Oculus é condenada a pagar US$ 500 milhões à ZeniMax por quebra de contratos

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Não teve conversa, a Oculus (e consequentemente o Facebook) se deu mal. Após três anos o processo em que a ZeniMax Media, que se considerava dona da tecnologia de realidade virtual do Oculus Rift moveu contra a rival por roubo de tecnologia e quebra de contratos chegou ao fim, com a fabricante do headset sendo condenada a pagar US$ 500 milhões de indenização.

E o pior: ficou barato.

O rolo começou em 2012, dois anos antes . A ZeniMax entrou como uma benfeitora da Oculus quando Palmer Luckey ainda promovia a startup e sua tecnologia na Universidade do Sul da Califórnia. A companhia, que é dona da desenvolvedora de games id Software (DOOM, Quake, Wolfenstein) proveu Luckey com “assistências valiosas” e tecnologias, a fim de fazer o Rift deslanchar e ganhar uma grana no processo.

Aí as coisas começaram a se complicar. John Carmack, na época o principal desenvolvedor da id Software e um dos maiores programadores de games da atualidade (além de ser um entusiasta de foguetes) se aproximou do projeto, recebeu um protótipo e segundo a acusação da ZeniMax, começou a escrever código para ele. Com o tempo Carmack veio a se tornar o CTO da Oculus, embora permanecesse ligado à id.

Há um consenso de que sem a expertise de Carmack a primeira versão do Oculus Rift apresentada ao público não teria sido tão impressionante (a ZeniMax diz com todas as letras que Luckey não teria o conhecimento necessário para tal), e esse era o ponto principal da reclamação da ZeniMax: como o desenvolvedor não foi desligado da id até a compra da Oculus pelo Facebook, tudo o que ele desenvolveu e programou pertence à ela. Logo o headset de realidade virtual pertencia a eles em primeiro lugar, e que ambas agora rivais estavam roubando tecnologia proprietária e quebrando acordos, especificamente utilizando sua propriedade intelectual (o game DOOM 3: BFG Edition) em demonstrações.

Em seu depoimento, Carmack admitiu ter copiado milhares de e-mails para uma unidade de armazenamento externo em seu último dia na ZeniMax/id Software, o que poderia ser entendido como apropriação indevida de assets de sua antiga companhia. Luckey e o CEO do Facebook Mark Zuckerberg também tiveram que depor.

John Carmack, CTO da Oculus e pivô de toda essa confusão

O processinho correu por três anos e agora a decisão de um júri de North Texas chegou a uma conclusão: para desapontamento da ZeniMax a Oculus foi inocentada de todas as acusações de roubo de tecnologia e expertise, dessa forma poderá continuar vendendo o headset normalmente sem pagar royalties. No entanto a acusação de quebra de contrato permaneceu e a Oculus foi considerada culpada da acusação, sendo obrigada a pagar um montante de US$ 500 milhões.

Caso ambas acusações fossem consideradas procedentes a Oculus poderia ter quebrado: a ZeniMax pedia US$ 2 bilhões de compensação e mais US$ 2 bilhões por danos, além de ter direitos garantidos sobre o device para todo o sempre. Em suma ficou barato para o Facebook, que só precisará dispor de meio bilhãozinho e escapou de ter que dividir os lucros com a rival, algo que Zuck não queria de jeito nenhum.

Em nota a ZeniMax comemorou a decisão, mas não deixa de lamentar o fato de “o Oculus foi feito com nossa tecnologia” e estuda meios de voltar à justiça para exigir novamente o que dela é de direito. Logo, essa novela ainda não acabou.

Fonte: Ars Technica.

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