Michel Temer tomou uma medida consideravelmente polêmica — criou dois novos ministérios, uma bela ironia para quem fez campanha pelo impeachment prometendo cortar ministérios se assumisse a cadeira de Dilma Rousseff.

Além de recriar o Ministério dos Direitos Humanos — ocupado por Luislinda Valois, com aprovação do ministro da Justiça Alexandre de Moraes —, Temer agraciou o truta Moreira Franco (PMDB-RJ) com um almejado cargo de ministro da Secretaria Geral da Presidência, nome inócuo na medida para acolher um dos poucos restantes membros do que seria o "núcleo duro" do governo. Antes secretário do Programa de Parcerias e Investimentos (praticamente uma secretaria da privatização), Moreira formava a tropa de choque de Temer ao lado dos ex-ministros Romero "estancar a sangria" Jucá (PMDB-RR), que cuidava do planejamento, Geddel "La Vue Ladeira da Barra" Vieira de Lima (PMDB-BA), que deixou a Secretaria de Governo, e o até o momento ministro da Casa Civil Eliseu Padilha (PMDB-RS).

Temer afirmou que a elevação do status de Moreira Franco foi uma "mera formalização", e Padilha disse que o ministério serve para dar "melhor trânsito no exterior" para seu novo colega. No fundo, a manobra parece, para muitos analistas, uma maneira de blindar Moreira, dando foro privilegiado a um integrante do governo citado nas delações da Odebrecht na Lava Jato. Quando Dilma Rousseff tentou nomear Lula para a Casa Civil, recebeu as mesmas acusações e, auxiliado pelo vazamento dos grampos da PF pelo juiz Sergio Moro, o escândalo foi o estopim do seu impeachment.

A questão de fundo é que, para além da Lava Jato, a trajetória política de Moreira não é das mais ilibadas. Genro de Amaral Peixoto, que ingressou na política como ajudante de ordens de Getúlio Vargas, se embrenhou no metiér pelas mãos do então sogro, filiando-se em 1972 ao MDB. Durante a abertura democrática, em 1982, renunciou à prefeitura de Niterói para candidatar-se a governador do Rio de Janeiro pelo PDS (partido herdeiro da ARENA) numa disputa pesada contra Leonel Brizola (PDT). O pedetista venceu a eleição, não sem antes lutar contra o chamado "caso Proconsult", empresa chamada para auditar as eleições fluminenses que teriam tentado fraudar o resultado das urnas para dar o governo a Moreira. Ganhou de Brizola o apelido até hoje usado pelos adversários: "gatinho angorá", em referência à vasta cabeleira grisalha e por ir de "colo em colo" nos diferentes governos.
Em 1986, sob o sucesso momentâneo do Plano Cruzado, foi eleito governador do Rio, batendo o candidato de Brizola, Darcy Ribeiro. Quando entregou o governo a Brizola, que o sucedeu em 1990, deixou dívidas de US$ 150 milhões das obras do metrô — além disso, a sua gestão marcou o renascimento dos chamados "esquadrões da morte" no estado. Em 1998, foi condenado pelo STF, em última instância, a devolver R$ 400 mil para o estado do Rio, por ter usado a imprensa oficial para editar um livro auto elogioso.

Franco tem a fluidez política normalmente associada aos políticos mais habilidosos do PMDB — participou da criação da Frente Liberal, racha do PDS nas eleições indiretas de 1985 que deu origem ao PFL (atual DEM), mas acabou voltando para o PMDB na conta do sogro. Líder do governo na Câmara durante o primeiro mandato de FHC, foi derrotado por Saturnino Braga (PSB) na disputa pelo Senado em 1998, mas acabou acomodado pelo presidente tucano reeleito como assessor especial da presidência da República em 1999. Elegeu-se deputado federal novamente em 2002, em oposição ao governo Lula, mas em 2006 acompanhou o partido na recomposição com o governo e assumiu a suculenta vice-presidência dos Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal.

Depois de atuar como representante do PMDB na primeira eleição de Dilma Rousseff, ocupou os cargos de ministro de Assuntos Especiais (até 2013), e da Aviação Civil (até janeiro de 2015) da presidente petista. Depois disso, voltou à Fundação Ulysses Guimarães, onde ajudou a urdir a "Ponte Para o Futuro", atual programa de governo de Temer, do qual se utilizou para articular com sucesso o apoio empresarial para a derrubada de Dilma Rousseff.

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