Bebericando gim com suco com Snoop Dogg

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Esta matéria foi originalmente publicada no MUNCHIES US .

Poucos artistas desfrutam da mesma influência duradoura de Snoop Dogg. Quase 25 anos depois de seu disco de estreia Doggystyle, o cantor, astro de TV e empreendedor da cannabis medicinal continua relevante como sempre. Parte disso se deve à sua natureza prolífica (ele lançou 127 singles durante essas duas décadas e meia), mas a simpatia contagiante de Snoop também tem um papel em seu sucesso. Afinal de contas, gentileza nunca sai de moda.

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Nem a maconha. O status de Snoop como embaixador não oficial da ganja também ajudou a cimentar seu legado. A VICE se encontrou com Snoop no centro de LA para tomar drinques de gim com suco, e ele revelou desde seu prato preferido na larica até a pessoa que conseguiria fumar mais maconha que ele. Mais importante, essa sessão breve com o ícone do rap oferece algumas lições de vida sobre a longevidade.

VICE: O que estamos bebendo?
Snoop Dogg: Um Laid Back [ preparado por Niko Novick da N2 Mixoligy: uma parte gim, uma parte vodca de maçã, duas partes suco de abacaxi fresco e um toque de soda com gelo].

Sabe, Martha Stewart me preparou esse mesmo drinque no nosso programa [ Martha and Snoop's Potluck Dinner Party]. Mas ela colocou uma bola de gelo. Uma bola de gelo enorme. Aquela louca — eu nunca tinha tomado um drinque com uma puta bola de gelo enorme. Aquilo fodeu com a minha cabeça, mas estava bom. Nunca achei que ia dizer que curto bolas, mas... Você tem um toque de gim, um toque de abacaxi, e é só chop chop [o gelo].

Sua amizade com a Martha é inesperada mas verdadeira. Como vocês trabalham tão bem juntos?
Ela é diferente, sabe, do que eu estava acostumado. Mas, bom, ela também é muito com o que eu estava acostumado, porque ela é gente. Ela só parece diferente e nasceu numa era diferente, mas andando com ela, ela é como todo mundo. Por isso funciona, porque ela nunca diz nada que parece loucura pros meus ouvidos. É sempre, tipo "Caramba, sabia que você ia falar isso". É por isso que a gente se dá bem, por isso que nos conectamos, eu e a Martha. Porque parece até um casamento sagrado, não conversa mole.


Foto por Jared Ranahan.


Você apresentou um drinque antigo para a nova geração com a música "Gin and Juice". Quem te ensinou esse drinque?
Minhã mãe! Minha mãe gostava de beber nos anos 70. Ela dava festas em casa, a gente tinha um bar na sala e um rádio de fitas cassete. Todo mundo bebia [gim] e se divertia. O drinque representa bons tempos pra mim.

De que música você lembra dessa época?
The Dramatics, Marvin Gaye, Isley Brothers, Manhattans. Qualquer coisa que te fizesse dançar, sabe? Minha mãe e os convidados dançavam. Era a bebida que fazia eles dançarem, eu achava na época. Pensando agora, deve ser porque eles sempre tinham um copo cheio na mão. Era um copo vermelho ou um copo de isopor, mas sempre com o copo na mão.

O gim sempre foi seu favorito? Muita gente da cena do rap prefere conhaque.
Não bebo do marrom, cara... Porque já sou marrom o suficiente. Muito marrom não faz bem pra você. As piores ressacas são com o marrom. Aquelas tipo "Jesus, nunca mais vou beber". Você não fica assim com [os destilados claros]. Quero tentar isso de novo.

Qual seu drinque de festa perfeito?
[ Pensando por um minuto] Ah! Pink Panties [ uma mistura de limonada rosa, gim, sorvete, morango e gelo]. Acho que o pessoal não faz mais esse. Quando eu estava no colégio, esse era o drinque que as garotas bonitas faziam quando queriam fingir que você tinha chance com elas, mas nunca ia rolar — elas faziam o drinque, você ficava embalado, e aí nunca conseguia uma chance com elas!

Quais seus planos para 2017, Snoop?
Tenho um filme saindo para Coolaid. Aquele disco era muito louco. Era ótimo. E acho que a gravadora não tratou ele direito. Então fiz um filme para ajudar as pessoas entenderem de onde aquilo estava vindo. É um filme que deve sair em março para apoiar o disco. Vou trabalhar com vários artistas incríveis também. October London é um deles. Ele é um ótimo cantor/compositor. Vou fazer algumas coisas com a minha filha, ela está cantando agora. Acabei de fazer um álbum com Morris Day, então fique ligado. Também estamos trabalhando no disco novo do Bootsy Collins. Estou fazendo um pouco de tudo. Adoro fazer música, adoro fornecer o que estava faltando para muitos desses artistas que cresci amando, e poder trabalhar com eles agora, porque eles ainda querem fazer música e eu ainda quero trabalhar com eles.

Hoje você deixa outros artistas escreverem letras para você. Como é esse processo?
Deixo as pessoas escreverem para mim porque — não porque estou com bloqueio criativo nem nada disso — às vezes a perspectiva de fora é melhor que a sua perspectiva. Tipo "Sexual Eruption", Shorty Rare escreveu essa música. Ele apresentou a música pra mim e disse "Quero que você fique com essa música". Mas ele não estava cantando, só falando. Aí peguei a letra e coloquei um pouco de autotune nos meus vocais, e disse "Espera. Não quero fazer o 'T-Pain' aqui. Então coloque o T-Pain aqui e me coloque ali". Então essa é a diferença entre músicas normais com autotune e essa, porque o Shorty Rare me deu essa música. Ele compôs, produziu, fez o arranjo, e eu acrescentei meu sabor e fiz o que sempre faço.

Mas nem sempre você esteve confortável com outras pessoas compondo para você.
Eu tinha um problema com isso no começo porque eu era um MC. Sabe, sou um MC foda! Escrevi pro Dr. Dre. Eu compus pra ele. Você não vai compor nada pra mim. Eu e um rapper — não posso dizer o nome dele — começamos com o pé esquerdo por causa disso. Começamos mal porque ele me apresentou uma música, e eu disse "Mano, você não pode escrever pra mim!" Mas aí ele vendeu milhões e milhões de discos. Então tem meu respeito. Na arte da guerra, eu ainda estava no topo do jogo, então não precisava que outra pessoa escrevesse minhas letras. Eu escrevia tudo sozinho mesmo. [ Risos.]

Snoop Dogg com o barman Niko Novick. Foto por Jared Ranahan.


Você está envolvido na cena da maconha medicinal. Como você se sente com a proliferação dos produtos comestíveis de maconha, em particular?Não tenho um botão liga/desliga com os comestíveis. Aprecio o fato de eles estarem criando comestíveis, porque algumas pessoas não gostam da fumaça, não gostam de como você fica cheirando, então os comestíveis são um outro jeito de se medicar. Também é um jeito ótimo de se sentir bem com o que você está usando sem ninguém saber. Respeito isso, mas ao mesmo tempo [não uso comestíveis] porque não dá pra controlar. Perco o controle sobre mim sempre que uso, porque quando isso entra na minha corrente sanguínea, acabou pra mim, e não gosto de me sentir assim.

E o que você acha da legalização da maconha no seu estado natal, a Califórnia?
É nisso que o mundo é baseado agora. Ele é mais medicado que dedicado. Então você tem que ver isso como curando as pessoas, isso está salvando o mundo. Como eu sempre digo, mesmo isso por exemplo [ aponta para o copo de bebida na mesa]: vá num evento esportivo e veja como as pessoas agem usando isso; violentas, agressivas. O time delas perde e vai ter briga. Mas quando você está num evento esportivo e usa isso aqui [ faz um gesto de fumando um beck], você não vai encrencar com ninguém. Se seu time perde... Foda-se, eles perderam.

Wiz Khalifa disse recentemente que consegue fumar mais que você. Tem alguma verdade aí?
Wiz Khalifa não consegue fumar mais que eu. Ele é jovem e ambicioso. Ele está numa missão. O karatê dele é bom. Mas ele nunca vai conseguir. Hoje só tem uma pessoa que consegue fumar mais que eu: Willie Nelson. Ele é a única pessoa que pode me superar nisso. Finito!

Como você sabe que foi superado em fumar maconha?
Quando você quer parar. Quando está procurando uma saída. Você quer quebrar a corrente. É uma rotação, é tipo uma corrida — tipo revesamento 4 por 4 — e do nada alguém te entrega o bastão e você pensa "Vou ficar parado aqui enquanto vocês correm a porra toda".

No programa com a Martha, você mostra que tem muito talento para cozinhar. Que pratos você gosta de fazer quando está chapado?
Um dos melhores pratos de larica é sanduíche de bolonhesa frita com queijo — aí você joga sua batata frita favorita ali, dentro do sanduíche. É o básico.

Como você ensina seus filhos a beberem e fumarem com responsabilidade?
Nenhum dos meus filhos bebe. Mas fumar responsavelmente? É só ser um exemplo. Tente não ser hipócrita. Como vou dizer que eles não podem fumar, quando eu fumo? É assim que eu faço. Tento sempre mostrar respeito. Não sou uma pessoa que desrespeita. Quando entro num prédio com um beck, é porque era pra acontecer. Pode reparar hoje, você não vai sentir cheiro de erva neste cenário, porque respeito a visão do que estamos fazendo. Posso agir como um bobo se precisar, mas essa não é a hora nem o lugar. Isso aqui é terno e gravata.

Como sua relação com a maconha evoluiu com os anos?
Ela me medica. Olho em volta e vejo todos esses empreendedores, rappers, atletas, como o peso deles flutua e como eles têm problemas com que não conseguem lidar, como se sentem suicidas, isso e aquilo, violência doméstica, etc. Mas Snoop Dogg segue uma dieta severa: isso e aquilo — não todas as alternativas acima. Quando começa a misturar tudo, você acaba com tudo que falei antes. Mas quando mantém as coisas simples, você tem um caminho suave para trilhar, e é disso que eu gosto.

Obrigado por falar com a gente, Snoop.

Tradução: Marina Schnoor

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